Gypway Holding reúne mineradoras do maior polo de gipsita do país

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A Sociedade Anônima vai promover as empresas da região, otimizando custos e barganhando preços e, no futuro, a  holding poderá comprar a produção de cada empresa e comercializar o volume total junto ao mercado

Por Etiene Ramos

O pólo gesseiro de Pernambuco, responsável pela produção de 95% da gipsita que abastece o mercado nacional, está desenvolvendo uma nova forma de fazer negócios e se fortalecer. Um grupo de 14 pequenas e médias mineradoras do Sertão do Araripe se uniu na formação da Gypway Holding, a primeira iniciativa da região para fomentar a colaboração e aumentar o poder de negociação entre empresários. 

Kaval aposta em novos modelos de negócios para o polo gesseiro – Foto: Divulgação

As empresas, instaladas nas cidades de Araripina, Trindade, Ipubi e Ouricuri, no Sertão do Araripe, investiram R$ 500 mil na formação de um capital de base e na regularização da holding, e contrataram uma consultoria contábil e tributária para o planejamento estratégico e a definição do melhor enquadramento tributário. “A escolha foi uma sociedade anônima que vai trazer frutos do trabalho colaborativo. Entre eles a condição de barganhar preços e fazer compras conjuntas de insumos. No futuro, a  holding poderá comprar a produção de cada empresa e comercializar o volume total junto ao mercado”, explica Werson Kaval, economista, professor da pós-graduação do Centro Universitário Tiradentes (Unit-PE) e que vem trabalhando desde a concepção da Gypway.

Na fase atual, o porte da holding está sendo definido a partir do levantamento do perfil de cada empresa acionista, com dados sobre clientes, fornecedores e o tamanho das operações. A estimativa inicial é que a Gypway possa alcançar um capital de R$ 80 milhões. A holding poderá abranger outras empresas da cadeia do gesso, como calcinadoras e fabricantes de pré-moldados. “A ideia é aceitar novos sócios, futuramente, como franqueados. Estamos levantando junto às acionistas qual a capacidade de aporte mensal para continuar os investimentos”, revela o economista.

O mais importante, segundo ele, é pensar em novos modelos de negócios. Como as mineradoras usam muito combustível, que chega a 50% do custo de lavra da gipsita, Kaval vê possibilidades de investir numa distribuidora de combustíveis ou outros segmentos para que o faturamento e o lucro possam vir da cadeia do gesso e agregar valor para a holding.

Com a Transnordestina, há o risco de empresas de grande capital passarem a transportar a gipsita bruta para outros lugares onde seja mais fácil produzir o gesso e seus derivados / Foto: Agência do Governo do Piauí

Transnordestina, energia e transporte

Entre as grandes demandas do polo gesseiro fica difícil escolher se a maior é por transporte ou por energia, mas ambas podem ser resolvidas a partir da esperada conclusão da ferrovia Transnordestina. Atualmente, mesmo pagando um ICMS sobre frete diferenciado, o custo do transporte chega a ser mais caro do que o produto final, o gesso.

Sem condições de usar o gás natural, que precisa chegar à região envasado, em transporte apropriado, já que não existe tubulação, a produção do gesso vem consumindo, há décadas, as árvores da caatinga para alimentação dos fornos. Apesar do cerco dos órgãos ambientais, segundo Werson Kaval, estima-se que a fronteira da biomassa, já atinge um raio de 200 quilômetros do ecossistema da caatinga.

A Transnordestina seria uma opção para o transporte do gás natural como combustível. O gás já foi testado na produção do gesso, mas não seguiu adiante pelo custo do transporte. Porém, com os trilhos, há o risco de empresas de grande capital passarem a transportar a gipsita bruta para outros lugares onde seja mais fácil produzir o gesso e seus derivados. “Pode-se colocar a gipsita no trem e levar para locais com melhor infraestrutura, como o Complexo Portuário de Suape, onde se tem boa oferta de gás, não há tanta pressão das fiscalizações ambientais, fiscais e de trabalho, devido à alta informalidade da região, e sim muitas facilidades de distribuição via malha rodoviária para as capitais. Isso iria baratear muito os custos dos produtos para o mercado”, analisa o consultor.

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