
Reunidos em Maceió na quinta-feira (5), na primeira Assembleia Geral dos Governadores e Governadoras do Consórcio Nordeste de 2026, os chefes dos Executivos estaduais do Nordeste aprovaram a Carta de Maceió, documento que consolida infraestrutura, desenvolvimento sustentável e cooperação federativa como pilares de um projeto regional compartilhado. A implantação de um trem de cargas e passageiros como eixo de integração produtiva e social do Nordeste entrou oficialmente no centro da agenda dos governadores da região.
O documento foi aprovado após a posse do governador de Alagoas, Paulo Dantas, como novo presidente do Consórcio, e consolida uma agenda comum para a região baseada em infraestrutura, desenvolvimento produtivo, sustentabilidade ambiental e cooperação federativa.
A Carta define a infraestrutura como um dos principais gargalos estruturais do Nordeste e aponta como prioridade estratégica a implantação de um trem de cargas e passageiros, além da modernização das malhas rodoviária e aérea e da ampliação da conectividade digital. Para os governadores, a integração logística é condição indispensável para reduzir desigualdades históricas e ampliar a competitividade regional.
“Estradas melhores, portos ampliados, energia e conectividade formam a base material desse desenvolvimento”, declarou o presidente do Consórcio Nordeste, Paulo Dantas, citando a Ferrovia Transnordestina e a Ferrovia de Integração Oeste–Leste como projetos estruturantes.
O documento reconhece os investimentos recentes do Governo Federal em rodovias, mas ressalta que o enfrentamento das assimetrias exige continuidade, escala e coordenação entre União, estados e municípios.
Carta destaca cultura e protagonismo climático do Nordeste
Outro eixo central da Carta é o lançamento do Programa Nordeste Criativo, iniciativa construída no âmbito da Câmara Temática de Cultura do Consórcio, em parceria com o Ministério da Cultura. A proposta posiciona a cultura, a criatividade e a diversidade simbólica como vetores do desenvolvimento econômico, integrando turismo, inovação, educação e inclusão social.
A estratégia prevê articulação federativa e territorial, além da produção de dados inéditos sobre o peso econômico da cultura, por meio de parceria com a Fundação Itaú para mapear o PIB da Economia da Cultura e das Indústrias Criativas no Nordeste.
A proteção da Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, foi colocada como agenda ambiental prioritária. A Carta também manifesta apoio à candidatura do Brasil para sediar a COP 18 da Convenção da ONU de Combate à Desertificação, em 2028, com realização no Nordeste.
Os governadores alertaram para o agravamento da estiagem em curso, com impactos diretos sobre abastecimento de água, produção agrícola e segurança alimentar, e defenderam uma gestão de crise coordenada com o Governo Federal, baseada em evidências científicas e resposta rápida.

Crédito, energia e redução de desigualdades
No campo econômico, a Carta destaca a Chamada Nordeste, que já soma R$ 113 bilhões em propostas aprovadas, como instrumento estratégico para indução ao desenvolvimento produtivo. Os governadores defendem a correção das distorções históricas do sistema de crédito, que concentram recursos e limitam o investimento em regiões como o Nordeste.
O Consórcio também manifestou apoio à metodologia da ANEEL para o rateio de R$ 8,8 bilhões destinados à modicidade tarifária, priorizando consumidores residenciais de baixa renda, majoritários na região.
“O Consórcio Nordeste é o Brasil que cresce unido. Esse Nordeste potente tem um grande aliado: o presidente Lula, que sempre acreditou na região. Acreditou, investiu e transformou potencial em resultado. O Brasil do futuro fala com sotaque nordestino. E o futuro do Brasil passa por essa grande potência chamada Nordeste”, afirmou durante seu discurso de posse Paulo Dantas.
Cooperação e financiamento internacional
A Assembleia também foi marcada pela assinatura de acordos de cooperação com o Sebrae, a ENAP e a Fundação Itaú, voltados à capacitação de gestores públicos, fortalecimento de cadeias produtivas e qualificação das políticas regionais.
Outro destaque foi o anúncio de uma parceria com o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB), que, em conjunto com o BNDES, disponibilizou US$ 1,5 bilhão para financiar projetos de infraestrutura no Nordeste. O interesse do banco foi despertado após a apresentação do Plano Brasil Nordeste de Transição Energética durante a COP.
Leia mais: Dantas defende menos dependência dos EUA e união de estados no Consórcio NE
Azevêdo defende união para Nordeste avançar em energia e justiça fiscal
Sergipe quer apoio do Consórcio para ampliar exploração de gás e petróleo









