
O Banco do Nordeste projeta que o crédito para importação em Pernambuco deve ultrapassar R$ 200 milhões ainda em 2025. Nos últimos seis meses, mais de 20 empresas já recorreram às linhas disponíveis, evidenciando o avanço do estado no comércio exterior.
A informação foi divulgada nesta sexta-feira (5), durante o evento “Importações por Pernambuco: Imersão Nordeste”, realizado na superintendência da instituição, no Recife, voltado ao fomento da importação de insumos.
Segundo Antenógenes Simões, gerente de negócios do Banco do Nordeste, a meta tende a ser superada. “Em Pernambuco estamos disponibilizando uma linha de crédito em torno de R$ 200 milhões. Isso não é o máximo. Acreditamos que vamos superar esse marco. Hoje já disponibilizamos linhas de crédito para mais de 20 empresas em um período de seis meses”, explicou.
Importação como estratégia para economia pernambucana
O superintendente do Banco do Nordeste em Pernambuco, Hugo Queiroz, ressaltou que o evento foi uma oportunidade para fomentar a importação entre os empresários locais.
“Chegou o momento da gente olhar com carinho para essa pauta do comércio exterior. Entendemos que o banco tem muito a contribuir para o mercado. Temos produtos que são atrativos, competitivos e uma carteira de clientes bastante qualificada”, disse.
Luciano Tinoco, gerente de operações de câmbio da instituição, destacou a posição de destaque do estado. “Pernambuco é o segundo estado que mais importa hoje no Nordeste, superando a Bahia. Na medida em que mostramos esses produtos para os empresários, esperamos que eles se sintam seguros para utilizá-los. Na hora em que ele internacionaliza, ele deixa de depender totalmente do mercado interno”, afirmou.
Segundo dados da Comexstat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), entre janeiro e agosto de 2025, Pernambuco apresentou um aumento significativo nas importações em diversos grupos econômicos.
Os destaques ficaram por conta de máquinas e equipamentos de transporte, que lideraram com 34,7% de participação, seguidos por artigos manufaturados (26,8%) e combustíveis minerais (16,2%). Produtos químicos também tiveram relevância, representando 12,5% das importações, enquanto alimentos e animais vivos corresponderam a 9,8%.
Informação reduz barreiras para empresários
Apesar das oportunidades, especialistas afirmam que a falta de informação ainda é o maior entrave para a expansão da importação. Eduardo Baptista, sócio da Comex Consulting, reforça que hoje o principal entrave para que haja um aumento das exportações e da confiança para que o empresário pernambucano exporte mais é a falta de informação.
“Ao entender o processo de importação, ele com certeza vai poder importar mais e Pernambuco terá acesso rapidamente a produtos estrangeiros, diretamente da fonte”, comentou

Para a despachante aduaneira Alessandra Cardozo, da VP Trading, cada operação deve ser estruturada de forma estratégica. “O mercado exige essa necessidade de importar para haver crescimento econômico e isso deve ser conduzido de forma estratégica. Customizamos a operação de acordo com a atividade do cliente, às vezes suspendendo o ICMS e outros custos advindos de taxas”, destacou.
Programas estaduais fortalecem operações
Além do crédito do Banco do Nordeste, Pernambuco conta com políticas estaduais que incentivam o setor. O Prodepe (Programa de Desenvolvimento de Pernambuco) concede benefícios fiscais, como a redução do ICMS, para empresas industriais, comerciais e importadoras que investem no estado.
Já o PEAP (Programa de Estímulo à Atividade Portuária) oferece incentivos para companhias que utilizam os portos locais, reduzindo custos logísticos e ampliando a competitividade em operações de importação e exportação.
Exemplo prático: economia para o setor produtivo
O empresário Alexandre Santos, sócio-diretor da AAS Fundações, relatou ganhos diretos após importar um implemento da Finlândia com apoio do banco e de benefícios fiscais.
“Consegui isenção fiscal e não precisei pagar taxa de importação. Recebi toda a orientação e consegui um desconto de quase R$ 90 mil em taxas. Hoje minha empresa tem maior produtividade que antes”, contou.
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