
O cenário da construção civil em março traz notícias positivas para o Nordeste. Enquanto o Índice de Confiança da Construção (ICST) nacional subiu 2,1 pontos, atingindo 93,6 pontos, o comportamento dos custos revelou disparidades regionais importantes. O Recife se destacou ao registrar uma desaceleração em sua taxa de variação no Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M), sinalizando um ambiente de custos mais controlados para as construtoras e investidores locais.
Segundo Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE), o momento é de retomada. “As empresas recuperam a confiança e o primeiro trimestre registra resultados mais favoráveis que os do último trimestre de 2025, confirmando projeções de retomada do crescimento”, destacou a especialista.
No Nordeste, além do Recife, Salvador também compõe o índice, mas apresentou trajetória inversa, com aceleração nos custos no período.
Alívio nos custos no Recife e cenário regional
A desaceleração registrada no Recife é um indicador estratégico para o mercado imobiliário pernambucano. Diferentemente de capitais como São Paulo, Brasília e Porto Alegre, onde os custos de construção subiram de forma mais agressiva, a capital pernambucana conseguiu arrefecer a pressão inflacionária nos canteiros de obra.
Esse movimento é fundamental para garantir a viabilidade de novos empreendimentos e evitar repasses excessivos ao consumidor final. Nacionalmente, aponta a FGV, o custo da construção acumula alta de 5,81% em 12 meses, uma desaceleração real frente aos 7,32% registrados em março de 2025.
O grupo de Materiais, Equipamentos e Serviços teve alta contida de 0,27%, com destaque para a queda nos preços de materiais de instalação (de 0,87% para 0,66%) e serviços de infraestrutura básica, como água e esgoto.
Infraestrutura e o otimismo com o ciclo eleitoral
O segmento de infraestrutura lidera o otimismo no setor, impulsionado por investimentos privados já contratados e pelas expectativas em torno do ciclo eleitoral de 2026. A confiança do empresário é alimentada pela projeção de demanda para os próximos meses.
“Houve avanço dos indicadores de forma disseminada entre os segmentos setoriais, alavancada, especialmente por um maior otimismo em relação à demanda esperada para os próximos meses”, afirmou Ana Maria Castelo.
Apesar dos bons ventos na confiança e no controle de custos de materiais no Recife, o setor ainda aponta um gargalo crítico: a mão de obra. O índice nacional de custos com pessoal acelerou para 0,47% em março.
Segundo a coordenadora do FGV IBRE, a escassez de profissionais qualificados permanece como um dos principais entraves aos negócios, mesmo em um cenário de “pessimismo moderado” que começa a ser superado.
Variações nas capitais: Nordeste em foco
O monitoramento da FGV mostra que o custo da construção não é uniforme no país. Além do Recife, o Rio de Janeiro e Belo Horizonte também apresentaram desaceleração em março. No sentido oposto, Salvador acompanhou as capitais do Sudeste e Sul (São Paulo e Porto Alegre) e Brasília no movimento de aceleração dos preços.
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