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Lei torna voluntária certificação de armazéns para ampliar estocagem de grãos

Brasil tem déficit de 130 milhões de toneladas em armazenagem. Lei sancionada em 5 de junho torna voluntária a certificação de armazéns pelo Inmetro e mira expansão no Nordeste e Matopiba
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  1. Nova lei torna certificação de armazéns voluntária.
  2. Lei visa reduzir déficit de estocagem de grãos.
  3. Nordeste tem déficit de 15,4 milhões de toneladas.
  4. Produção de grãos cresceu 6,72% ao ano.
  5. Capacidade de armazenamento aumentou 2,38% ao ano
armazenagem de grãos armazéns Conab
Nova lei torna voluntária a certificação de armazéns e impulsiona expansão da infraestrutura de armazenagem no país. Foto: Fernando Dias/Agricultura RS

Para reduzir um déficit de estocagem superior a 130 milhões de toneladas, uma nova lei, a 15.429/2026, torna voluntária a certificação de armazéns agropecuários pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). A medida foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 5 de junho. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) afirma que a desburocratização tornará mais ágil a implantação de novas unidades armazenadoras, ampliando a oferta de infraestrutura, reduzindo perdas pós-colheita e fortalecendo a logística do agronegócio.

O Nordeste acumula 15,4 milhões de toneladas abaixo da demanda em capacidade estática de armazenagem, terceiro maior déficit regional do país, segundo o relatório “Retrato da Logística de Grãos do Brasil — Safra 2025/26”, da nstech agro, com base em análise do BTG Pactual. No Matopiba, fronteira agrícola que abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, até 60% da produção precisa ser transportada imediatamente após a colheita por ausência de estruturas locais de estocagem, segundo o mesmo levantamento. A simplificação regulatória trazida pela Lei nº 15.429/2026 é apontada pelo Mapa como o principal instrumento para tornar mais ágil a implantação de unidades armazenadoras nessas regiões.

Nos últimos dez anos, a produção de grãos cresceu em média 6,72% ao ano, enquanto a capacidade de armazenamento avançou apenas 2,38% no mesmo período, segundo dados da Conab. Atualmente, o país tem capacidade para armazenar entre 60% e 63% da produção anual de grãos. A certificação era realizada por organismos privados acreditados pelo Inmetro, o que, segundo o Mapa, gerava despesas adicionais para parte dos empreendimentos e da cadeia produtiva. Apenas 17,6% dos armazéns brasileiros possuíam certificação até a sanção da norma.

O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que a medida “retira um gargalo burocrático para acelerar investimentos em armazenagem, fortalecer a logística do agro e dar mais competitividade ao Brasil, sem abrir mão da qualidade e da segurança sanitária”.

Déficit estrutural de armazéns e Matopiba

O Anuário Agrologístico 2026 da Conab aponta déficit nominal de 15,9 milhões de toneladas apenas para absorver a primeira safra de 2026, com produção projetada em 218,2 milhões de toneladas contra capacidade disponível de 202,3 milhões. A capacidade estática permanece concentrada nas regiões Centro-Oeste e Sul, responsáveis por cerca de 78% da estrutura armazenadora nacional, enquanto o Mato Grosso detém a maior capacidade estadual, com 56,1 milhões de toneladas.

O documento identifica o Matopiba como área prioritária para crédito de construção de armazéns e cita a Ferrovia Transnordestina entre os projetos ferroviários indicados para receber fomento de investimento privado para melhorar o escoamento regional.

Controle sanitário e acesso a mercados

A nova legislação não altera os mecanismos de controle sanitário nem os procedimentos de fiscalização dos produtos armazenados. A qualidade e a sanidade dos grãos continuam asseguradas pelos padrões oficiais de Classificação Vegetal do Mapa, auditorias realizadas por tradings, cooperativas e indústrias, além das exigências contratuais de rastreabilidade e Boas Práticas de Armazenagem.

O acesso dos produtos brasileiros aos mercados internacionais também não é afetado. As condições sanitárias e fitossanitárias exigidas por parceiros como União Europeia e China são atendidas por instrumentos independentes da certificação de armazéns, incluindo o Certificado Fitossanitário emitido pelo Mapa, laudos de conformidade para organismos geneticamente modificados (OGM) e análises de Limites Máximos de Resíduos (LMR). Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro superaram US$ 169 bilhões, com superávit comercial de aproximadamente US$ 149 bilhões.

Leia mais: União Europeia confirma embargo à carne brasileira a partir de setembro

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