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EUA fecha acordos reduzindo taxas de exportações para países asiáticos

Brasil segue aguardando respostas dos EUA às tentativas de negociação do tarifaço anunciado de 50% em exportações a partir de 1o de agosto
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presidente dos Estados Unidos Donald Trump tarifas Brasil
Enquanto EUA mantém ameaça doo tarifaço, o governo brasileiro elabora planos de socorro a setores afetados por sobretaxa. Foto: RS/Fotos Públicas

O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (23), o fechamento de um acordo comercial com o Japão, reduzindo para 15% tarifas sobre automóveis e outros produtos exportados pelo país asiático para os EUA. Antes da negociação, o Japão enfrentaria, a partir de 1º de agosto, taxação de 25% anunciadas pelo governo americano sobre exportações. No pacote, Tóquio acordou ainda investimentos e empréstimos da ordem de US$ 550 bilhões aos Estados Unidos.

O acerto de contas com o governo japonês aconteceu um dia depois do fechamento de outro acordo comercial de Trump com a Indonésia, país membro pleno do Brics. O conjunto de países conta também com Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã.

“Ficou acordado que a Indonésia abrirá seu mercado para produtos industriais, tecnológicos e agrícolas dos Estados Unidos, eliminando 99% de suas barreiras tarifárias. Os Estados Unidos da América passarão a vender produtos fabricados em solo americano para a Indonésia com tarifa ZERO, enquanto a Indonésia pagará 19% de tarifa sobre todos os seus produtos que entrarem nos EUA — o melhor mercado do mundo!”.

O comunicado, feito pela rede Truth Social, ainda diz que a Indonésia fornecerá aos Estados Unidos “preciosos minerais críticos” e irá assinar “grandes acordos, no valor de dezenas de bilhões de dólares, para a compra de aeronaves da Boeing, produtos agrícolas americanos e energia dos EUA”.

Trump acrescentou que o acordo beneficiará os fabricantes estadunidenses de automóveis, empresas de tecnologia, trabalhadores, agricultores, pecuaristas e indústrias em geral.

EUA x Brics

Na última sexta-feira (18), Trump voltou a ameaçar impor tarifas contra os membros do Brics ou quaisquer países que se alinhem com o que ele chamou de “políticas antiamericanas”. O presidente estadunidense tem afirmado, sem provas, que o grupo de países foi criado para prejudicar os EUA e o dólar como moeda de reserva mundial. Os líderes do Brics rejeitam as alegações de Trump e defendem que o grupo é guiado pelo multilateralismo.

EUA X Brasil

Nesta quarta-feira (23), o secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Philip Fox-Drummond Gough, representando o governo brasileiro na reunião do Conselho Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), criticou o uso de “medidas comerciais unilaterais como instrumento de interferência nos assuntos internos de outros países” – referindo-se ao anúncio da Casa Branca de aplicar tarifa sobre exportações do Brasil em 50% a partir do mês de agosto. Donald Trump disse que a imposição está atrelada aos processos em trâmite no judiciário brasileiro que investigam a participação do ex-presidente Jair Bolsonaro em planos antidemocráticos que incluíam o sequestro e assassinato de autoridades brasileiras após as eleições de 2022.

“Infelizmente, neste exato momento, estamos testemunhando um ataque sem precedentes ao Sistema Multilateral de Comércio e à credibilidade da OMC. Tarifas arbitrárias, anunciadas e implementadas de forma caótica, estão interrompendo as cadeias de valor globais e correm o risco de lançar a economia mundial em uma espiral de preços altos e estagnação”, discursou o diplomata brasileiro.

Durante o encontro, em Genebra entre os dias 22 e 23 de julho, foram debatidos, por iniciativa do Brasil, temas relativos à necessidade de respeito ao sistema multilateral de comércio baseado em regras.

Negociações continuam

Na última segunda-feira (21), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista à Rádio CBN, que o Brasil não vai sair da mesa de negociação com os Estados Unidos. Haddad disse, porém, que o governo vem trabalhando em planos de contingência para ajudar os setores mais prejudicados com o plano de Donald Trump.  

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