
O mercado financeiro espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduza a Selic de 14,50% para 14,25% nesta quarta-feira (17), apesar das incertezas geopolíticas e das pressões inflacionárias no Brasil. Ainda assim, a possibilidade de novos cortes é cada vez menor, e a expectativa é que a taxa básica encerre o ano em 14%.
A notícia não é boa para grande parte do mercado, especialmente para a classe média que busca comprar um imóvel. A Selic tem impacto direto sobre o financiamento imobiliário, ainda que as taxas do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) não acompanhem a taxa básica na mesma proporção. O problema é que a Selic pressiona o custo de captação dos bancos, que acabam repassando parte desse custo aos mutuários.
Esse cenário ajuda a explicar por que a venda de imóveis para a classe média vem perdendo força, assim como o interesse das construtoras em desenvolver produtos para essa faixa da população. O mercado segue ativo, mas passou a se concentrar com mais intensidade em duas pontas: o alto padrão, sustentado por compradores com maior renda ou patrimônio, e os imóveis enquadrados em programas habitacionais, que contam com subsídios para viabilizar o financiamento.
Os dados de mercado reforçam essa pressão. Em maio de 2025, o preço médio do metro quadrado residencial no Brasil, considerando as 56 cidades monitoradas pelo Índice FipeZAP, era de R$ 9.276. Em maio de 2026, chegou a R$ 9.809. Nos 12 meses encerrados em maio de 2026, os imóveis residenciais acumularam valorização de 5,59%.
No Recife, o preço médio do metro quadrado residencial chegou a R$ 8.680 em maio de 2026, com alta de 5,93% em 12 meses, segundo o mesmo índice. Isso significa que um apartamento de 60 m², pelo preço médio da cidade, ficaria em torno de R$ 520 mil. Em bairros mais valorizados, o valor sobe ainda mais: Boa Viagem aparece com metro quadrado médio de R$ 9.471; Madalena, R$ 9.582; e Parnamirim, R$ 9.935.
Classe média sem crédito e sem opção
Esse patamar de preço dificulta a vida da classe média que depende de financiamento bancário. Com a Selic em 14,5% ao ano e taxas de crédito imobiliário de mercado acima de 10% ao ano nas principais instituições, a prestação fica mais pesada e a renda exigida para aprovação do financiamento aumenta.
É nesse contexto que produtos enquadrados no Minha Casa Minha Vida (MCMV) e no Morar Bem passam a ocupar parte do espaço antes associado à classe média de entrada. A Construtora ACLF, por exemplo, é uma das empresas que têm construído moradias do MCMV acima do padrão tradicional, com piscina, salão de festas, parque infantil, área gourmet e outros atrativos.
A Casa Orange também segue essa linha. O recente empreendimento da marca no Barro tem unidades a partir de R$ 235 mil e reúne atributos que antes estavam mais presentes em imóveis de padrão médio. Segundo os executivos da empresa, o comprador desse produto está, em geral, na faixa de renda entre R$ 2.600 e R$ 3.200, com forte presença de jovens em busca do primeiro imóvel.
A viabilidade da compra depende da combinação de subsídios. O Morar Bem, do Governo de Pernambuco, entra com R$ 20 mil, enquanto o Minha Casa Minha Vida pode chegar a R$ 55 mil. Somados, os benefícios podem alcançar R$ 75 mil, a depender do caso.
Levantamentos da Brain e da Abrainc mostram que o Minha Casa Minha Vida avançou em lançamentos e contratações, enquanto o luxo e o superluxo bateram recorde nas capitais, representando apenas 3,75% das unidades vendidas, mas quase 30% do valor negociado. No meio, a classe média aparece como o público mais pressionado. O resultado é um mercado imobiliário que continua girando, mas com menos espaço para quem depende de financiamento tradicional e não se enquadra nos subsídios habitacionais.
Mercado publicitário
Nesta terça-feira (16), o Movimento Econômico reúne o mercado publicitário no Novo Hotel para um café da manhã. Na ocasião, serão apresentados os números da expansão regional do portal e seus novos produtos.
Amupe
Também nesta terça-feira (16), a Amupe reúne prefeitos e prefeitas no auditório da entidade para discutir o Refiz da Compesa. Serão abordados temas como o parcelamento de débitos dos municípios com a companhia e o uso dos recursos da outorga.
Capital semente
O programa Territórios Regenerativos, do Grupo Cornélio Brennand, já investiu R$ 55 mil em capital semente para fortalecer dez negócios de impacto no bairro da Várzea, no Recife. A iniciativa também acumula cerca de 480 horas de capacitação e mentorias, beneficiando mais de 100 empreendedores locais. Ao fim desta etapa, o programa alcançará a marca de 16 empreendimentos incubados e acelerados, impulsionando a economia criativa, o turismo comunitário e os negócios sustentáveis da região.
Fechando as portas
Os restaurantes Mangai e NAU fecharam as portas no Recife após pouco mais de cinco anos de operação em Boa Viagem. As casas, de origem paraibana, foram inauguradas na capital pernambucana em dezembro de 2020, em um complexo gastronômico na Avenida Domingos Ferreira. Recente pesquisa interna da Abrasel revela quase 40% de bares e restaurantes estão fechando o balanço sem lucro e/ou entrando no vermelho.
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