
Por Portal Folha de Pernambuco
A Polícia Federal (PF) realizou nesta quarta-feira (10) uma operação para apurar suspeitas de irregularidades na gestão de recursos do PreviPaulista, fundo previdenciário dos servidores públicos municipais de Paulista, na Região Metropolitana do Recife (RMR).
A apuração mira em investimentos com grau de risco de mais de R$ 3 milhões no Banco Master, que está no centro de uma investigação envolvendo fraudes no sistema financeiro.
Intitulada de Operação Take Over, a apuração da PF aponta que os investimentos foram feitos “por meio de decisões em desacordo com as normas legais e com os procedimentos de governança exigidos para a administração de recursos previdenciários”. A investigação busca verificar se houve pagamento de propina para gestores do fundo.
A PF disse que as buscas foram feitas em residências e empresas. Ao todo, foram expedidos dez mandados de busca e apreensão, cumpridos em Paulista, no Recife e no Rio de Janeiro.
“Há indícios de que decisões estratégicas teriam sido tomadas de forma isolada, sem a devida observância dos critérios de segurança, liquidez e transparência. A investigação busca esclarecer se a conduta caracteriza gestão temerária ou fraudulenta e apurar eventual prática de crimes contra a administração pública e o sistema financeiro”, informou a polícia em nota.
A operação ocorre em meio aos desdobramentos do caso Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 após a identificação de problemas de liquidez e suspeitas de irregularidades em operações financeiras. O dono da instituição, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso no âmbito das investigações e está negociando um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O que diz a prefeitura
A Prefeitura de Paulista enviou uma nota sobre o caso, ressaltando que os fatos objeto da investigação referem-se a atos praticados na administração anterior e reafirmando seu compromisso com a transparência, a legalidade e a correta aplicação dos recursos públicos. Leia a resposta na íntegra:
A prefeitura do Paulista informa que, nesta quarta-feira (10), agentes da Polícia Federal estiveram na Secretaria de Administração (SECAD) e no Instituto de Previdência Social do Município do Paulista (PREVIPAULISTA) para a realização de diligências relacionadas à apuração de aportes financeiros efetuados, no ano de 2024, junto ao Banco Master.
A atual gestão esclarece que os fatos objeto da investigação referem-se a atos praticados na administração anterior e reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a correta aplicação dos recursos públicos.
Desde o início da diligência, todas as informações e documentos solicitados estão sendo disponibilizados aos órgãos competentes, em total colaboração com o trabalho investigativo.
A Prefeitura do Paulista e o PREVIPAULISTA permanecem à disposição das autoridades para contribuir com os esclarecimentos necessários e acompanharão o andamento das apurações pelos canais institucionais competentes.
O que diz o PreviPaulista
Em nota assinada pela atual presidente do instituto, Giovanna Maria Oliveira da Conceição Cordeiro, o PreviPaulista destacou que, desde o início das diligências da PF, disponibilizou integralmente todos os documentos e informações solicitados e que os fatos investigados referem-se à gestão anterior. Leia a resposta na íntegra:
O Instituto de Previdência Social do Município do Paulista – PREVIPAULISTA, autarquia responsável pela gestão previdenciária dos servidores públicos municipais, vem a público prestar informações sobre a operação da Polícia Federal deflagrada na data de hoje, que tem por objeto a aplicação realizada em Letras Financeiras do Banco Master S.A. no ano de 2024.
Desde o início da diligência, o PREVIPAULISTA disponibilizou integralmente todos os documentos e informações solicitados pelos agentes federais, em total colaboração com o trabalho investigativo. O Instituto registra que os fatos objeto da apuração referem-se a ato praticado em fevereiro de 2024, no curso da gestão anterior do Instituto, e reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a correta aplicação dos recursos públicos.
É fundamental esclarecer que, muito antes da deflagração da operação policial, o próprio PREVIPAULISTA já havia identificado, apurado e encaminhado aos órgãos de controle as irregularidades relacionadas ao investimento.
a) Em julho de 2025, foi realizado um diagnóstico imediato da carteira de investimentos e atenção específica às Letras Financeiras do Banco Master;
b) Ainda em 2025, o Instituto passou a monitorar os sucessivos rebaixamentos da classificação de risco do Banco Master pela agência Fitch Ratings;
c) Em 21 de novembro de 2025, apenas três dias após a decretação da liquidação extrajudicial pelo Banco Central do Brasil, foi iniciado o processo de contingenciamento debatido pelo atual Comitê de Investimentos;
d) Em 08 de janeiro de 2026, foi instaurada, por meio da Portaria nº 02/2026, uma Sindicância Administrativa Investigativa;
e) Em março de 2026, foi concluído o Relatório Final da Sindicância, que apontou que a decisão de aplicar nas Letras Financeiras do Banco Master partiu de iniciativa unilateral do então diretor-presidente do Instituto, sem deliberação colegiada prévia do Comitê de Investimentos;
f) Em 06 de maio de 2026, os Conselhos Deliberativo e Fiscal do PREVIPAULISTA aprovaram por unanimidade o envio das conclusões da sindicância ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE).
Além disso, conforme dados oficiais do Ministério da Previdência Social, dezenas de entes públicos de todo o país aplicaram, entre 2023 e 2024, aproximadamente R$ 1,86 bilhão em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.
Sendo assim, o aporte realizado pelo PREVIPAULISTA, no valor de R$ 3 milhões, figura entre os menores valores de toda a relação nacional.
O PREVIPAULISTA destaca ainda que a exposição ao Banco Master representa parcela ínfima da carteira total de investimentos do Instituto, que administra patrimônio superior a R$ 140 milhões.
A solvência do PREVIPAULISTA permanece plenamente assegurada, e o pagamento dos benefícios previdenciários aos servidores não foi e não será afetado por este evento.
O Instituto segue cumprindo e superando sua Meta Atuarial, mantendo-se entre os melhores Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) do Estado de Pernambuco em termos de rentabilidade e governança.
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