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BrasBio inicia no 2º semestre produção da 1ª usina de etanol de milho no Piauí

Instalada em Uruçuí, usina de R$ 1,18 bilhão impulsionará nova fase da agroindustrialização no cerrado piauiense com produção de etanol de milho
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  1. BrasBio inicia operações no segundo semestre de 2024 em Uruçuí, Piauí, com investimento de R$ 1,18 bilhão.
  2. Usina processará 1,5 mil toneladas de milho diariamente, produzindo 637 mil litros de etanol hidratado e anidro.
  3. Capacidade de armazenagem atinge 400 mil toneladas de milho em dois silos com sistemas de ventilação e controle de temperatura.
  4. Planta gerará subprodutos pecuários como DDGS, WDG e óleo de milho, fortalecendo cadeia de proteína animal piauiense.
  5. Expansões futuras preveem ampliar moagem para 5 mil toneladas diárias, equiparando-se às maiores usinas do Centro-Oeste brasileiro.
BrasBio inicia no 2º semestre produção da 1ª usina de etanol de milho no Piauí
Planta da BrasBio em construção em Uruçuí, no sudoeste piauiano, será capaz de abastecer todo o estado com etanol de milho. Sorgo também será utilizado para fabricação do combustível. Foto: BrasBio/Divulgação

Por Robert Pedrosa e Dulce Luz, do site Piauí Negócios

Com investimento de R$ 1,18 bilhão, a usina da Brasil Bioenergia (BrasBio), em Uruçuí, no sudoeste do Piauí, deve iniciar operações no segundo semestre deste ano e se tornará a primeira indústria de etanol de milho e sorgo do estado. O empreendimento consolida uma nova etapa de industrialização da produção agrícola piauiense e demonstra o avanço do estado na cadeia de energia renovável.

Na primeira fase de operação, a unidade terá capacidade para processar 1,5 mil toneladas de milho por dia, produzindo aproximadamente 637 mil litros diários de etanol hidratado e anidro. “Esta única planta da BrasBio aqui no Piauí é capaz de abastecer todo o estado com etanol de milho”, afirmou o diretor industrial da BrasBio, Neilton Barbosa, durante visita às obras da unidade.

Além do combustível, a usina também produzirá subprodutos estratégicos para o setor pecuário, como DDGS e WDG, ingredientes amplamente utilizados na nutrição animal, além de óleo de milho. A expectativa é que a operação fortaleça cadeias ligadas à proteína animal e estimule novos investimentos agroindustriais no estado.

Armazéns com capacidade para 400 mil toneladas de milho

A estrutura em implantação impressiona pelos números. Os dois primeiros armazéns graneleiros possuem capacidade individual para 200 mil toneladas de grãos. Segundo Neilton, o planejamento foi feito para garantir armazenamento de até nove meses de operação na primeira fase. “Nós estamos falando de armazéns com cerca de 200 metros de comprimento por 70 metros de largura, com um sistema completo de ventilação e controle de temperatura para preservar a qualidade dos grãos”, explicou o executivo.

A empresa já projeta expansão. A segunda fase prevê mais 1,5 mil toneladas de moagem diária e a terceira fase, outras 1,5 mil toneladas, podendo levar a capacidade total para até 5 mil toneladas de milho processadas por dia. Com isso, o complexo poderá atingir uma escala comparável às grandes usinas de etanol de milho do Centro-Oeste brasileiro, região que lidera o crescimento desse mercado no país.

Segundo dados da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), o Brasil vive uma forte expansão desse segmento impulsionada principalmente pelo aumento da produção de milho e pela busca por combustíveis renováveis. Mato Grosso lidera atualmente o setor, mas novos polos começam a surgir no Matopiba, fronteira agrícola que reúne áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

BrasBio inicia no 2º semestre produção da 1ª usina de etanol de milho no Piauí
Usina também produzirá subprodutos estratégicos para o setor pecuário, como DDGS e WDG, ingredientes amplamente utilizados na nutrição animal. Foto: BrasBio/Divulgação

Interiorização da agroindústria no Piauí

A instalação da BrasBio em Uruçuí acompanha exatamente esse movimento de interiorização da agroindústria. O projeto também é resultado de uma articulação conduzida pelo Governo do Estado, por meio da Investe Piauí, que atuou na atração dos investidores e na conexão da empresa ao potencial produtivo do sul do estado. “O mesmo combustível que abastece o carro dos piauienses vai sair também da planta da BrasBio em Uruçuí”, destacou o presidente da Investe Piauí, Victor Hugo Almeida.

Além da Investe Piauí, diferentes órgãos estaduais participaram da viabilização do empreendimento. A Secretaria de Fazenda concedeu incentivos fiscais de ICMS, o Banco do Nordeste financiou R$ 531 milhões do projeto, enquanto outros órgãos e instituições do Governo do Estado e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) atuaram em processos de licenciamento, aprovação técnica e qualificação de mão de obra.

Geração de empregos com etanol de milho

Segundo Julia Faccin Rubin, técnica em produção e processos industriais da BrasBio, a empresa já começa a ampliar a contratação de profissionais para diferentes áreas da operação. “Estamos prestes a entrar em operação e existe uma demanda muito grande por profissionais das áreas de engenharia, logística, tratamento de água, técnicos industriais, além de vagas administrativas e operacionais”, afirmou. Na fase de construção, foram gerados cerca de 2 mil empregos e, para a operação, a expectativa é de 180 vagas.

Ela avalia que o avanço da agroindústria deve acelerar o desenvolvimento econômico regional. “O Piauí é um estado que está em transformação. A gente enxerga muitas oportunidades surgindo e um crescimento muito forte nos próximos anos”, disse.

A chegada da BrasBio ocorre em um momento de expansão do agronegócio piauiense, especialmente na região do Matopiba, considerada uma das últimas grandes fronteiras agrícolas do mundo. O avanço da industrialização da produção de milho no estado também reduz a dependência do envio da commodity in natura para outros estados e amplia a geração de valor dentro do próprio Piauí.

A BrasBio tem a participação do Grupo Progresso, que atua desde 2021 na produção de grãos e possui 95 mil hectares cultivados no sul do Piauí e em Minas Gerais. O grupo detém 25% da usina. Os demais sócios são o fundo Green Lake Fi Participações, a H4 Holding e a Ideal Agro.

Leia mais: Déficit de armazenagem e frete travam competitividade do agro nordestino

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