- Publicidade -

Startup do Recife cria Vezz, app de corridas para quem não consegue usar a tela

Vezz usa comando de voz para atender cegos, idosos e pessoas com mobilidade reduzida; plataforma já conta com 15 mil motoristas cadastrados em Pernambuco antes do lançamento oficial
- Publicidade -
Ouvir o Artigo Gerando áudio…
~6:37
  1. Startup pernambucana Vezz lança app de mobilidade com comando de voz para pessoas cegas e com deficiência.
  2. Plataforma permite solicitar corridas sem interação manual com tela, beneficiando usuários com limitações visuais, motoras ou cognitivas.
  3. Lançamento previsto para junho no Recife com base de 3 mil motoristas parceiros na capital pernambucana.
  4. Empresa planeja expansão gradual pelo Nordeste e posteriormente para São Paulo, com negociações internacionais em andamento.
  5. Sistema inclui mecanismo de segurança com tutor que acompanha viagem em tempo real e pode acionar emergências.
app vezz mobilidade divulgação
Inspirado no modelo de plataformas já consolidadas como Uber e 99, o Vezz pode ser ativado por comando de voz. Foto: Divulgação

A Vezz Mobilidade, startup pernambucana, se prepara para entrar no mercado de mobilidade com a proposta de ampliar a autonomia e a segurança de públicos frequentemente negligenciados por aplicativos tradicionais, como pessoas cegas, idosos e indivíduos com deficiência. Inspirada no modelo de plataformas já consolidadas como Uber e 99, a Vezz aposta no diferencial tecnológico que pode redefinir a experiência do usuário, através do comando de voz integrado ao aplicativo.

A funcionalidade permite que corridas sejam solicitadas sem a necessidade de interação manual com a tela, um avanço significativo para quem enfrenta limitações visuais, motoras ou cognitivas. “O nosso grande diferencial é o comando de voz, onde a gente dá autonomia para pessoas cegas, de baixa visão, idosos e até pessoas com Parkinson, que têm dificuldade motora. É uma solução pensada para incluir quem hoje está à margem dessas plataformas”, afirma a CEO da startup, Lígia Coelho.

O lançamento está previsto para o início de junho, inicialmente no Recife. A base de motoristas parceiros é de cerca de 3.000 na capital pernambucana. A Vezz planeja uma expansão gradual para outras cidades do Nordeste, como Caruaru (PE) e Campina Grande (PB), e, posteriormente, para grandes centros como São Paulo. A empresa também já articula negociações internacionais, com interesse em mercados na Europa e no Oriente Médio.

Segundo a executiva, o projeto nasce de uma lacuna estrutural no mercado. Segundo dados do IBGE, o Brasil possui mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual no Brasil, sendo 500 mil cegas e cerca de 6 milhões com baixa visão. São pessoas que enfrentem algum tipo de barreira no acesso pleno à mobilidade urbana digital, seja por limitações físicas, tecnológicas ou sociais.

Inclusão e mobilidade como estratégia de mercado

Esse contingente representa não apenas um desafio social, mas também uma oportunidade econômica relevante, abrangendo a lacuna onde as grandes plataformas, que priorizam escala, nem sempre conseguem atender com eficiência às demandas específicas de grupos mais vulneráveis.

A startup também incorpora mecanismos de segurança preditiva, voltados especialmente para usuários que enfrentam maior exposição a riscos no ambiente urbano. Ao se cadastrar, o passageiro pode indicar um tutor (geralmente um familiar) que passa a acompanhar a viagem em tempo real e pode ser acionado em situações de emergência.

“Se você estiver em uma situação de perigo, consegue se comunicar rapidamente com um membro da família. Essa pessoa aciona a rede de apoio, localiza você e pode buscar ajuda com mais rapidez”, explica Lígia.

Autonomia na prática: a visão do usuário

Antes mesmo do lançamento oficial, a Vezz já passou por fases de testes com usuários reais. Entre eles, o embaixador do aplicativo, Cauê Teixeira, que é cego e participou da validação inicial da plataforma.

“Desde o início, a ideia era que as pessoas usassem a voz para fazer todo o trajeto do pedido de um carro. Ou seja, utilizar a audição e a fala como principais ferramentas dentro do aplicativo”, relata Cauê.

Segundo ele, a principal inovação da plataforma está na possibilidade de reduzir a dependência de terceiros para tarefas simples do cotidiano. “Hoje, muitas vezes, eu preciso de alguém para me ajudar a pedir um carro. O leitor de tela tem limitações, algumas funções não são acessíveis. Com o aplicativo, a proposta é justamente eliminar essa barreira”, explica.

Na prática, essa mudança representa um ganho direto de autonomia. “O maior ganho é promover independência. A pessoa não precisa mais pedir ajuda para se locomover. Ela consegue fazer suas corridas sozinha, com mais segurança e liberdade”, afirma.

Cauê destaca ainda que o impacto da tecnologia vai além da mobilidade física e alcança dimensões emocionais e sociais. “É diferente você depender de alguém para fazer algo e você conseguir fazer por conta própria. Isso muda a forma como a pessoa se sente no dia a dia, inclusive na sua autoestima”, diz.

Ele cita situações corriqueiras que ilustram essa limitação. “Às vezes, você quer sair, resolver algo, ir a um compromisso, e precisa pedir ajuda para alguém. Nem sempre tem alguém disponível. Com uma solução como essa, você passa a ter mais controle sobre a sua rotina”, acrescenta.

Tecnologia e segurança integradas

Outro diferencial em desenvolvimento é a identificação dos veículos parceiros. A proposta inclui a utilização de marcadores físicos, como adesivos com identificação tátil, permitindo que pessoas cegas consigam reconhecer o carro correto ao toque, reduzindo riscos no momento do embarque.

Além disso, a startup aposta na capacitação dos motoristas como parte essencial da experiência. Os condutores passam por treinamento específico para atender públicos com diferentes necessidades, o que, segundo a empresa, ainda é uma lacuna importante no mercado atual de mobilidade por aplicativo.

Modelo de negócio e impacto social

Outro ponto central do modelo de negócio é a justiça econômica na relação com os motoristas. Diferentemente das grandes plataformas, frequentemente criticadas pelas taxas elevadas, a Vezz promete repassar até 85% do valor da corrida aos condutores. “Se a corrida custa R$ 10, R$ 8,50 ficam com o motorista. É uma divisão mais justa e transparente”, afirma Lígia .

Desenvolvida ao longo de três anos com investimento próprio de aproximadamente R$ 350 mil, a Vezz também carrega o DNA do ecossistema de inovação local. A empresa está incubada no Porto Digital.

Além da inovação tecnológica, a startup incorpora um componente de impacto social em seu modelo. A cada corrida realizada, parte da receita será destinada a organizações não governamentais, fortalecendo iniciativas voltadas a públicos em situação de vulnerabilidade. “Nossa missão é gerar autonomia, segurança e impacto social. A gente quer transformar a mobilidade em uma ferramenta de inclusão real”, resume a CEO.

Antes mesmo de ser lançado, o app Vezz já conquistou prêmios importantes, como o 1° Lugar – Prêmio de Inovação Nacional (ABDI 2025), em Brasília; o 2º lugar no Prêmio Anptotec de Empreendedorismo e Inovação Nacional (Anprotec 2025), em Foz do Iguaçu; o 2º lugar no Prêmio de Inovação Nacional Empreendedoras Tech (ABDI 2026); e o Prêmio Inovacidade Liderança Feminina – Smart City Business Brazil Congress (SCB-BR 2026), em São Paulo.

Leia também: Startup aposta em IA para destravar mercado bilionário de precatórios

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -