
O Ministério dos Transportes afirmou que estuda conectar a Transnordestina ao futuro corredor ferroviário Açailândia-Barcarena, projeto que pode ampliar a integração logística entre o Nordeste, o Matopiba e o Arco Norte. A informação foi revelada pelo ministro dos Transportes, George Santoro, durante roadshow realizado na B3, em São Paulo, nesta quinta-feira (11) para apresentação da carteira ferroviária do governo federal.
Segundo Santoro, a Infra S.A. deverá contratar o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) da conexão entre a Transnordestina e a Ferrovia Norte-Sul. A definição ainda depende da análise sobre qual traçado será mais eficiente para a movimentação de cargas e para a logística nacional, com possibilidades de ligação pelo Tocantins ou pelo Maranhão.
“A intenção nossa é conectar ou no Tocantins ou no Maranhão. Nós estamos vendo o que é melhor para a carga e para a logística nacional, como é que nós vamos trabalhar isso”, afirmou.
Durante a apresentação, o ministro disse que a ideia é integrar dois corredores ferroviários paralelos. De um lado, a Transnordestina, que avança em direção aos portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco. De outro, o eixo Açailândia-Barcarena, que conecta a saída norte da Ferrovia Norte-Sul ao Porto de Vila do Conde, em Barcarena, no Pará.
“É uma conexão importante, conectando dois corredores logísticos paralelos, um ao outro. E aí você tem acesso a mais portos. Além de Barcarena, você tem acesso a Itaqui, a Pecém e a Suape. Ou a carga também pode descer”, afirmou Santoro.

Conexão com Transnordestina pode ampliar acesso a quatro portos
O projeto de corredor ferroviário entre Açailândia e Barcarena corta uma região estratégica para o escoamento de cargas do Matopiba, fronteira agrícola formada por áreas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Durante a apresentação, Santoro afirmou que a ligação com a Transnordestina pode dar mais alternativas logísticas para cargas que hoje percorrem longas distâncias até os portos. Segundo ele, a diversificação de rotas será essencial diante do crescimento previsto da produção no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso.
“Quando a gente faz a métrica a partir do Mato Grosso, que é o estado que vai apresentar o maior crescimento de carga nos próximos 20 anos, a carga anda mais de 2 mil quilômetros. E essa carga precisa ter opções para ela não ter que parar em algum porto”, disse o ministro.
A conexão também pode reforçar a complementaridade entre portos do Arco Norte e do Nordeste, criando alternativas para escoamento por Barcarena, no Pará; Itaqui, no Maranhão; Pecém, no Ceará; e Suape, em Pernambuco. A lógica defendida pelo governo é ampliar a competição entre rotas e terminais, reduzindo gargalos e custos logísticos.

Carteira ferroviária mira reduzir gargalos logísticos
Durante o roadshow, Santoro afirmou que o Brasil enfrenta um desafio logístico crescente diante da expansão prevista no volume de cargas. Segundo ele, o país já é o quinto maior do mundo em volume de toneladas transportadas e pode avançar para a segunda ou terceira posição, o que exigirá investimentos em ferrovias, rodovias, hidrovias e portos.
A carteira ferroviária apresentada pelo Ministério dos Transportes prevê cerca de R$ 160 bilhões em CAPEX e oito leilões ferroviários, além de projetos de trem de passageiros, terminais logísticos e chamamentos públicos para trechos ociosos. Considerando investimentos e operação, a estimativa é que os projetos possam movimentar cerca de R$ 600 bilhões entre CAPEX e OPEX.
Entre os projetos citados estão a Ferrogrão, a Malha Oeste, a Malha Sul, o Anel Ferroviário do Sudeste, o corredor Minas-Rio, a extensão da Norte-Sul até Barcarena, além de projetos de VLTs, trens turísticos e terminais logísticos da Infra S.A.
“O desafio logístico é muito grande, mas os dados mostram que os corredores logísticos tenham problemas futuros se a gente não investir em ferrovias”, disse.
O ministro defendeu que os projetos sejam planejados como corredores logísticos integrados, e não como obras isoladas. A carteira ferroviária apresentada pelo governo foi estruturada para dialogar com concessões rodoviárias, hidrovias e terminais portuários, com foco em redução de custo logístico e aumento da competitividade das exportações.
“A ideia aqui é olhar o corredor logístico como um todo. E é por isso que a carteira de ferrovias está totalmente interligada com a carteira de rodovias, a atual e, principalmente, a futura, e com a carteira de hidrovias”, afirmou Santoro.
Segundo ele, a estratégia foi construída a partir de uma governança entre ministérios ligados à infraestrutura, Casa Civil e Planejamento, com foco em interoperabilidade entre os modais e redução do frete interno. O ministro destacou que o custo logístico é decisivo para a competitividade brasileira, especialmente porque grande parte das exportações nacionais é formada por commodities.
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