
O acesso à água deixou de ser um entrave histórico para se tornar o motor de investimento da agricultura familiar em Pernambuco. Em 2025, o Banco do Nordeste (BNB) injetou R$ 100 milhões no estado por meio da linha Agroamigo Água, valor que representa um salto de 52,5% em comparação ao ano anterior. O aporte alcançou 26,5 mil famílias pernambucanas, financiando desde poços profundos até sistemas de irrigação e reuso.
O aporte garante que a produção de hortaliças e a pequena pecuária sobrevivam ao rigor do semiárido com previsibilidade. O avanço no campo pernambucano reflete uma estratégia de busca por resiliência hídrica dentro da própria porteira.
O movimento sinaliza que o produtor local está priorizando ativos estruturantes para reduzir a dependência de fontes externas, transformando o crédito em uma ferramenta de sobrevivência e expansão de mercado. Em toda a área de atuação da instituição, os desembolsos para infraestrutura no campo já romperam a barreira de R$ 1 bilhão.
Autonomia hídrica e salto na produção local
A estratégia do banco foca na autonomia hídrica dos imóveis rurais. Com o financiamento, agricultores investem em captação, armazenamento e distribuição, eliminando a instabilidade de abastecimentos públicos.
“A água é um insumo vital para quem vive e produz no campo. Ela traz mais segurança, mais autonomia e mais capacidade produtiva para as famílias agricultoras”, afirma Vandir Farias, diretor de Negócios do Banco do Nordeste.
Segundo o executivo, o número de famílias atendidas em Pernambuco cresceu quase 67% entre 2024 e 2025. De acordo com ele, esse aumento na demanda reafirma a necessidade de investimentos que permitam a convivência com a seca de forma produtiva.
O foco do programa está alinhado ao Plano Safra, priorizando tecnologias que aumentem a produtividade de setores como a horticultura, que exige abastecimento regular para manter a qualidade dos alimentos.
Transformação na rotina e sucessão rural
Para além dos indicadores financeiros, o crédito hídrico tem atuado como catalisador de mudanças sociais e produtivas. Casos de sucesso no Nordeste ilustram essa guinada: produtores que antes dependiam de chafarizes distantes ou poços comunitários agora gerenciam o próprio recurso.
Essa estabilidade, aponta o BNB, permitiu que muitos agricultores integrassem a nova geração da família ao negócio, enxergando a propriedade não apenas como subsistência, mas como um empreendimento viável.
Em comunidades rurais, a instalação de poços profundos e cacimbões financiados pelo programa tem transformado a rotina do manejo de gado, ovelhas e galinhas. Com água limpa disponível na frente de casa, a capacidade produtiva das famílias aumenta, permitindo inclusive o compartilhamento do recurso com vizinhos, o que fortalece os vínculos comunitários e a segurança hídrica da região.
BNB fomenta a economia do Semiárido
O crescimento da linha Agroamigo Água deve seguir em ritmo acelerado em 2026, com foco em soluções que ampliem a resiliência no campo. O BNB avalia que, em áreas onde a disponibilidade de água é um fator crítico, o investimento estruturante é o que garante a permanência das famílias no meio rural.
”Os resultados mostram que estamos avançando na direção certa, ampliando a infraestrutura hídrica e fortalecendo a convivência com a seca. Seguiremos intensificando esse trabalho, porque garantir água é garantir dignidade e desenvolvimento”, conclui Vandir Farias.
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