
O cenário de vendas de fim de ano – que engloba a Black Friday, o Natal, Ano Novo e o verão – exige um pico de performance da cadeia de abastecimento. No Nordeste, principalmente em Pernambuco, o segmento de atacarejo, que opera com margens reduzidas e alta competitividade, está utilizando a tecnologia e o investimento em Centros de Distribuição (CD) como principal motor para suportar o aumento da demanda e, ao mesmo tempo, manter a estabilidade de preços.
A expectativa para o período é de alta movimentação. Uma das maiores redes de atacarejo da região, que atua em Pernambuco e na Paraíba, projeta um acréscimo de 20% na circulação de cargas secas e perecíveis, um crescimento significativo em comparação ao ano anterior.
A demanda não é apenas do consumidor final, mas de toda a microeconomia de serviço. A gerente de marketing da rede nordestina Novo Atacarejo, Jéssica Almeida, aponta que a movimentação se dá pela expectativa dos fornecedores e pela busca de diversos agentes.
“Existe muita expectativa dos nossos fornecedores, que desenvolvem produtos para serem lançados e comercializados nas nossas lojas. Também há busca de pequenos estabelecimentos como mercadinhos, padarias, hotéis e restaurantes, que querem economizar com os itens sazonais, e das famílias e transformadores de alimentos, que querem saborear e comer bem nesse período”, explica.
Logística de vanguarda e investimento em Capex
Para absorver o volume de vendas, que pode aumentar entre 30% a 35% neste período, segundo estimativas do setor de distribuição, as empresas estão alocando capex robusto em infraestrutura.
O centro de distribuição da empresa, em Moreno, um dos pilares logísticos da região, está em uma fase de tripla expansão: a área física passará dos atuais 58 mil para 96 mil metros quadrados, elevando a capacidade de armazenamento de 23.500 para impressionantes 62 mil posições porta pallets.
Essa infraestrutura massiva é combinada com tecnologia de ponta. O CD utiliza um sorter (sistema de esteiras e sensores) que otimiza a separação dos produtos, com capacidade instalada para oito mil volumes por hora. É essa dinâmica interna que garante um lead time ultrarrápido, com o abastecimento feito em apenas 1,3 dia entre o pedido e a entrega final, garantindo a disponibilidade dos produtos nas prateleiras e minimizando a ruptura de estoque.
Eficiência no atacarejo como freio da inflação de alimentos
O desempenho da logística em Pernambuco, com seus centros de distribuição tecnicamente aprimorados, tem um efeito macroeconômico direto. Ele atua como uma barreira contra a pressão de alta nos custos, principalmente nos alimentos.
Inácio Miranda, presidente da Associação Pernambucana de Agentes de Distribuição (Aspa), confirma a estabilidade de preços, atribuindo o mérito ao ajuste da cadeia de suprimentos. “A inflação alimentar praticamente inexistiu em 2025”, diz. Para Miranda, o fator de controle de custo é o alto nível de coordenação alcançado, uma vez que “q cadeia de abastecimento é muito ajustada”.
Competição, distribuição e varejo de proximidade
Embora as grandes redes concentrem poder de compra ao negociar diretamente com a indústria, a distribuição atacadista continua sendo um agente vital para a competição justa e a capilaridade. De acordo com a Aspa, o pequeno e médio varejo ainda representa cerca de 50% do movimento de mercado.
Neste cenário, a figura do distribuidor é indispensável. Inácio Miranda aponta que a indústria não tem condições de capilaridade para entregar diretamente ao pequeno comerciante. O distribuidor, neste caso, garante a eficiência logística para esse segmento, oferecendo condições de preço altamente competitivas. “A gente entrega com eficiência e praticamente pelo mesmo preço que comprar direto da indústria”, argumenta.
Para o líder da Aspa, a sustentação do pequeno e médio varejo é uma questão de economia e concorrência. “É importante que tenha as grandes redes, mas é importante que o pequeno e médio varejo exista também, para ter uma competição justa e no final o consumidor ser beneficiado. Não é porque se existe um monopólio ou oligopólio ou muita gente concentrada que o preço nem sempre vai ser o melhor.”
A expansão da capacidade de centros de distribuição e o foco na otimização operacional, como visto no Novo Atacarejo, que já planeja sustentar a abertura de até 96 lojas, demonstram a maturidade da logística nordestina e sua importância como pilar de crescimento econômico e estabilidade de consumo regional.
O Movimento Econômico também procurou o Grupo Mateus e a rede Atacadão, mas as empresas não se posicionaram até esta publicação.
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