
As primeiras peças dos dois primeiros computadores quânticos operacionais do Brasil e da América Latina, que o Centro de Computação Quântica da Paraíba (Ciquanta) instalará em João Pessoa, chegam ao estado em agosto, com montagem prevista até outubro, revelou o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Cláudio Furtado, ao g1 PB. Os equipamentos, de 20 e 100 qubits, ficarão na Estação das Artes, prédio vizinho à Estação Ciência Cabo Branco, no Altiplano Cabo Branco, dentro de um projeto com investimento total de R$ 200 milhões, dos quais R$ 140 milhões do governo estadual e R$ 60 milhões do governo federal, segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O projeto inclui transferência de tecnologia com a China Electronics Technology Group Corporation (CETC), estatal chinesa do setor de eletrônica e defesa, em criogenia, sensores e sistema operacional, e o objetivo declarado pelo secretário é que futuras máquinas sejam fabricadas no próprio estado. Uma equipe de técnicos e pesquisadores viajou à China para treinamento na operação dos equipamentos. A liderança científica do Ciquanta ficará com o professor Amir Aldas Caldeira, da Unicamp, segundo Furtado, que citou também pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e do Instituto Federal da Paraíba (IFPB) já integrados ao centro.
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Blindagem, criogenia e estrutura física
O prédio da Estação das Artes passa por reformas para atender às exigências da computação quântica. Segundo Furtado, a área que abrigará os computadores exige altura mínima de seis metros e blindagem eletromagnética. O piso inferior concentrará os dois equipamentos e cerca de 30 gabinetes; o superior terá salas de reunião e espaço de apoio. O conjunto ocupa mais de 5,1 mil metros quadrados, segundo o MCTI.
Os chips quânticos operam a 10 milikelvin, temperatura próxima do zero absoluto, equivalente a cerca de -273 graus Celsius. Para atingir essa condição, o centro utilizará sistema fechado com mistura de hélio-3 e hélio-4, além de refrigeração autônoma com redundância para operação contínua.
A capacidade dos dois computadores, de 20 e 100 qubits, é medida em unidades diferentes das utilizadas por máquinas convencionais. Cada qubit pode representar múltiplos estados simultâneos, o que permite processar cálculos que computadores clássicos não executariam em tempo viável.
Transferência de tecnologia e visitação
O projeto inclui transferência tecnológica com a CETC em todos os níveis de desenvolvimento dos computadores. Segundo o secretário, a montagem conjunta servirá de base para que futuras máquinas sejam produzidas localmente. “Nós vamos montar conjuntamente esses dois computadores, aprender a fazer, e a ideia é que os próximos equipamentos já sejam feitos localmente, com base nesse aprendizado”, afirmou Furtado ao g1 Paraíba.
O acesso inicial será destinado a pesquisadores das três instituições paraibanas já citadas. O centro operará 24 horas por dia, sete dias por semana, com acesso remoto via plataforma em nuvem para pesquisadores de todo o país, segundo o MCTI.
O Ciquanta terá ainda um espaço de visitação pública com réplica de computador quântico em funcionamento e informações sobre a história da tecnologia. “Essa é uma corrida mundial e, com o Ciquanta, o Brasil se coloca entre os países que desenvolvem essa tecnologia”, afirmou o secretário.
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