- Publicidade -

Gestão tributária: de vilã a aliada estratégica para as pequenas empresas

"Ainda enfrentamos uma cultura empresarial que enxerga os tributos como um fardo a ser evitado"
- Publicidade -
Azenate Xavier
Azenate Xavier /Foto: divulgação

Por Azenate Xavier*

Durante anos, ouvi de muitos pequenos empresários a mesma frase: “É o imposto que quebra a empresa.” Mas será que é mesmo? Ou será que o que falta, de fato, é organização e planejamento? Na minha vivência como contadora, posso dizer com tranquilidade: o problema quase nunca é o imposto em si, é a forma como ele é tratado dentro da empresa.

A gestão tributária, que muitos ainda encaram como uma obrigação burocrática e pesada, vem se mostrando cada vez mais como um pilar estratégico para a sobrevivência e o crescimento das micro e pequenas empresas. Isso não é teoria, é o que vejo na prática todos os dias, dentro dos escritórios, nas consultorias e conversas com clientes.

Segundo o Sebrae, o Brasil já tem quase 15 milhões de MEIs. Só nos primeiros três meses de 2025, surgiram 1,4 milhão de novos pequenos negócios. O empreendedorismo está vivo, sim, mas poucos conseguem dar o próximo passo e se tornar microempresas. E o mais triste: quase metade fecha antes de completar cinco anos. Por quê? Em muitos casos, por falta de gestão financeira e, principalmente, de planejamento tributário.

Já vi empresas com ótimos produtos e muito potencial serem engolidas por erros simples, como não considerar os impostos na hora de precificar. Isso compromete o caixa, corrói a margem e, no fim, inviabiliza o negócio. Quando o empreendedor entende que o imposto faz parte da operação e aprende a incluí-lo corretamente nos seus custos, tudo muda. Ele deixa de ser vilão e vira só mais uma linha na planilha, previsível, controlável, repassada de forma justa ao cliente.

Ainda enfrentamos uma cultura empresarial que enxerga os tributos como um fardo a ser evitado. Mas essa mentalidade precisa mudar, e está mudando. Cada vez mais vejo empresários buscando orientação, entendendo que o contador não é um mal necessário, mas sim um parceiro estratégico. Planejamento tributário bem feito permite escolher o melhor regime fiscal, evitar multas, pagar menos e até ganhar pontos em licitações públicas. Não é só economia: é posicionamento.

E com a Reforma Tributária vindo aí, prevista para começar a ser implantada em 2026, esse preparo será mais importante do que nunca. O modelo tributário vai mudar, e quem não estiver organizado pode acabar pagando mais do que deveria, ou simplesmente ficando para trás. Não dá mais para empurrar esse assunto com a barriga.

O que eu sempre digo é o seguinte: não é preciso ser especialista em tudo, mas é fundamental saber quando buscar ajuda. Organizar as finanças, entender os custos, revisar processos, manter a documentação em dia e incluir os tributos no planejamento estratégico não é um luxo, é uma necessidade.

A gestão tributária eficiente não é só uma obrigação legal. É uma forma de ganhar previsibilidade, segurança e credibilidade. É o que separa empresas que se mantêm firmes mesmo em tempos difíceis daquelas que não sobrevivem à primeira crise.

No fim das contas, o imposto não é o inimigo. O verdadeiro inimigo é a desinformação, é a falta de preparo. Mudar essa visão é o primeiro passo para construir empresas mais fortes, mais conscientes e muito mais sustentáveis.

*Azenate Xavier é contadora, especialista em planejamento tributário e empresária contábil, com mais de 15 anos à frente da Azenate Soluções Contábeis. É pós-graduada pela UFPE e possui MBA em Gestão Financeira, Contábil e Controladoria pelo CEDEPE

Veja também:

Guilherme Boulos assumirá Secretaria-Geral da Presidência

Lula lança programa de reforma de casas e defende ação para invisíveis

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -