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Petróleo lidera exportações em março e impulsiona balança comercial

​De acordo com a FGV Ibre, com avanço de 70,4% em valor, setor extrativo sustenta superávit brasileiro em meio às tensões no Irã e à política tarifária de Donald Trump
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Plataforma de petróleo Petrobras
O relatório aponta que o mercado global enfrenta novos choques provocados pelas tensões entre os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, e o Irã. Foto: Petrobras/divulgação

O mercado de petróleo e derivados se consolidou como o principal motor das exportações brasileiras no mês de março. De acordo com o Indicador do Comércio Exterior (Icomex), divulgado nesta terça-feira (14) pela FGV Ibre, o setor liderou o desempenho da indústria extrativa, registrando um crescimento de 70,4% em valor na comparação com março de 2025.

​Esse avanço ocorre em um momento de profunda incerteza no cenário internacional. O relatório aponta que o mercado global enfrenta novos choques provocados pelas tensões entre os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, e o Irã. Esse conflito tem gerado impactos diretos nos preços e no fluxo de combustíveis no curto prazo.

O fator Trump e a busca por novos mercados

A política comercial norte-americana tem sido marcada por uma série de avanços e recuos tarifários. Desde o anúncio da “cruzada tarifária” em abril de 2025, o Brasil viu as regras de jogo mudarem repetidamente. Recentemente, em fevereiro de 2026, Trump anunciou uma tarifa adicional de 10% alegando ameaça de crise no balanço de pagamentos dos EUA.

​O FGV Ibre destaca que essa instabilidade transformou os Estados Unidos em um parceiro “não confiável” para muitos negócios. Esse comportamento acabou por estimular as empresas brasileiras a buscarem novos mercados e parceiros comerciais fora do eixo tradicional de Washington, buscando estabilidade em outras regiões.

China amplia espaço enquanto EUA perdem terreno

Os números refletem essa mudança na geografia do comércio. No primeiro trimestre de 2026, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,5% para 9,5%. Em contrapartida, a China aumentou sua fatia de 25,5% para 29,0%, consolidando-se ainda mais como o principal destino dos produtos nacionais.

​Curiosamente, o relatório observa que, se um dos objetivos da política de Trump era diminuir a presença chinesa na América Latina, o resultado foi o oposto. “O tarifaço produziu o resultado oposto”, aponta o indicador, mostrando que o isolacionismo americano empurrou o Brasil para uma integração maior com o mercado asiático.

Superávit acumulado supera o ano anterior

Apesar de o saldo da balança comercial de março (US$ 6,4 bilhões) ter sido inferior ao do mesmo mês em 2025, o acumulado do primeiro trimestre de 2026 é positivo. O superávit alcançou US$ 14,2 bilhões, superando os US$ 9,6 bilhões registrados no mesmo período do ano passado, demonstrando a resiliência do setor exportador.

​O desempenho positivo das exportações é explicado majoritariamente pelas commodities, que cresceram 10,6% em volume na comparação mensal. Além do petróleo, a carne bovina também se destacou, com um crescimento de 29,0% nas vendas externas realizadas pela indústria de transformação.

O desafio das importações e dos derivados

Se por um lado o petróleo bruto garante dólares para o país, por outro, as importações de derivados representam um desafio. Em março, as importações globais do Brasil cresceram 20,1% em valor. Esse aumento foi puxado pela necessidade de compra de óleos combustíveis e adubos, cujos preços subiram devido à instabilidade no Oriente Médio.

​“Estão nas importações de óleos combustíveis os maiores desafios para o Brasil manter o superávit crescente da balança do setor”, afirma o relatório da FGV Ibre. O acompanhamento dos preços do óleo diesel no mercado internacional será crucial para entender os próximos meses da balança comercial brasileira.

Invasão de bens duráveis chineses

Outro dado que chama a atenção no relatório de março é o dinamismo das importações de bens duráveis vindos da China. O volume importado dessa categoria registrou um salto de 331% na comparação mensal. O destaque ficou com os veículos de passageiros, que aumentaram 204% em valor e 284% em volume.

​O Icomex destaca que esse movimento de importações crescentes, aliado à valorização de 2,6% nos preços dos produtos importados, explica por que o saldo final de março não foi maior. O Brasil está comprando mais, e de forma mais cara, o que consome parte da riqueza gerada pelas exportações de petróleo.

Perspectivas incertas para o fechamento de 2026

A Secretaria de Comércio Exterior prevê que o Brasil feche 2026 com um superávit de US$ 72,1 bilhões. No entanto, o FGV Ibre mantém um tom de cautela. O cenário pressupõe um quadro de estabilidade para o comércio mundial que a realidade atual de conflitos e guerras tarifárias não permite confirmar com segurança.

​“Os efeitos da guerra no Irã ainda se manifestarão com mais intensidade nos próximos meses”, alerta o documento. Para o Brasil, o desafio será equilibrar a alta volatilidade do câmbio nominal com a necessidade de manter as regras estáveis para que as empresas possam planejar suas decisões de comércio exterior a longo prazo.

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