
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o recuo na imposição de tarifas a países europeus após definir uma “estrutura de acordo” sobre a Groenlândia com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. A declaração foi feita em post na Truth Social nesta quarta-feira (21), suspendendo tarifas de 10% (previstas para 1º de fevereiro) a nações como Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos, Finlândia e Noruega.
No texto, Trump destacou: “Após uma reunião muito produtiva com o Secretário-Geral da Otan, Mark Rutte, definimos a estrutura de um futuro acordo referente à Groenlândia e toda a região do Ártico. […] Com base nesse entendimento, não imporei as tarifas que entrariam em vigor em 1º de fevereiro.” Negociações adicionais envolvem o vice-presidente JD Vance, o secretário Marco Rubio e o enviado Steve Witkoff.
Contexto das Tarifas
Em 17 de janeiro, Trump ameaçou tarifas escalonadas (10% em fevereiro, 25% em junho) contra esses países até um acordo para compra total da Groenlândia, alegando subsídios prévios à Dinamarca e à União Europeia. A medida visava pressionar aliados europeus opositores à aquisição do território ártico dinamarquês.
As ameaças geraram reuniões de emergência na UE, com a França propondo instrumento anti-coerção e Ursula von der Leyen prometendo resposta “inabalável e unida”.
Trump disse que quer o “pedação de gelo”
Mais cedo, Donald Trump havia dito, durante seu discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, que os EUA desejavam comprar a Groenlândia, a exemplo do que outros países europeus já fizeram para ampliar seus territórios.
“Estou buscando negociações para discutir a aquisição da Groenlândia pelos EUA, como fizemos em outros momentos da História. E como outras nações europeias já fizeram, ao comprar territórios. Não tem nada errado com isso”, acrescentou.
Em seu discurso, ele disse que o país desejado “não passa de um pedaço de gelo” que foi devolvido à Dinamarca pelos EUA após a Segunda Guerra Mundial. “Tudo que os EUA estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia, que devolvemos à Dinamarca após defendê-la de alemães, japoneses e italianos.”
Na ocasião, o presidente estadunidense havia dito que não pretendia usar a força para adquirir a região: “As pessoas pensaram que eu ia usar a força. Eu não quero e não usarei a força. Mas quem quer defender aquilo? É apenas um pedaço de gelo no meio do oceano. Mas se houver uma guerra, muitas ações acontecerão nesse pedaço de gelo”, argumentou ele ao afirmar que seu interesse naquela região se deve à localização estratégica.
Ele negou que seu interesse pelo país integrante do Reino da Dinamarca seja por conta das riquezas minerais. “Não tem [a ver com as] terras raras, até porque elas estão centenas de metros abaixo do gelo. Na verdade, é uma questão de segurança estratégica nacional e internacional.”
Segundo Trump, a Dinamarca estaria gastando pouco para proteger a Groenlândia, e apenas os EUA, sozinhos, teriam “condições de garantir a segurança dessa massa gigante de gelo, além de desenvolvê-la, melhorá-la e torná-la boa para a Europa e para os EUA.”
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