
Relatório divulgado nesta sexta-feira (5) pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) mostra que três capitais concentram a maior parte da movimentação aérea internacional na região. Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE) registraram juntas 1.824 pousos de aeronaves de passageiros vindas do exterior no primeiro semestre de 2025 — volume que representa 87% do total. A lista apresentada pelo órgão no seu Boletim Temático – O Turismo no Nordeste inclui tanto voos regulares como pousos de aeronaves de outros destinos internacionais.
Salvador liderou em número absoluto de pousos, com 694 chegadas no primeiro semestre de 2025. As aeronaves vieram de Madri (Espanha), Santiago (Chile), Buenos Aires e Córdoba (Argentina), Montevidéu (Uruguai), Lisboa e Porto (Portugal), Paris (França) e Santa Cruz (Bolívia). A Sudene destaca que a Bahia é também o estado com mais entradas de turistas estrangeiros na região, com 143,6 mil visitantes em 2024, e aponta Salvador como referência nacional em turismo de lazer e cultural.
Recife aparece na segunda posição, com 568 pousos internacionais. Os voos tiveram origem em Lisboa (Portugal), Madrid (Espanha), Santiago (Chile), Buenos Aires (Argentina), Orlando e Fort Lauderdale (Estados Unidos), Montevidéu (Uruguai), Córdoba (Argentina), Assunção (Paraguai) e Porto (Portugal). O relatório observa que Pernambuco recebeu 70,6 mil turistas internacionais em 2024 e reforça o peso do turismo histórico e cultural, além do papel de Recife como centro de conexões para o Nordeste.
Fortaleza registrou 562 pousos no semestre, com rotas de Lisboa (Portugal), Madrid (Espanha), Paris (França), Buenos Aires (Argentina), Miami e Orlando (Estados Unidos), Santiago (Chile) e Caiena (Guiana Francesa). A Sudene lembra que o Ceará recebeu 96,8 mil visitantes estrangeiros em 2024, apoiado na combinação de turismo de sol e praia, eventos e negócios, além do destaque do Centro de Eventos como polo regional.
Natal teve 219 pousos internacionais, com voos de Lisboa (Portugal) e Buenos Aires (Argentina). O Rio Grande do Norte recebeu 25,9 mil turistas internacionais em 2024, número que cresceu 27,3% em relação ao ano anterior, sustentado pela atratividade das praias e do turismo religioso.
Maceió registrou 53 pousos, com rotas de Buenos Aires (Argentina), Montevidéu (Uruguai) e Córdoba (Argentina). O estado de Alagoas, no entanto, apresentou retração nos índices de atividades turísticas no período de alta estação, segundo o levantamento da Sudene, refletindo os desafios de diversificação e de infraestrutura.
Investimentos e desafios apontados pela Sudene
O documento ressalta que a ampliação da conectividade internacional precisa ser acompanhada por um conjunto de medidas estruturantes. Entre elas, estão a modernização de aeroportos e portos, a melhoria do saneamento básico e da mobilidade urbana nas cidades receptoras de turistas e a diversificação de destinos para reduzir a concentração em poucos polos.
A Sudene também sugere ampliar a oferta de produtos turísticos integrados, como rotas interestaduais (a exemplo da Rota dos Cânions do São Francisco, que une quatro estados), fortalecer o turismo cultural e religioso e explorar oportunidades no ecoturismo e turismo de negócios. Outro ponto enfatizado é a necessidade de qualificação da mão de obra e de estratégias de inclusão para garantir serviços de maior qualidade, com impacto positivo na experiência do visitante.
O relatório recomenda ainda que a sustentabilidade ambiental seja tratada como prioridade, com incentivos à redução da sazonalidade, à gestão eficiente de resíduos e à promoção de destinos capazes de atrair públicos de diferentes perfis socioeconômicos.
Empregos e renda no turismo nordestino
Além da movimentação aérea, o setor turístico sustentou 433,3 mil empregos formais na região em 2024, de acordo com o Observatório Nacional do Turismo. Bahia, Pernambuco e Ceará concentraram 62,6% dessas vagas, com destaque para atividades de hospedagem e alimentação. A remuneração média no setor foi de R$ 1.819,87, equivalente a 1,28 salário mínimo, valor considerado baixo frente à média nordestina geral.
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