
A Região Metropolitana de João Pessoa registrou a maior redução de pobreza entre todas as 22 metrópoles brasileiras entre 2022 e 2025: de 46,6% para 29,5% da população, queda de 17,1 pontos percentuais, segundo o Boletim Desigualdade nas Metrópoles nº 17, produzido pelo Observatório das Metrópoles (UFRJ), pelo PUCRS-Data Social e pela rede RedODSAL, com base nos microdados da PNADc/IBGE, divulgado nesta sexta-feira (12). Recife ficou em 3º lugar nacional com queda de 16,5 pontos percentuais, de 45,2% para 28,7%, e liderou o país na redução de extrema pobreza: de 10% para 4,3%, recuo de 5,7 pontos percentuais.
No conjunto das 22 regiões metropolitanas do Brasil, a taxa de pobreza chegou a 18,4% em 2025, o menor patamar desde 2012, com 10,4 milhões de pessoas saindo dessa condição desde 2021. Na contramão, Fortaleza registrou a menor queda entre as metrópoles nordestinas: apenas 4,2 pontos percentuais, permanecendo com 34,1% de taxa de pobreza, a segunda maior entre todas as 22 metrópoles do país.
As 22 regiões metropolitanas analisadas reúnem cerca de 300 cidades e abrigam quase 40% da população brasileira, mais de 80 milhões de pessoas. Em 2025, 15,2 milhões delas ainda viviam em situação de pobreza — volume equivalente à população somada do Pará, da Paraíba e de Sergipe. Outros 2,6 milhões estavam em extrema pobreza, contingente comparável ao total de habitantes de Fortaleza ou de Salvador.
Para o economista e sociólogo Marcelo Ribeiro, professor do Programa de Planejamento Urbano e Regional da UFRJ e pesquisador do Observatório das Metrópoles, a redução da pobreza está diretamente ligada ao rendimento do trabalho, não aos programas de transferência de renda. “Está muito vinculada com o fato de as pessoas mais pobres terem aumentado o seu nível de renda a partir do rendimento do trabalho”, afirmou à Agência Brasil. Os valores pagos pelo Bolsa Família não sofrem reajuste desde março de 2023.

Nordeste domina o ranking nacional
Das 10 maiores quedas de pobreza entre as metrópoles brasileiras no período, 7 foram registradas no Nordeste. João Pessoa liderou com -17,1 pp, seguida por Manaus (-16,6 pp, 2º nacional) e Recife (-16,5 pp, 3º). Em seguida vieram Maceió (-14,7 pp, 4º), Grande São Luís (-13,8 pp, 5º) e Macapá (-13,7 pp, 6º). Na extrema pobreza, o domínio nordestino foi ainda mais expressivo: as 5 maiores quedas do país pertencem todas ao Nordeste — Recife (1º, -5,7 pp), João Pessoa (2º, -4,7 pp), Salvador (3º, -4,1 pp), Aracaju (4º, -3,7 pp) e Natal (5º, -2,8 pp).
Apesar das quedas expressivas, as 8 metrópoles com maior taxa de extrema pobreza do país em 2025 são todas nordestinas: Grande São Luís (6,6%), Salvador (6,5%), Fortaleza (5,4%), Macapá (5,1%), Maceió (5%), João Pessoa (4,9%), Recife (4,3%) e Teresina (4,2%). A renda média domiciliar per capita cresceu em todas as metrópoles nordestinas entre 2022 e 2025: João Pessoa avançou de R$ 1.427 para R$ 2.113 (+48,1%), Recife de R$ 1.357 para R$ 1.941 (+43%) e Aracaju de R$ 1.816 para R$ 2.404 (+32,4%). Mesmo assim, Grande São Luís (R$ 1.616) e Fortaleza (R$ 1.812) figuram entre as cinco metrópoles com menor renda média do país, com valores 2,7 vezes inferiores ao topo nacional, Brasília (R$ 4.401).
Desigualdade cresce mesmo com menos pobreza
O avanço da renda não eliminou a concentração. O coeficiente de Gini do conjunto das 22 metrópoles subiu de 0,533 em 2024 para 0,541 em 2025, com a razão de rendimento entre os 10% mais ricos e os 40% mais pobres chegando a 16,1. Entre as metrópoles nordestinas, Natal (0,565), Teresina (0,563) e Fortaleza (0,551) registraram os coeficientes de Gini mais elevados do país em 2025. Recife (0,526) e Salvador (0,513) foram as únicas metrópoles nordestinas onde a desigualdade recuou entre 2022 e 2025. Teresina registrou o maior agravamento: de 0,507 para 0,563.
Para Ribeiro, a persistência da desigualdade tem duas causas estruturais. “Para os mais ricos, o mercado de trabalho tem efeito especial. Eles estão nas ocupações de maior remuneração, pois são aquelas de maior escolarização”, afirmou o pesquisador. Além disso, o período analisado coincidiu com taxas de juros elevadas, cujos rendimentos beneficiaram exclusivamente quem dispõe de capital para aplicações financeiras. “Os rendimentos deles, tanto decorrentes do trabalho quanto de aplicações financeiras, contribuíram para o aumento de renda proporcionalmente maior do que os estratos socioeconômicos mais baixos”, concluiu.
*Com informações da Agência Brasil
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