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Contagem regressiva para o 1º lançamento comercial espacial no NE

Alcântara (MA), próxima à linha do Equador, se prepara para o 1º lançamento comercial espacial do Nordeste: o HANBIT-Nano, em parceria com a sul-coreana Innospace, na operação Spaceward 2025
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Foguete HANBIT-Nano no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Foto: Innospace
Foguete HANBIT-Nano vai subir ao espaço a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) levando cinco pequenos satélites e três experimentos tecnológicos. Foto: Innospace

Na próxima quarta-feira (17), às 15h45, um foguete de dois estágios, com propulsão híbrida (sólido e líquido), 21,9 metros de comprimento, 1,4 metro de diâmetro e massa total de quase 20 toneladas vai subir ao espaço transportando até 90 quilos de carga útil. O HANBIT-Nano, da empresa sul-coreana Innospace, será o primeiro lançamento comercial a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. A Operação Spaceward 2025, que conta com a participação da Agência Espacial Brasileira (AEB), marca avanço histórico e consolida a entrada do país no mercado global de serviços de acesso ao espaço.

Por meio da Operação Spaceward, a Innospace pretende se tornar a primeira empresa privada sul-coreana a colocar satélites de clientes em órbita terrestre baixa (LEO), a uma altitude aproximada de 300 km e inclinação de 40 graus, ao mesmo tempo em que executa missões de clientes com cargas experimentais. 

A missão prevê o envio de oito cargas registradas, com cinco pequenos satélites e três experimentos tecnológicos desenvolvidos por empresas e instituições do Brasil, da Coreia do Sul e da Índia. Os satélites têm uso previsto em coleta de dados climáticos e ambientais, desenvolvimento tecnológico e iniciativas educacionais. Já os experimentos devem passar por testes e coleta de dados em ambiente espacial, ampliando a carteira de missões possíveis a partir da base maranhense.

“Nosso primeiro lançamento comercial, a missão Spaceward, possui um forte significado simbólico, já que marca o início dos serviços de transporte espacial utilizando um veículo lançador desenvolvido de forma independente por uma empresa privada sul-coreana. Como toda a nossa equipe se dedicou a cada etapa do desenvolvimento às operações do HANBIT-Nano, cumpriremos nossas responsabilidades com o máximo comprometimento até os momentos finais da contagem regressiva para o lançamento”, afirmou Soojong Kim, fundador e diretor-presidente da Innospace.

Testes de vazamento e checagens do sistema

A janela operacional informada pela AEB vai de 16 a 22 de dezembro. No roteiro de pré-voo, a fase final inclui transporte do veículo até a plataforma, posicionamento, conexões para abastecimento, energia e dados, além de testes de vazamento e checagens do sistema. No dia da missão, está prevista uma revisão final com verificação meteorológica e confirmação de prontidão técnica em coordenação com a Força Aérea Brasileira (FAB) e a AEB.

A estreia comercial a partir de Alcântara também passa pelo rito regulatório. O HANBIT-Nano recebeu autorização de lançamento comercial da KASA (Korea AeroSpace Administration), após cumprir requisitos de segurança, padrões ambientais e capacidade de missão.

No Brasil, a AEB concedeu autorização em maio de 2025 após critérios de minimização de riscos, redução de detritos espaciais e comprovação de que a operação não compromete a segurança nacional, interesses da política externa brasileira ou obrigações internacionais assumidas pelo país.

Peso econômico da estreia espacial com parceiros internacionais

Ao colocar em operação um voo comercial com participação de uma empresa estrangeira e coordenação com FAB e AEB, o Centro de Lançamento de Alcântara passa a integrar, na prática, a cadeia internacional de fornecimento de serviços para colocar cargas em órbita, um mercado que combina logística, regulação, infraestrutura e contratos de missão.

Na arquitetura do projeto, a Spaceward 2025 reúne cargas de três países e, ao mesmo tempo, estabelece um precedente operacional: uma missão com satélites e experimentos, autorizada por autoridades reguladoras de dois países, executada a partir de uma base brasileira. Para o Brasil, o marco não está apenas no voo, mas na capacidade de sustentar rotinas de preparação, segurança e conformidade ambiental exigidas para operações comerciais repetidas.

A escala da operação aparece no efetivo mobilizado em Alcântara. A AEB informou que a FAB iniciou a Operação Spaceward 2025 em 3 de novembro e reforçou a equipe com mais 47 servidores, chegando a cerca de 400 profissionais no Centro de Lançamento de Alcântara. A composição indicada é de 300 militares e 100 civis, além de 60 integrantes estrangeiros ligados ao cliente sul-coreano.

Cerca de 400 profissionais. Servidores da Agência Espacial Brasileira (AEB) também estão mobilizados no local, onde acompanham e prestam apoio às atividades da operação. Foto: Innospace
Cerca de 400 profissionais. Servidores da Agência Espacial Brasileira (AEB) também estão mobilizados no local, onde acompanham e prestam apoio às atividades da operação. Foto: Innospace

Experiência de Alcântara com lançamentos de foguetes

O diretor do Centro de Lançamento de Alcântara, coronel aviador Clóvis Martins de Souza, afirmou que o CLA está preparado para a nova fase de oferta de serviços comerciais e citou “mais de 500 lançamentos realizados” ao longo de “mais de quatro décadas”, além de destacar o diferencial da localização próxima à linha do Equador.  

Inaugurada em 1983, a base de Alcântara tem histórico de lançamentos suborbitais e experimentais pela Força Aérea Brasileira. Em 22 de agosto de 2003, uma explosão envolvendo o Veículo Lançador de Satélites (VLS) matou 21 profissionais do programa espacial brasileiro e marcou a maior tragédia nacional no setor, episódio que interrompeu planos de operações mais avançadas naquele ciclo.

A AEB informou ainda que a operação é coordenada pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA/FAB) e enquadrou o evento como marco de entrada do Brasil no mercado global, ao mencionar “novas oportunidades de geração de renda e investimento no setor”.

Do lado da operadora, a AEB afirma que a Innospace entrou na fase final da preparação e que a missão será conduzida a partir de uma plataforma dedicada no CLA. O diretor-presidente da empresa, Soojong Kim, disse que o primeiro lançamento comercial “marca o início dos serviços de transporte espacial” com um veículo desenvolvido pela companhia.

*Com informações da Agência Espacial Brasileira (AEB)

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