
O Ministério das Relações Exteriores confirmou nesta sexta-feira (13) a revogação do visto do assessor do governo norte-americano Darren Beattie, funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos responsável por assuntos ligados ao Brasil. A decisão encerra a possibilidade de visita que Beattie planejava fazer ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso na Penitenciária Federal de Brasília, nos dias 16 ou 17 de março.
O Itamaraty justificou a revogação pela “omissão e o falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita por ocasião da solicitação do visto, em Washington”. A pasta classificou o descumprimento das exigências formais como “princípio legal suficiente para a denegação de visto, de acordo com a legislação nacional e internacional”.
O pedido de autorização para a visita havia sido apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela defesa de Bolsonaro na terça-feira (10). Na quinta-feira (12), o ministro Alexandre de Moraes negou o pedido, com a justificativa de que a visita não havia sido comunicada à diplomacia brasileira e não integrava a agenda oficial de Beattie no país.
No mesmo dia, o chanceler Mauro Vieira enviou ofício a Moraes alertando para o risco diplomático da iniciativa. “A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, afirmou Vieira no documento.
Lula destacou situação do ministro da Saúde
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi além da revogação do visto e vinculou explicitamente a entrada de qualquer assessor do governo Trump no Brasil à liberação dos vistos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
“Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, para visitar Jair Bolsonaro, foi proibido de visitar. E eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que estão bloqueados”, afirmou Lula durante agenda no Rio de Janeiro.
Em 2025, os Estados Unidos cancelaram o visto da esposa e da filha de 10 anos de Padilha. À época, o visto do próprio ministro estava vencido e não era passível de cancelamento.
Impacto no governo Trump e no ambiente de negócios Brasil-EUA
O episódio ocorre em momento de tensão crescente nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos. O governo Trump anunciou em fevereiro de 2026 a aplicação de tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio brasileiros exportados para o mercado norte-americano, medida que afeta diretamente a cadeia siderúrgica do Nordeste, com impacto sobre unidades produtoras na Bahia e no Maranhão.
A escalada diplomática em torno da visita de Beattie adiciona incerteza a negociações comerciais que ainda não têm prazo definido para resolução e que condicionam o acesso de produtos brasileiros ao principal mercado individual de exportação do país.
*Com informações da Agência Brasil
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