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Irã condiciona abertura do Estreito de Ormuz ao fim de ataques no Líbano

​Teerã exige que EUA e Israel interrompam bombardeios para liberar fluxo de petróleo; governo iraniano afirma que "não se pode ter tudo ao mesmo tempo"
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presidente dos Estados Unidos Donald Trump tarifas Brasil
​A exigência de Teerã coloca em xeque o cessar-fogo de duas semanas negociado recentemente entre o governo de Donald Trump e as autoridades iranianas. Foto: RS/Fotos Públicas

O governo do Irã formalizou uma série de exigências para retomar a normalidade no Estreito de Ormuz, a via marítima mais estratégica do mundo para o setor de energia. O vice-ministro das Relações Exteriores, Saeed Khatibzadeh, afirmou que a livre passagem de navios só será garantida após o fim dos ataques dos Estados Unidos no Oriente Médio e a interrupção imediata dos bombardeios de Israel no Líbano.

Segundo o diplomata, o estreito foi fechado como resposta ao que classificou de violação grave e intencional da trégua por parte das forças israelenses. ​Khatibzadeh foi enfático ao declarar que a mensagem foi transmitida de forma clara a Washington e que os países ocidentais não podem exigir a estabilidade do fluxo de petróleo enquanto mantêm ações militares na região.

O vice-chanceler destacou que, embora o país se comprometa com a segurança da navegação e o direito internacional, o cumprimento dessas normas depende da retirada das ações militares americanas.

De acordo com o representante iraniano, a segurança energética é fundamental para o país, mas sua manutenção está atrelada ao comportamento das potências estrangeiras no Golfo Pérsico.

Impasse sobre o cessar-fogo e controle de Ormuz

A exigência de Teerã coloca em xeque o cessar-fogo de duas semanas negociado recentemente entre o governo de Donald Trump e as autoridades iranianas. Existe uma divergência central sobre o alcance do acordo: enquanto Washington foca na reabertura do canal, o Irã insiste que a trégua deve abranger também o conflito no Líbano, onde Israel tem intensificado bombardeios em Beirute.

Atualmente, o Irã mantém o controle de fato sobre o estreito, por onde circula cerca de 20% do petróleo global, o que confere ao país um enorme poder de barganha geopolítica.

​A tensão aumentou após os bombardeios de 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram alvos em território iraniano, desencadeando a crise atual que fez os preços do combustível dispararem.

Khatibzadeh reiterou que Teerã provou ao mundo que a segurança energética é uma prioridade, mas que o país não aceitará ser alvo de agressões enquanto garante o abastecimento global.

União Europeia e EUA rejeitam pagamento de pedágio

Além das condições militares, o cenário diplomático enfrenta outro obstáculo: a sugestão de cobrança financeira para o uso do canal. A União Europeia (UE) manifestou rejeição total à ideia de qualquer “pagamento ou pedágio” em Ormuz.

O porta-voz da Comissão Europeia, Anouar El Anouni, declarou que o direito internacional consagra a liberdade de navegação como um bem público irrestrito. A França também se posicionou, classificando qualquer mecanismo de cobrança como inaceitável.

​A proposta de tarifação ganhou força após o presidente Donald Trump solicitar a criação de uma empresa conjunta para gerenciar a navegação no estreito em troca de pagamentos. No entanto, para os países europeus e para a liberdade de comércio de hidrocarbonetos, a navegação não deve ser condicionada a taxas.

O impasse agora depende das negociações agendadas para a próxima sexta-feira (10), onde se buscará um equilíbrio entre as exigências de segurança do Irã e as demandas econômicas do Ocidente.

Leia também: Reequilíbrio no mercado de petróleo deve levar mais de um ano

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