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Nordeste amplia em 52% as áreas protegidas, mas Caatinga tem degradação severa

Nordeste passou de 485 para 738 unidades de conservação em dez anos, mas 60% das UCs da Caatinga ainda não têm plano de manejo, aponta painel da Sudene
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  1. Nordeste amplia unidades de conservação em 52%.
  2. Caatinga tem degradação severa, segundo levantamento.
  3. 11,7% do bioma está em níveis críticos.
  4. Unidades de conservação totalizam 738 áreas.
  5. Mais de 60% não têm plano de manejo.
Nordeste Caatinga semiárido COP30
Unidades de conservação são importantes para a preservação de espécies nativas da Caatinga. Foto Saulo Coelho Nunes, Embrapa/Banco de Imagens

O Nordeste brasileiro ampliou em 52% o número de unidades de conservação ambiental na última década, passando de 485 áreas protegidas em 2015 para 738 em 2025, em uma extensão superior a 25 milhões de hectares. Os dados integram o mais novo painel do Data Nordeste, plataforma da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) divulgado nesta quarta-feira (17), Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca.

O avanço na proteção formal, no entanto, coexiste com um retrato preocupante da saúde do solo: um levantamento publicado em 2026 na revista Remote Sensing, com dados de 2021, aponta que a Caatinga concentra a degradação mais severa entre os seis biomas brasileiros. Pelo Índice de Degradação da Terra (LDI), 11,7% do bioma se encontra nos níveis 4 e 5 de degradação, os mais críticos, em que o solo praticamente perde a capacidade de se recuperar sem intervenção. O segundo colocado, o Pantanal, registra 6,2%.

O paradoxo da Caatinga

Em área total degradada, a Caatinga ocupa posição intermediária no ranking nacional: 21,4% do bioma está degradado, bem abaixo da Mata Atlântica (65,2%), do Pampa (41,5%) e do Cerrado (39,2%). A virada ocorre quando se isola a gravidade: mais da metade de tudo o que está degradado na Caatinga já se encontra nas classes mais extremas, proporção sem equivalente nos demais biomas.

Em texto publicado pelo Instituto Nacional do Semiárido (Insa), o pesquisador titular do Núcleo de Desertificação e Agroecologia da instituição, Aldrin Pérez-Marin, define o que está em jogo: “Degradação severa, num bioma seco como a Caatinga, tem um nome próprio: desertificação. Não é o avanço de dunas de areia, como o imaginário popular sugere, mas o esgotamento profundo do solo, a perda de vegetação e da capacidade da terra de sustentar a vida. É a ferida que não fecha sozinha.”

Na Caatinga estão localizadas 299 das 738 unidades de conservação do Nordeste, ocupando aproximadamente 9,8 milhões de hectares. Mais de 60% dessas unidades ainda não contam com plano de manejo, documento fundamental para garantir gestão e proteção efetivas das áreas. A maior parte está sob gestão estadual (156 unidades), seguida pelas federais (121) e municipais (12).

Distribuição regional

Das 738 unidades de conservação do Nordeste, 381 pertencem à esfera estadual, 280 são federais e 77 são municipais. Bahia (296), Pernambuco (122) e Ceará (102) são os estados com mais unidades. Em extensão territorial, Bahia (10 milhões de hectares), Maranhão (9,2 milhões) e Piauí (6,9 milhões) concentram as maiores áreas protegidas. Mais da metade das unidades de todo o Nordeste também não possui plano de manejo.

O painel do Data Nordeste aponta ainda municípios com maior suscetibilidade à desertificação: Montadas (PB), Areial (PB), Gavião (BA) e Calçado (PE) figuram entre os de maior percentual de áreas em risco. Entre 2001 e 2021, houve redução da cobertura de solo conservado em territórios indígenas e quilombolas, pressionados por desmatamento, garimpo e grilagem.

Ludmilla Calado, geógrafa da Sudene e coordenadora do Data Nordeste, avalia que o crescimento no número de unidades é positivo, mas insuficiente. “É um resultado interessante, mas nós sempre podemos melhorar. É importante observar o crescimento ao longo das décadas impulsionado pela criação de leis e diretrizes governamentais, então quanto mais ações pudermos alcançar, melhor”, disse.

Calado destaca que o cruzamento dos dados de degradação com os vazios de conservação orienta onde investir: “Ao analisarmos esses dados, conseguimos localizar municípios que apresentam níveis críticos de degradação e, ao mesmo tempo, vazios de conservação. Isso fornece subsídios técnicos para orientar estudos, investimentos e discussões sobre a ampliação de áreas protegidas.”

*Com informações da Sudene e do Insa

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