
Mesmo com o fim da guerra dos Estados Unidos contra o Irã, o setor sucroenergético de Pernambuco está otimista com a aprovação do aumento da adição de etanol anidro na gasolina. “A gente entende que não há risco do governo voltar atrás com o fim do conflito”, diz o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, que também é presidente da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio). A expectativa é que a mistura obrigatória passe dos atuais 30% (E30) para 32% (E32), medida que deverá aumentar a demanda em 1 bilhão de litros de etanol anidro por safra.
O aumento da adição de anidro é uma antiga reivindicação do setor, mas com o conflito no Oriente Médio, o governo federal tentou acelerar o aumento da adição pra importar menos gasolina. Os derivados de petróleo apresentaram uma alta de preço por causa da guerra e suas consequências.
A reunião que vai analisar o aumento ocorrerá na quarta-feira (24) numa reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) na sede do Ministério de Minas e Energia, em Brasília. O encontro deverá contar com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e dos demais integrantes do colegiado. A expectativa é de que a reunião homologue o aumento da adição do etanol anidro para 32% da gasolina.
A reunião ocorre após o presidente Lula e o ministro Alexandre Silveira receberem, na semana passada, representantes das principais entidades e empresas do setor sucroenergético brasileiro para discutir o assunto.
Segundo Renato Cunha, não há problema técnico no aumento da mistura, porque os estudos realizados mostram que a adição do etanol anidro pode ser de até 35%. Ele diz também que a ampliação da mistura contribui para a descarbonização da matriz energética, reduz a poluição urbana e fortalece o setor sucroenergético, ampliando o mercado.
Numa safra, o Brasil produz cerca de 15 bilhões de litros de etanol anidro. Com a aprovação, haverá um incremento de 6,67% na produção deste biocombustível para ser adicionado à gasolina.
Em Pernambuco, o setor é formado por 16 usinas, milhares de fornecedores de cana-de-açúcar e emprega cerca de 100 mil pessoas durante a moagem.
Leia também
Um bilhão de litros extras: CNPE vota no dia 24 ampliação do etanol na gasolina










