
Pelo segundo dia consecutivo a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) não teve quórum para votar a indicação feita pela governadora Raquel Lyra do médico veterinário Moshe Dayan Fernandes de Carvalho para assumir a presidência da Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro). Ao contrário de ontem, onde apenas 19 deputados marcaram presença, desta vez os que estavam no plenário tiveram que esperar mais de uma hora para que o 10º parlamentar chegasse e desse o quórum mínimo para abrir a sessão, mas insuficiente para voltar qualquer projeto, pois são necessários 25 parlamentares. A expectativa é que fique para a próxima terça-feira. Isso em meio a uma ameaça de uma crise sanitária por causa da crise aviária.
A movimentação em torno da nomeação do novo presidente da Adagro começou na terça-feira (20), quando parlamentares da oposição articularam uma reunião extra da Comissão de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ) para sabatinar o indicado do governo pela manhã e votar seu nome em dois turnos à tarde. A justificativa apresentada foi a urgência provocada pelo avanço da gripe aviária no país. A Adagro é o órgão responsável pela defesa agropecuária e fiscaliza doenças que afetam a produção animal e vegetal.
A coisa foi decidida tão na pressa que, na véspera, segunda-feira (19), o presidente da CCLJ, deputado Coronel Alberto Feitosa, havia afirmado que não havia definição sobre a sabatina. Àquela altura, as notícias sobre a presença do vírus da gripe aviária já circulavam desde a sexta-feira anterior (16).
Quórum baixo impede votação da Adagro
Durante toda a semana, o número de parlamentares presentes na Alepe caiu devido à Marcha dos Prefeitos, realizada em Brasília, o que impactou diretamente no quórum. Mas mesmo assim, havia número suficiente de deputados presentes nas dependências da Casa, muitos não foram ao plenário. Segundo parlamentares da oposição, isso seria resultado de uma orientação do Governo do Estado para esvaziar a sessão e adiar a votação.
A hipótese ganhou eco após o deputado Junior Matuto (PSB) afirmar na tribuna que o assessor especial da Casa Civil Yuri Coriolano teria feito ligações pedindo que parlamentares não entrassem no plenário. Fontes do governo, no entanto, alegaram que o assessor estava em deslocamento aéreo naquele momento, retornando da agenda em Brasília.
Governistas alegam armadilha política
Após o encerramento da sessão desta quinta-feira (22), os blocos partidários apresentaram leituras divergentes sobre a situação. Deputados governistas apontaram que a oposição teria agido já sabendo que a Casa estaria esvaziada, buscando dar uma aparência de cooperação com a pauta do governo, mesmo sem condições de aprová-la.
Já a oposição afirmou que buscou contato com a líder do governo na Casa, deputada Socorro Pimentel, para tentar garantir o quórum mínimo e viabilizar a votação nesta quinta-feira (22).

Apesar da tensão nos bastidores, o médico veterinário Moshe Dayan demonstrou, durante sabatina na Comissão de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ) conhecimento técnico compatível com a função.
A Adagro atua diretamente na prevenção e controle de doenças agropecuárias, como a gripe aviária, que é uma infecção causada pelo vírus influenza tipo A, com potencial de afetar aves e mamíferos, inclusive humanos em casos excepcionais. Diante do risco de uma crise sanitária com impacto direto na produção e exportação de proteína animal, parlamentares afirmaram que o processo de nomeação deveria ser tratado com celeridade e responsabilidade. No entanto, o cenário na Alepe revelou um ambiente marcado por manobras regimentais, agendas políticas paralelas e ausência de articulação consistente, tanto da base aliada quanto da oposição.
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