- Publicidade -

Desafio do TSE é conter uso ilegal de IA nas eleições 2026, diz Nunes Marques

​Novo presidente da Corte define inteligência artificial como ameaça à democracia e reafirma segurança das urnas para as eleições gerais de outubro
- Publicidade -
Ouvir o Artigo
~5:10
  1. Kassio Nunes Marques assume presidência do TSE com foco em combater uso ilegal de inteligência artificial
  2. IA pode desestabilizar eleições se utilizada para manipular vontade do eleitor, alerta novo presidente
  3. TSE proíbe deepfakes e exige aviso explícito em conteúdos eleitorais gerados por inteligência artificial
  4. Eleições 2026 classificadas como historicamente importantes desde redemocratização, centradas no eleitor e voto
  5. Tribunal defende urnas eletrônicas como referência tecnológica e mantém testes públicos rigorosos de segurança
Nunes Marques
No discurso de posse, Nunes Marques ressaltou que a tecnologia, embora inovadora, pode se tornar uma ferramenta de desestabilização se utilizada para manipular a vontade do eleitor. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro Kassio Nunes Marques assumiu a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em sua cerimônia de posse, o magistrado deixou claro que o principal desafio da Justiça Eleitoral para o pleito de outubro será o enfrentamento ao uso inadequado da inteligência artificial. O novo comando da Corte terá a responsabilidade de gerir as eleições para presidente da República, governadores, senadores e deputados em um cenário digital cada vez mais complexo.

​No discurso de posse, Nunes Marques ressaltou que a tecnologia, embora inovadora, pode se tornar uma ferramenta de desestabilização se utilizada para manipular a vontade do eleitor.

“Devemos estar atentos a tecnologias, que, quando mal utilizadas, podem representar ameaças ao nosso processo democrático. Vivemos em uma era em que as campanhas eleitorais não chegam às urnas sem atravessar algoritmos”, alertou o ministro perante autoridades dos Três Poderes.

​A preocupação do novo presidente reflete as resoluções aprovadas pelo TSE ainda em março deste ano. As normas proíbem expressamente o uso de deepfakes, conteúdos em áudio ou vídeo gerados por IA para simular falas de candidatos, e impõem sanções severas, como a cassação do registro de candidatura. O tribunal também estabeleceu que qualquer conteúdo eleitoral fabricado tecnologicamente deve conter um aviso explícito de que foi gerado por IA.

​O protagonismo do eleitor nas eleições gerais

Para Nunes Marques, as eleições de 2026 possuem um peso histórico singular, sendo classificadas por ele como uma das mais importantes desde a redemocratização. O ministro defendeu que o processo deve ser centrado no cidadão e na importância do voto como ferramenta de dignidade.

“O voto não constitui mero ato formal de participação política, representa expresso de pertencimento cívico, de dignidade democrática e de confiança nas instituições da República”, destacou.

​O novo presidente assegurou que o tribunal atuará de forma técnica e firme para manter a transparência das etapas de votação. A meta é garantir que a disputa política ocorra dentro de limites éticos, tanto nas ruas quanto no ambiente digital.

“Reputo essencial que o Tribunal Superior Eleitoral cumpra com sua missão constitucional de organizar, orientar e fiscalizar as eleições, para sejam eleições limpas e transparentes”, afirmou.

Defesa das urnas eletrônicas e tecnologia de ponta

​Em continuidade à postura adotada por seus antecessores, Nunes Marques fez uma defesa enfática do sistema brasileiro de votação. Ele classificou as urnas eletrônicas como um ativo fundamental do país e uma referência tecnológica para outras nações. O tribunal mantém um calendário rigoroso de testes públicos de segurança para afastar suspeitas de vulnerabilidade.

​”O sistema eletrônico de votação brasileiro constitui patrimônio institucional da nossa democracia. No tocante à apuração, recepção e divulgação dos votos, o nosso sistema é o mais avançado do mundo”, completou o magistrado.

O novo presidente assume com o desafio de manter a confiança pública no sistema após anos de polarização e questionamentos sobre a segurança dos dados.

​Perfil e trajetória do novo comando do TSE

Natural de Teresina (PI), Kassio Nunes Marques tem 53 anos e possui uma longa trajetória na magistratura federal e na advocacia. Antes de chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, ele integrou o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e foi juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI).

Sua experiência na base do sistema eleitoral é vista como um trunfo para lidar com as demandas regionais em 2026. ​Ao seu lado, o ministro André Mendonça assume a vice-presidência da Corte.

Também com 53 anos, Mendonça é doutor em Direito pela Universidade de Salamanca e possui histórico na advocacia pública federal. Indicado ao STF em 2021, ele exerceu os cargos de advogado-geral da União e ministro da Justiça. Juntos, os magistrados formam a cúpula que terá o papel de árbitro da política brasileira nos próximos dois anos.

Parcerias com Big Techs e combate à desinformação

​Além do foco em IA, a gestão de Nunes Marques deve ampliar os acordos de cooperação com grandes plataformas de tecnologia, como Google e Meta. O objetivo é acelerar a remoção de conteúdos que ataquem a integridade do sistema eleitoral ou disseminem informações falsas sobre o processo de votação.

O Centro Integrado de Enfrentamento à Desinformação e Defesa da Democracia (CIEDDE), criado no TSE, continuará operando como braço operacional dessa estratégia.

​O tribunal também planeja intensificar campanhas de conscientização para que o eleitor saiba identificar conteúdos manipulados. Com a velocidade das redes sociais, a Justiça Eleitoral entende que a repressão jurídica não é suficiente sem a educação digital da população.

A presidência de Nunes Marques sinaliza um esforço de pacificação, focando na aplicação rigorosa da lei para garantir que o resultado das urnas reflita a vontade popular real.

Com informações da Agência Brasil.

Leia também: Veja como vai funcionar programa federal contra o crime organizado

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -