
Por Rogério Morais*
O debate sobre a ampliação da licença-paternidade no Brasil voltou à pauta no Congresso Nacional. Mais do que uma questão familiar, trata-se de um tema econômico e estratégico para o futuro das empresas e do país.
A seguir, apresentamos dez argumentos econômicos e de gestão que mostram por que a ampliação da licença-paternidade é uma medida inteligente e vantajosa também para o setor empresarial.
1️. Homens que participam mais do cuidado dos filhos cuidam melhor de si mesmos. Eles adoecem menos e, por isso, faltam menos ao trabalho.
2️. O cuidado desenvolve competências emocionais, como empatia, paciência e escuta, que são habilidades valiosas para qualquer profissional.
3️. Benefícios voltados à família do colaborador geram reconhecimento, engajamento, motivação, menos faltas e maior produtividade.
4️. Pais que compartilham o cuidado com as mulheres tornam-se mais empáticos com elas, o que melhora o clima e o respeito no ambiente de trabalho.
5️. Mulheres que recebem apoio do parceiro nesse início da vida do bebê conseguem retornar ao trabalho mais rápido e com mais tranquilidade.
6️. Cuidar da família do colaborador está em sintonia com as políticas de ESG, cada vez mais valorizadas por clientes, investidores e consumidores conscientes.
7️. Incentivar a paternidade ativa também incentiva a natalidade. Em um país onde nascem cada vez menos crianças, isso é importante para o futuro da população, do mercado consumidor e da força de trabalho.
8. A medida não traz custo para as empresas, já que o governo assumirá as despesas da licença.
9️. Hoje, 5 ou 15 dias de licença-paternidade, como alguns ainda defendem, é algo bastante defasado. A maioria dos trabalhadores já tem mais: servidores públicos têm direito a 20 dias, e empresas de lucro real também podem oferecer o mesmo. Ainda assim, esse número é baixo quando comparado a países como França, Canadá, Suécia ou Chile, onde o tempo de licença para os pais é muito maior.
10. Uma empresa boa para as crianças (as maiores beneficiárias dessa política) é uma empresa boa para todo mundo. Investir na primeira infância é o melhor investimento social que uma empresa pode fazer.
Em um mundo cada vez mais atento à responsabilidade social e à sustentabilidade humana dentro das organizações, ampliar a licença-paternidade não é um custo, é um investimento estratégico. As empresas que compreendem isso saem na frente: retêm talentos, fortalecem suas marcas e contribuem para uma sociedade mais equilibrada, saudável e produtiva.
Porque, no fim das contas, cuidar das famílias dos colaboradores é cuidar do futuro dos negócios e do país.
*Rogério Morais, administrador e Diretor do Instituto PIPA
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