
A inteligência artificial deixou de ser tendência, como ocorreu em 2024 e 2025, para se consolidar como prioridade estratégica das empresas em 2026. No entanto, o avanço dessa tecnologia parece não acompanhar a mesma velocidade de sua aplicação com resultados concretos nas empresas.
É nessa direção que aponta a pesquisa Panorama Liderança 2026, realizada pela Amcham Brasil em parceria com a Humanizadas, junto a 629 executivos de diferentes setores. O estudo foi apresentado no CEO Fórum da Amcham, nesta quarta-feira, no Recife, por seu líder, Abrão Neto.
O levantamento mostra que a barreira inicial de adoção da tecnologia foi superada, mas a maturidade no uso corporativo ainda é limitada, com aplicações concentradas em iniciativas isoladas e pouco integradas aos negócios.
Sem receita, IA não faz milagre
Segundo a pesquisa, a maioria das corporações ainda está no primeiro estágio da IA, com 84% dos entrevistados utilizando inteligência artificial apenas de forma pontual. Além disso, 77% das organizações não possuem orçamento específico para IA ou investem menos de 2% nessa frente.
Pelo que parece, a IA vem avançando mais rapidamente do que a capacidade das empresas de integrá-la estrategicamente às operações. Abrão Neto avalia que a falta de recursos consistentes compromete o desenvolvimento de projetos robustos, desde a definição de objetivos até a mensuração de valor.
A escassez de mão de obra qualificada também é um entrave para ampliar o uso da inteligência artificial nas empresas brasileiras. O problema é apontado por 43% dos executivos entrevistados.
As dificuldades são estruturais e estão ligadas à execução, à liderança e à integração tecnológica. Resultados concretos ainda são restritos a poucos casos. Apenas 3% afirmaram que a IA gerou novas receitas e vantagem competitiva, enquanto, para 61% dos respondentes, a tecnologia entregou pouco ou nenhum resultado relevante aos negócios até o momento.
A IA é apenas um dos capítulos da pesquisa, mas reflete um desafio mais amplo: transformar estratégia em lucro. Esse desafio de executar estratégias é a principal conclusão do Panorama Liderança 2026. Quatro em cada dez executivos afirmam que as empresas enfrentam dificuldades na tradução da estratégia em execução. Para os mais jovens, entre 25 e 34 anos, a execução trava por falta de clareza (63,6%). Já para os mais experientes, entre 55 e 65 anos ou mais, o problema está na falta de recursos (82,5%).
Em resumo, o desafio das lideranças em 2026 não é trabalhar mais, mas escolher e comunicar o que realmente importa. As três maiores lacunas da liderança brasileira não estão relacionadas às hard skills, e sim às soft skills. “Não falta técnica, mas capacidade de se relacionar, desenvolver pessoas e comunicar”, aponta a pesquisa. Em relação ao uso da IA, o estudo conclui: “A IA só entrega seu valor quando a liderança evolui junto”.

Tarifas
Sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras, Abrão Neto, CEO da Amcham Brasil, afirmou que a entidade tem direcionado esforços para evitar a aplicação de sobretaxas que podem alcançar 37,5% em dois processos distintos. Além da recomendação de tarifa de 25% sobre práticas consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas americanas, outra possível cobrança de 12,5% pode ser acrescentada em uma segunda apuração relacionada a trabalho forçado. Caso confirmadas, as medidas podem afetar uma parcela relevante das exportações brasileiras, especialmente do setor industrial, atualmente o mais exposto ao mercado americano.
Move Brasil
O programa Move Brasil, do Governo Federal, deve beneficiar cerca de 1,4 milhão de taxistas e motoristas por aplicativo com crédito para a compra de veículos 0 km de até R$ 150 mil. Para atender esse público, o Grupo Parvi lançou o Move+, iniciativa que reúne atendimento especializado e condições diferenciadas de financiamento em concessionárias de marcas como Toyota, BYD, Hyundai, Fiat, Volkswagen e Jeep.
Nova gestão
A nova diretoria do Sescap-PE toma posse nesta quinta-feira (11), em evento marcado para as 19h30, no auditório do JCPM, no Recife. O contador Érico Morais comandará a entidade no período de 2026 a 2030, ao lado do vice-presidente Cleto Leite de Siqueira.
São João
A Luck Receptivo projeta crescimento de 10% na operação junina e reforça sua estrutura para atender à alta demanda de turistas rumo à maior festa de São João do Brasil.
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