
O Ministério dos Portos e Aeroportos (Mpor) pretende fazer uma licitação para uma empresa operar a Hidrovia do São Francisco em 2026. A hidrovia tem 1.371 km de extensão navegáveis, ligando Pirapora, em Minas Gerais, as cidades de Petrolina, em Pernambuco, e Juazeiro, na Bahia. O empreendimento é importante e representa um transporte mais barato e sustentável para produtos do Centro-Sul chegarem a uma parte do Nordeste.
A hidrovia está paralisada desde 2012 e uma das coisas que provocou isso foi o assoreamento do Rio São Francisco, que ocorreu por falta de manutenção da dragagem que fez aparecer vários bancos de areia, impedindo a navegação.
A expectativa é de que o empreendimento apresente, no primeiro ano de operação comercial, uma movimentação de cargas, pelo rio, de cerca de 5 milhões de toneladas. O projeto também estabelece a integração da hidrovia com outros modais de transporte, como rodovias e, no futuro, com ferrovias.
A Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba) está realizando os estudos técnicos para a reativação da Hidrovia do São Francisco e foi autorizada pelo Mpor a fazer este levantamento em agosto último. Os estudos vão analisar aspectos operacionais, logísticos e regulatórios, além de viabilizar a exploração privada da infraestrutura e a retomada sustentável da navegação no trecho hidroviário.
Administradora do projeto, a Codeba contratou a estatal Infra S.A. para fazer a modelagem da concessão que deve ser aprovado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Potencial de carga da hidrovia
Para o leitor ter ideia, um comboio hidroviário pode substituir até 1,2 mil caminhões, reduzindo significativamente a emissão de CO₂ e o desgaste das rodovias. O consumo energético das embarcações é menor, comparando com o modal rodoviário. A hidrovia poderá fazer os grãos de uma região chamada Matopiba – que inclui áreas do Maranhão, Tocantins, Sul do Piauí e oeste baiano – chegarem mais baratos a Pernambuco, que tem um grande polo avícola e uma bacia leiteira, também consumidora deste produto.
Além dos grãos citados acima – como milho -, as cargas que têm mais potencial para ser transportadas pela hidrovia são: café mineiro, sal, minério de ferro, gesso agrícola, gipsita e insumos agrícolas. Também podem ser enviados produtos como açúcar e óleo de Juazeiro para Pirapora.
O projeto da futura hidrovia também prevê a implantação de 17 instalações portuários de pequeno porte ao longo do trajeto. A hidrovia poderá ser implantadas por partes. O trecho de 604 km que liga Juazeiro/Petrolina a Ibotirama, na Bahia, passando pelo reservatório de Sobradinho, é navegável.
A segunda etapa é um trecho entre Ibotirama, Bom Jesus da Lapa e Cariacá, todas na Bahia, com uma extensão de 172 km, também navegáveis. O último trecho seria de Cariacá até Pirapora, com uma extensão de 670 km, e vai precisar de obras de revitalização da calha do rio e dragagem.
O município de Cariacá fica perto da ferrovia da Fiol, que está com as obras paralisadas. Em todos os lugares do mundo, a hidrovia é usada de forma integrada aos outros modais, – como os trens – o que faz o transporte ficar mais eficiente, sustentável e barato.
No projeto original da Transnordestina em Pernambuco, a ferrovia ia do litoral até Petrolina, vizinha de Juazeiro, na Bahia. O trecho Petrolina-Salgueiro foi retirado do projeto da Transnordestina em 2006. Agora, se a ferrovia chegasse a Petrolina, poderia ter uma coisa chamada intermodalidade, que resulta num transporte mais barato e eficiente. o que não ocorre no Brasil, onde os trens, em grande parte do País, existem só nos projetos.
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