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Parecer da 6×1 é adiado em meio à pressão para transição de 10 anos

Oposição e centrão querem transição de 10 anos para reduzir jornada. O governo tem defendido uma proposta de fim da 6x1 sem regra de transição e sem redução de salário
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  1. Comissão adia apresentação de parecer sobre redução de jornada 6x1 para próxima segunda-feira por falta de definições finais.
  2. Governo federal estima benefício direto para 37 milhões de pessoas com fim da escala 6x1 e melhoria das condições trabalhistas.
  3. Pressão de empresariado e oposição busca incluir transição de 10 anos, redução do FGTS e exclusão de categorias essenciais.
  4. Emenda com 176 assinaturas propõe manter jornada 6x1 por dez anos, reduzir contribuição patronal ao FGTS de 8% para 4%.
  5. Votação do texto na Comissão permanece marcada para 26 de maio, conforme presidente Alencar Santana.
cartão de ponto trabalho escala 6x1 5x2 proposta Câmara dos Deputados
Ao menos 37 milhões de pessoas serão diretamente beneficiadas com fim da jornada 6×1, medida associada à melhoria das condições de vida dos trabalhadores, calcula governo federal. Foto: Casa Narciso/Reprodução

A Comissão Especial que analisa as propostas de redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais e do fim da escala 6×1 adiou, para próxima segunda-feira (25), a apresentação do parecer do relator, o deputado Leo Prates (Republicanos-PB). Pelo cronograma original, o relator divulgaria seu texto nesta quarta-feira (20). Segundo o governo federal, ao menos 37 milhões de pessoas serão diretamente beneficiadas com medida associada à melhoria das condições de vida dos trabalhadores.

O adiamento ocorre em meio à pressão de setores do empresariado e de partidos da oposição e do chamado Centrão, que reúne legendas da direita tradicional, para incluir uma regra de transição de 10 anos, com redução do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para os trabalhadores e exclusão de categorias consideradas essenciais.

O presidente da Comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP), informou que precisa de mais tempo para negociar a regra de transição, mas que a data votação do texto, previsto para o dia 26 de maio na Comissão, está mantida.

“Se tivesse a definição, o relatório seria apresentado na quarta [dia 20]. Mas ainda não há. Há diálogos, sem dúvida alguma. São pontos a serem esclarecidos, são pontos a serem acordados, mas o sentimento, sem dúvida alguma, em especial, digo ao trabalhador, é que é pensando em você”, afirmou Santana.

O adiamento foi definido após reunião do relator, na noite de terça-feira (19), com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o líder do governo na Casa, deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

O presidente da Comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP), informou que precisa de mais tempo para negociar a regra de transição. Foto: Lula Marques/Arquivo Agência Brasil
O presidente da Comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP), informou que precisa de mais tempo para negociar a regra de transição. Foto: Lula Marques/Arquivo Agência Brasil

Emendas ao projeto que acaba com jornada 6×1

Uma das emendas apresentadas pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS), que conta com assinatura de 176 deputados, afirma que o fim da escala 6×1 só entraria em vigor dez anos após a promulgação da emenda constitucional. A sugestão ainda exclui da redução da jornada trabalhadores considerados “essenciais”. 

“Sendo consideradas [essenciais] aquelas cuja interrupção possa comprometer a preservação da vida, da saúde, da segurança, da mobilidade, do abastecimento, da ordem pública ou da continuidade de infraestruturas críticas, serão definidas por lei complementar e terão jornada máxima de quarenta e quatro horas semanais”, diz o texto da emenda.

Além disso, a emenda reduz de 8% para 4% a contribuição patronal ao FGTS e isenta temporariamente a contribuição das empresas à Previdência Social, que atualmente é de 20% sobre o salário.

A lista de deputados que apoiam a emenda inclui, principalmente, parlamentares do PL (61), PP (32), União (23), Republicanos (17) e MDB (13).

O governo tem defendido uma proposta sem regra de transição e sem redução de salário. O relator tem defendido uma posição intermediária com uma transição entre 2 a 4 anos de duração, segundo revelou para o jornal Folha de São Paulo.

A outra emenda apresentada à PEC 221 de 2019, de autoria de Tião Medeiros (PP-PR), com apoio de 171 deputados, também prevê uma transição de 10 anos, além de excluir da redução da jornada de 44 para 40 horas trabalhadores de setores considerados “essenciais”. 

Leia mais: Governo federal cria programa de R$ 30 bilhões para motoristas de aplicativos

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