
O Nordeste consolidou em 2025 sua posição como principal destino do turismo doméstico vendido pelas operadoras brasileiras. Dados do Anuário elaborado pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa) mostram que a região concentrou 39% do faturamento e 35% dos embarques nacionais comercializados pelas empresas associadas à entidade. Nesse cenário, Maceió aparece como a cidade mais vendida do Brasil, reforçando o peso de Alagoas na prateleira das viagens nacionais.
O desempenho ocorre em um mercado doméstico que movimentou R$ 18,66 bilhões em 2025, o equivalente a 77,9% do faturamento total das operadoras Braztoa. Em volume, foram 7,10 milhões de embarques para destinos nacionais, cerca de 73,1% do total registrado pelas empresas no período. O resultado confirma o turismo interno como principal base de sustentação das operadoras, mesmo em um ambiente ainda marcado por oscilações no mercado internacional.
Além da liderança regional, o ranking dos destinos mais vendidos mostra a força do Nordeste na disputa nacional por turistas. A Bahia aparece como o estado mais vendido do país, seguida por Pernambuco e Alagoas. O ranking estadual segue com São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraná e Minas Gerais.
Entre as cidades, Maceió ocupa a primeira posição, à frente de Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Natal, Porto de Galinhas, Porto Seguro, Recife, Fortaleza e Gramado.
Para a Braztoa, os destinos nordestinos que aparecem liderando a preferência dos viajantes compartilham “clima favorável ao longo do ano, diversidade de paisagens litorâneas e uma oferta estruturada de hospedagem e serviços, além de uma ampla variedade de experiências que vão do descanso à cultura e ao entretenimento”.
Maceió no topo das cidades mais vendidas
A liderança de Maceió entre as cidades mais vendidas coloca a capital alagoana em uma vitrine nacional. O desempenho reforça o avanço do destino nos canais de comercialização das operadoras e amplia a relevância do turismo como vetor de geração de receita para a economia local.
Para o secretário de Estado do Turismo de Alagoas, Paulo Kugelmas, o resultado reflete o trabalho de promoção do destino nos mercados nacional e internacional e reforça o impacto econômico da atividade. “Esse fluxo consolida a economia local ao gerar cada vez mais emprego e renda para os alagoanos”, afirmou.
O relatório também aponta que o destino tem desafios para superar, como ampliação da conectividade, qualificação da mão de obra, diversificação da oferta turística e distribuição do fluxo para além dos roteiros mais tradicionais.
No caso de Alagoas, o crescimento da demanda por Maceió abre espaço para integrar melhor outros territórios turísticos, como o litoral norte, o litoral sul, a região das lagoas, os cânions do São Francisco e experiências ligadas à cultura e à gastronomia.

Bahia lidera entre os estados
No ranking estadual, a Bahia aparece como o principal destino vendido pelas operadoras no Brasil e tem ainda Salvador e Porto Seguro como quarto e sétimas cidades mais vendidas no ano.
Para o titular da Secretaria de Turismo da Bahia, Maurício Bacelar, o resultado demonstra a eficiência das políticas públicas voltadas para o setor.
“Mais uma entidade importante confirma a liderança dos baianos no turismo nacional, fruto dos investimentos do Governo do Estado em infraestrutura, qualificação, promoção, diversificação da oferta de novos produtos e experiências, com ampliação da conectividade aérea. Abandonar a concorrência no Nordeste e destinos do Sudeste mostra o protagonismo da Bahia na atividade e aumenta a nossa responsabilidade para seguirmos liderando, com novos avanços”, ressaltou o secretário.
O setor privado baiano também projeta expansão. Segundo o CEO da Itaparica Tour, Cláudio Maia, a expectativa é de aumento de 40% nas vendas em 2026. “O sucesso da Bahia está no cuidado que o governo estadual tem com o turismo, fazendo investimentos de resultado. Com isso, toda a cadeia produtiva do setor fica satisfeita e vem o impacto na economia, gerando mais renda para os baianos”, destacou.
Turismo regional movimenta cadeia produtiva
O impacto das vendas domésticas vai além das operadoras. Segundo o Anuário Braztoa 2026, o mercado nacional registrou mais de 19 milhões de diárias comercializadas no ano passado. Esse volume representa demanda direta para hotéis, pousadas, resorts, transporte, agências, bares, restaurantes, passeios, guias, comércio local e serviços ligados ao turismo.
A força do Nordeste nesse mercado mostra que a região deixou de ser apenas uma vocação natural para o turismo e passou a ocupar uma posição de maior relevância econômica na estrutura de vendas do setor. Para os destinos, o desafio agora é transformar liderança em maior permanência, gasto médio, interiorização do fluxo e investimentos capazes de ampliar os efeitos do turismo sobre a economia regional.
Mesmo com o protagonismo como destino, o Nordeste ainda tem espaço para crescer como mercado emissor. O Anuário mostra que a origem dos embarques nacionais segue concentrada no Sudeste, responsável por 66% dos passageiros, enquanto o Nordeste responde por 8%. O dado revela uma assimetria importante: a região é a mais vendida como destino, mas ainda participa menos como ponto de partida das viagens organizadas pelas operadoras.
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