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Namaste, Índia: o gigante que começa a bater à nossa porta

No ano passado, batemos o recorde de exportação para a Índia, aumentando em mais de 1 bilhão de dólares em exportação de um ano para o outro
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Gustavo Delgado
Gustavo Delgado/Foto: divulgação

Tenho, nos últimos dias, falado, pensado, organizado encontros e conexões com o empresariado pernambucano e indiano. E, por este motivo, me dispus a novamente rever os números de comércio exterior com a Índia, este até então distante gigante para nós, brasileiros. Nos últimos dez anos, temos mantido uma razoável parceria entre nossos países.

Nossa relação é historicamente deficitária, ou seja, importamos mais da India do que exportamos. Mas quase que de forma igual, pois se exportamos em 2025 quase 7 bilhões de dólares, importamos, por outro lado, um pouco mais de 8 bilhões de dólares desse intenso país. Um ponto importante a destacar é que, no ano passado, batemos o recorde de exportação para a Índia, aumentando em mais de 1 bilhão de dólares em exportação de um ano para o outro, e mantendo um ritmo de ascensão contínuo ao longo dos últimos três anos.

Ainda sobre sua importância comercial e econômica para o Brasil, a Índia está no top 10 de maiores destinos de nossas exportações e também de origem de nossas importações. Mais ainda, de 2020 a 2024 o Brasil está entre os três maiores crescimentos na destinação de produtos indianos no mundo, com um crescimento de 12%, perdendo apenas para o crescimento dos Emirados Árabes e da Arábia Saudita. Nem os Estados Unidos, que representam o maior volume de destino dos produtos indianos no mundo, cresceu como nós, nesta relação. Para se ter uma melhor noção, nossa taxa de crescimento com a Índia foi maior do que a que tivemos com o mundo como um todo.

Há poucos dias, a Índia firmou um acordo comercial com a Comunidade Europeia, que será de grande valia para ambos os lados, e o presidente do Brasil está com uma missão programada para março agora de ir à Índia fechar acordos e abrir novas conexões. Tenho falado há muito tempo sobre o potencial, que ainda não enxergamos no nosso dia a dia do comércio exterior, desse país que é a maior democracia do mundo. Há alguns anos, tive inclusive o prazer de visitá-lo pessoalmente e de participar de feira internacional e rodada de negócios com os irmãos indianos, pessoal acolhedor e muito educado.

Sobre Pernambuco, a situação é diferente, importamos quase 5 vezes mais do que exportamos, e em 2024 foi quase dez vezes mais. A terra de Gandhi foi a 9ª maior origem de nossas importações, mas ela não se encontra nem entre os top 10 destinos de nossas exportações, mostrando claramente o quanto ainda precisamos explorar. Se na importação focamos no querosene de avião e no óleo diesel, na exportação temos o coque de petróleo e resíduos de ferro/aço como os itens mais importantes de nossa pauta comercial.

Mas, como uma grande oportunidade para nosso Estado, o Invest Recife coordenou a vinda e está apoiando a instalação da Câmara Brasil-Índia desde setembro do ano passado. Atualmente essa câmara, que é de muita importância para estreitarmos esta relação, já está com uma pequena equipe formada e fazendo os primeiros movimentos de conexão com as empresas locais e já tratando de possíveis vindas de investimentos indianos. Já estamos preparando eventos para divulgar a missão Índia Tech, com foco em tecnologia que acontece em março e também correndo para apoiar a possível ida de empresários com a comitiva do presidente. Atividades de apoio, mas de extrema relevância para despertarmos nossa relação com essa gigante! Namaste Índia!

*Gustavo Delgado é Consultor de comércio exterior e de internacionalização de empresas, Diretor de OCCA, Diretor de inovação da ABDAEX, Coordenador de MBA em Comércio exterior, Coordenador do curso de Relações Internacionais da UNIFBV e Mestre em Economia

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