
O Ministério da Saúde anunciou nesta semana a aquisição de 150 mil ampolas de etanol farmacêutico, usado como antídoto em casos de intoxicação por metanol. A medida foi tomada diante do avanço de casos suspeitos e confirmados de contaminação por bebidas adulteradas no país. Segundo a pasta, os lotes serão enviados aos estados e municípios para reforçar os estoques locais. Atualmente, o governo federal mantém 4,3 mil ampolas em unidades da rede hospitalar vinculadas ao SUS.
Além disso, será aberta uma chamada pública para a importação de fomepizol, medicamento usado em intoxicações graves por metanol. O produto ainda não possui registro no Brasil, mas pode ser importado em caráter emergencial com autorização da Anvisa.
Até o momento, o país registra 59 casos suspeitos de intoxicação por metanol, sendo 11 confirmados. Há um óbito confirmado em São Paulo, e outros sete estão sob investigação em diferentes estados. O Ministério da Saúde também instalou uma Sala de Situação interministerial para coordenar a resposta à crise, com participação da Anvisa, Polícia Federal, Receita Federal, Ministério da Justiça e secretarias estaduais de Saúde e Segurança Pública.
Casos de intoxicação por metanol chegam ao Paraná e à Bahia
O Paraná notificou o primeiro caso suspeito de intoxicação por metanol no estado. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, o paciente permanece internado em unidade hospitalar da rede pública. O caso está sendo acompanhado pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS-PR). A vítima teria ingerido bebida destilada adquirida de um vendedor informal no interior do estado. Exames laboratoriais foram encaminhados ao Laboratório Central do Estado (Lacen) e os resultados devem ser divulgados nos próximos dias. Se confirmado, este será o primeiro registro de contaminação por metanol no Paraná desde o início do surto nacional.
Na Bahia, autoridades investigam um possível óbito por ingestão de bebida adulterada. De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), a vítima, um homem adulto, foi atendido com quadro de intoxicação aguda e não resistiu. O caso ocorreu no município de Feira de Santana. A bebida teria sido adquirida em um ponto de venda informal.
Amostras foram coletadas para análise toxicológica no Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen-BA), que também examina o conteúdo da garrafa encontrada com a vítima. O laudo pericial deve confirmar se há presença de metanol ou outras substâncias tóxicas.
Tanto o Paraná quanto a Bahia acionaram suas vigilâncias sanitárias estaduais e informaram os casos à Sala de Situação nacional coordenada pelo Ministério da Saúde. As autoridades reforçam orientações à população para evitar o consumo de bebidas sem procedência fiscal ou sanitária, especialmente aquelas vendidas de forma fracionada ou fora de estabelecimentos registrados.
Apreensões de cachaça no Ceará e de gin em São Paulo
No Ceará, 60 mil garrafas de cachaça foram apreendidas pela Secretaria da Fazenda e pela Polícia Civil em um depósito no município de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. A carga, avaliada em R$ 150 mil, estava sem nota fiscal. O material será submetido a perícia pela Pefoce (Perícia Forense do Estado do Ceará) para identificar possível contaminação por metanol. O Ministério Público Estadual acompanha o caso e informou que pedirá à Justiça que a carga não seja liberada antes da conclusão dos laudos periciais.
Já em São Paulo, a Polícia Civil apreendeu 2 mil garrafas de gin com notas fiscais falsificadas. A ação faz parte de uma investigação que apura adulteração de bebidas e fraudes tributárias. As embalagens foram encaminhadas para análise laboratorial e os responsáveis serão autuados por crime contra a saúde pública e falsidade documental.
Produção e informalidade no Nordeste elevam risco sanitário
O Nordeste concentra cerca de 32% da produção nacional de cachaça, com destaque para os estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Bahia. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o Ceará possui atualmente 46 estabelecimentos registrados para produção e comercialização da bebida. No entanto, entidades do setor estimam que mais de 200 produtores informais atuam no estado, o que amplia o risco de circulação de produtos sem controle sanitário ou tributário.
Em 2024, a produção formalizada de cachaça no Nordeste cresceu 18% em relação ao ano anterior, segundo levantamento do IBGE, impulsionada pela valorização de rótulos artesanais e exportações. Ainda assim, a fiscalização continua sendo um desafio, principalmente em áreas com forte presença de microprodutores informais.
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