
O presidente do Nordeste Forte e da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (Fiepb), Cassiano Pereira, e o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Bruno Veloso, voltaram a defender, numa reunião que ocorreu na tarde desta segunda-feira (04), a permanência de Danilo Cabral à frente da Sudene. O encontro aconteceu na sede da entidade pernambucana, no Recife, e teve como pauta principal a Nova Indústria Brasil (NIB), os impactos do tarifaço dos EUA nos exportadores brasileiros e a Ferrovia Transnordestina.
Os empresários destacaram o protagonismo que a Sudene voltou a ter nos últimos dois anos e elogiaram a atuação de Danilo Cabral, apontado o executivo como peça-chave na reaproximação da instituição com o setor produtivo. Segundo Cassiano Pereira, a instituição “se aproximou do Nordeste de verdade”.
Cassiano defendeu a Ferrovia Transnordestina como um projeto da região como um todo, beneficiando todo o Nordeste com a construção dos dois trechos ferroviários e, posteriormente, de ramais que façam a ligação destes dois trechos com os ramais a serem implantados que vão chegar aos demais estados do Nordeste, como a Paraíba, Alagoas etc. Os dois trechos principais da Transnordestina são o Eliseu Martins-Pecém, no Ceará, e o de Salgueiro-Suape, em Pernambuco.
“A ferrovia tem que dar o primeiro passo, que é a unidade do Nordeste em torno deste projeto”, afirmou Cassiano, se referindo aos dois trechos principais. O Nordeste Forte é uma associação que representa as federações das indústrias dos nove estados do Nordeste e faz parte da Confederação Nacional da Indústria.
O presidente da Fiepe, Bruno Veloso, também reforçou o apoio à permanência de Cabral e afirmou que a defesa não é pessoal, mas institucional e regional. “A saída de Danilo Cabral da Sudene seria uma perda para o Nordeste. Ele tem sido equilibrado, atuando com responsabilidade e dentro da legalidade. O desenvolvimento da região não pode ser afetado por pressões políticas”, declarou. E acrescentou: “não se pode punir quem cuida da coisa pública”.
Especializado em inovaçõ, o site WSCOM especializado divulgou uma carta da Associação Brasileira de Economistas pela Democracia de Pernambuco (ABED-PE), no sábado (2), em apoio a permanência de Danilo Cabral na Sudene. O texto estava assinado por 13 economistas de Pernambuco, Paraíba, Sergipe e Bahia, incluindo nomes como o da professora Tânia Bacelar e Abraham Sicsu.
Na carta, os economistas afirmaram que “à frente da autarquia, o superintendente Danilo vem conduzindo um trabalho de resgate da Instituição, da articulação e promoção do diálogo entre atores regionais relevantes, na busca de políticas e iniciativas de redução dos desequilíbrios regionais que ainda persistem no nosso País e citou como exemplo iniciativas que ocorreram na gestão dele como o reestabelecimento do Coriff e o lançamento da Chamada Nordeste, em conjunto com BNB, BNDES, BB, CEF, Finep e Consórcio Nordeste.
Na última sexta-feira (1º), veio a público a pressão que o governador cearense, Elmano de Freitas (PT), e executivos da concessionária da ferrovia Transnordestina (TLSA), que executa as obras da Transnordestina no trecho cearense, estão fazendo para que Danilo Cabral deixe a Sudene. Pelo que foi divulgado, ambos acreditam que o superintendente estava atrapalhando a liberação de recursos para as obras do trecho cearense da ferrovia, retomado em 2023.
Os recursos não foram liberados porque a empresa não apresentou as informações da execução do empréstimo anteriormente recebido. A Sudene é uma das principais financiadoras deste projeto que tem liberado verba, nos últimos três anos, para as obras do trecho cearense. As obras do trecho pernambucano estão paralisadas desde 2016.
Depois que a pressão veio a público, Danilo Cabral recebeu várias manifestações de apoio de instituições como a Fiepe; Centro das Indústrias do Estado de Pernambuco (Ciepe); Grupo Atitude PE; Lide Pernambuco; Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE), universidades, além do apoio de senadores, bancada federal de Pernambuco e dos deputados que compões a Assembleia Legislativa de Pernambuco, entre outros.
A Sudene e o apoio recebido por Danilo
Ainda na reunião com os dois empresários, Danilo Cabral evitou falar sobre as especulações sobre sua saída, mas agradeceu publicamente o apoio recebido de empresários, universidades e lideranças políticas do Nordeste. “O que estamos fazendo aqui é um projeto coletivo. Queremos que o Nordeste faça parte da solução do Brasil”, disse Danilo. Ele também explicou que a reunião na Fiepe teve como foco discutir os investimentos previstos para a indústria e ações para enfrentar a crise provocada pelo tarifaço americano e também a Ferrovia Transnordestina.
O programa Nova Indústria Brasil (NIB), do governo federal, articula uma chamada pública que pretende direcionar R$ 10 bilhões para a indústria nordestina. O evento está marcado para o próximo dia 14, em Pernambuco, com a participação da Fiepe.
Segundo Cabral, a estratégia é usar esses recursos para deixar o setor industrial mais competitivo e mitigar os efeitos do cenário internacional adverso, se referindo ao tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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