
A Rua da Imperatriz Tereza Cristina, que nasceu de um aterro no Recife em 1740, batizou-se em homenagem à esposa de Pedro II em 1859 e abrigou o nascimento de Joaquim Nabuco, chega a 2026 em processo de degradação que mobilizou a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). As duas instituições lançaram nesta segunda-feira, 16 de março, um projeto de estudos vocacionais de 12 meses para identificar o potencial urbanístico, econômico e cultural da área e propor soluções para reverter o esvaziamento do Centro do Recife. A parceria foi formalizada por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED), firmado no fim de 2025.
O lançamento ocorreu no histórico Hotel Central, no bairro da Boa Vista, e reuniu pesquisadores, gestores públicos e representantes da sociedade civil. O superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, afirmou que as soluções desenvolvidas para a Rua da Imperatriz poderão servir de referência para iniciativas semelhantes em outras cidades da área de atuação da autarquia.
Ele destacou o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) como mecanismo capaz de financiar operações de retrofit em centros históricos urbanos. “A Sudene conta com linhas de financiamento que podem apoiar empreendedores interessados em investir nesses espaços”, afirmou. O senador Humberto Costa participou do evento e sinalizou a possibilidade de aportar recursos adicionais por meio de emendas parlamentares.
A execução do estudo ficará a cargo da UFPE, por meio do Laboratório de Urbanismo e Patrimônio Cultural (LUP) e do Grupo de Estudos sobre o Mercado Imobiliário e Fundiário (GEMFI), vinculados ao Departamento de Arquitetura e Urbanismo e ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano da universidade.
As arquitetas e coordenadoras do projeto, Iana Laudermir Bernardino e Juliana Barreto, apresentaram as diretrizes do estudo, que abrange três eixos principais: o funcionamento atual da área, incluindo a infraestrutura existente; a preservação e adaptação dos imóveis históricos; e a dinâmica do mercado imobiliário local.

Oficina marca abertura dos trabalhos na Rua da Imperatriz
“A proposta é reunir profissionais com conhecimento em patrimônio cultural, mobilidade urbana, espaços públicos, políticas públicas e dinamização imobiliária, para que possamos construir, juntamente com a sociedade, um diagnóstico multitemático e participativo sobre o papel que a Rua da Imperatriz pode desempenhar no processo de revitalização do Centro do Recife”, explicou Iana Laudermir.
A equipe também está analisando iniciativas em curso, entre elas o Projeto Recentro, da Prefeitura do Recife, que atua em áreas históricas incluindo a Avenida Guararapes. Durante o evento, foi realizada a oficina temática “Por uma Imperatriz viva e dinâmica”, primeira atividade participativa do projeto.
O trabalho terá duração de 12 meses e incluirá uma série de oficinas para construção coletiva de propostas e diretrizes para o futuro da via. O encontro também contou com a participação de Ana Paula Vilaça, chefe do Gabinete do Centro Histórico da Prefeitura do Recife; da vereadora Cida Pedrosa; e de Antônio Almeida, representante da Associação dos Empresários e Proprietários da Rua da Imperatriz.
*Com informações da Sudene
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