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Após 106 dias de guerra, EUA e Irã declaram vitória e liberam Estreito de Ormuz

Paquistão mediou negociações. Cerimônia de assinatura ocorre em 19 de junho em Genebra, com US$ 12 bilhões em ativos iranianos congelados a serem liberados imediatamente
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  1. EUA e Irã declaram vitória após 106 dias de guerra
  2. Trump anuncia fim do conflito em sua rede social
  3. Paquistão atua como mediador nas negociações
  4. Irã confirma acordo e reabertura do Estreito de Ormuz
  5. Acordo prevê desembolso de US$ 12 bilhões em ativos iranianos
Presidente dos Estados Unidos Donald Trump em evento em Port of Corpus Christi, Texas
Anúncio sobre o fim da guerra contra o Irã coincidiu com o 80º aniversário de Trump, nascido em 14 de junho de 1946. Foto: WhiteHouse/Reprodução

“O acordo com a República Islâmica do Irã já está concluído. Parabéns a todos!” Com essa publicação na plataforma Truth Social, o presidente norte-americano Donald Trump declarou neste domingo (14) o fim do conflito com o Irã e autorizou a reabertura do Estreito de Ormuz. O anúncio coincidiu com o 80º aniversário de Trump, nascido em 14 de junho de 1946. O mediador da negociação foi o Paquistão, cujo primeiro-ministro, Shehbaz Sharif, confirmou que ambas as partes declararam “o término imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano”, segundo a Carta Capital.

Trump publicou em seguida: “Autorizo plenamente a abertura sem cobrança de pedágio do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, autorizo o levantamento imediato do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Que o petróleo flua!” Pouco depois, o presidente recuou parcialmente e afirmou que a reabertura efetiva da passagem marítima ocorrerá somente após a cerimônia de assinatura, marcada para 19 de junho em Genebra.

O Irã confirmou o acordo. O vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, declarou que o acordo encerra “de forma imediata a guerra” e que negociações para um entendimento final terão início em um prazo de 60 dias. As forças armadas iranianas, por sua vez, afirmaram em comunicado à televisão estatal ter “imposto sua vontade divina e de aço a inimigos norte-americanos e sionistas humilhados”, segundo a AFP.

Um memorando de entendimento prevê o desembolso imediato de US$ 12 bilhões em ativos iranianos congelados, segundo a agência iraniana Mehr. O conteúdo integral do acordo ainda não foi divulgado pelas partes, que apresentaram versões contraditórias sobre pontos centrais das negociações, como o controle do Estreito de Ormuz e o destino do programa nuclear iraniano. Trump justificou o conflito como necessário para impedir que o Irã obtivesse armas nucleares, ambição que Teerã sempre negou.

O vice-presidente norte-americano, JD Vance, confirmou intenção de participar da cerimônia em Genebra e afirmou que Trump “poderá” comparecer. O secretário-geral da ONU, António Guterres, celebrou o anúncio e pediu que as partes “redobrem seus esforços em direção a uma resolução final do conflito”, segundo nota do porta-voz Stéphane Dujarric.

A guerra de Trump contra o Irã e seu impacto econômico

A guerra teve início em 28 de fevereiro, com ataques conjuntos de EUA e Israel contra o Irã. Teerã respondeu com ofensivas contra Israel e aliados regionais e bloqueou, na prática, o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa parcela significativa do abastecimento global de petróleo e gás natural. Os EUA responderam com bloqueio naval de todos os portos iranianos. O acordo encerra 106 dias de conflito.

O bloqueio do Estreito pressionou o preço dos combustíveis, alimentou a inflação nos EUA e em outros países e congestionou cadeias de suprimentos de produtos como fertilizantes, com efeitos sobre a produção de alimentos em regiões distantes do Oriente Médio, segundo a AFP. “O que poderemos fazer é reduzir o custo da energia, não apenas agora, mas também no longo prazo, e criar um verdadeiro motor de prosperidade no Oriente Médio”, disse Vance à Fox News.

O presidente francês Emmanuel Macron, um dia antes do início da cúpula do G7 na França, afirmou que o acordo será um dos temas centrais do encontro entre as grandes potências. “O objetivo será analisar as consequências desse acordo, o apoio ao Líbano, a reabertura do Estreito de Ormuz no longo prazo e, obviamente, a conclusão de um acordo sobre o programa nuclear e balístico do Irã”, disse Macron em vídeo publicado em seu Instagram. Sharif também agradeceu aos líderes do Catar, da Arábia Saudita e da Turquia pelo apoio na mediação.

Leia mais: Alckmin diz que Brasil será autossuficiente em diesel e gasolina em cinco anos

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