
O Nordeste está consolidando sua posição como segundo maior polo de startups do Brasil, ultrapassando o Sul e ficando atrás apenas do Sudeste. Esse avanço é reflexo de uma década de crescimento acelerado e, agora, de iniciativas que buscam organizar e potencializar a força empreendedora da região. Entre elas, está o NINNA Hub, primeiro hub de inovação do Ceará, que está mapeando mil startups nordestinas para compor sua base de inovação.
A proposta é clara: identificar quem são essas startups, em que estágio de maturidade se encontram e como podem se conectar com corporações em busca de soluções inovadoras em setores estratégicos como saúde, logística, fintechs, energias limpas e tecnologia.
Segundo Gabriella Purcaru, head de operações do NINNA Hub, o mapeamento é mais do que um cadastro: “Nosso objetivo não é apenas coletar dados, mas criar uma vitrine viva do ecossistema. Queremos aproximar empreendedores de corporações, investidores e programas de aceleração, transformando informação em conexões estratégicas e resultados reais”, afirma.
Resiliência nordestina e o papel do Ceará
Para Paulo Pelaez, fundador e CTO da Lovel, plataforma de recrutamento em tecnologia participante do NINNA, única startup do Ceará investida pelo Google, o movimento de expansão das startups no Nordeste é um reflexo do perfil resiliente dos empreendedores da região.
“O Nordeste sempre aprendeu a trabalhar com escassez de recursos. Esse ‘DNA de resiliência’ nos deixa ainda mais preparados para o atual cenário de poucas rodadas de investimento. Diferente do Sul e Sudeste, onde durante anos era possível captar recursos ainda no PPT, aqui sempre foi preciso mostrar resultado rápido. Isso nos fortaleceu”, analisa.
Fundada em Fortaleza, a Lovel já atende clientes em cinco continentes. O segredo do crescimento está na especialização: a empresa atua exclusivamente no recrutamento de profissionais de tecnologia, unindo inteligência artificial à curadoria humana de especialistas.
“Enquanto outras plataformas contratam para qualquer cargo, nós focamos na dor de atrair e contratar profissionais de tecnologia altamente qualificados, de desenvolvedores sênior a especialistas em cibersegurança e dados. Isso nos permitiu crescer nacionalmente e atender clientes de vários países”, explica Pelaez.
A tecnologia proprietária da Lovel faz o match inteligente entre candidatos e empresas a partir de sete dimensões, como hard skills, soft skills, experiência, localização e expectativas salariais. Com esse modelo, a startup consegue entregar talentos qualificados em até dez dias.

Ninna dá força à comunidade empreendedora
O ecossistema cearense, impulsionado por hubs como o NINNA, também tem se mostrado decisivo para acelerar trajetórias como a da Lovel.
“O NINNA funcionou quase como um concierge. Eu levava minhas dores de negócio e o time me conectava com quem já havia passado por aquele desafio. É como a esteira de um aeroporto: dá para chegar ao destino caminhando mas, com apoio, o caminho é mais rápido e menos cansativo”, compara Pelaez.
Além da infraestrutura, ele destaca o espírito colaborativo como um dos diferenciais da região: “No fim do dia, percebemos que todos os empreendedores ‘choram nos mesmos pratos’. Essa empatia coletiva transforma fracassos em aprendizados e cria um ambiente onde todos querem crescer juntos. Esse senso de comunidade e de give back é um dos maiores trunfos do Nordeste.”

Ceará no futuro da inovação brasileira
O NINNA Hub já impactou mais de 6.600 pessoas, conectou mais de 30 corporações a startups e fomentou projetos que movimentam mais de R$ 22 milhões em faturamento anual. Para Gabriella Purcaru, esse é apenas o começo. O Hub prevê um cenário promissor para a inovação descentralizada, abrangendo também o interior do estado. Nesse sentido, já iniciado o processo de interiorização, dando o pontapé inicial em Sobral, cidade que abriga o principal IMC do Ceará.
Quando o assunto são os setores mais promissores para o futuro, Gabriella destaca três frentes principais: saúde, sustentabilidade e logística. “Na saúde, o movimento das healthtechs está sendo fortemente impulsionado pela inteligência artificial, que já permite diagnósticos mais precisos, redução de custos em um mercado historicamente caro e mais valor entregue tanto para as operadoras quanto para os pacientes”, explica.
No campo da sustentabilidade, o Ceará já desponta nacionalmente em projetos de energia eólica, solar e hidrogênio verde, atraindo investimentos bilionários e criando espaço para startups que trabalham com tecnologias de eficiência energética, descarbonização e novos modelos de negócios sustentáveis.
“Nos próximos cinco a dez anos, queremos consolidar o Ceará como um dos principais destinos brasileiros para inovação. Nosso papel é acelerar negócios com impacto real e preparar empresas para o futuro. O Ceará já é referência quando falamos em inovação no Nordeste, possuindo um ecossistema que vem se consolidando há mais de uma década. Hoje, o Estado se destaca como o segundo da região com maior número de empresas inovadoras, atrás apenas de Pernambuco, e com Fortaleza figurando entre as capitais brasileiras que mais reúnem negócios disruptivos”, projeta.
As startups interessadas podem se inscrever pelo link do Ninna.
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