A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, anunciou nesta terça-feira (14), no Palácio do Campo das Princesas, a assinatura de uma operação de crédito de R$ 1,5 bilhão com o Banco do Brasil. O recurso será destinado a obras de infraestrutura no estado, com foco em mobilidade, saúde, abastecimento de água e competitividade logística.
De acordo com a gestora, a operação de crédito foi viabilizada após aprovação da Assembleia Legislativa e é resultado da reorganização fiscal do Estado, que passou a integrar a classificação “Capag B”, permitindo o acesso a financiamentos com garantias da União. Capag é a sigla para Capacidade de Pagamento, indicador usado pela Secretaria do Tesouro Nacional para avaliar a situação fiscal dos entes federados.
“Hoje a gente assina uma operação de crédito junto ao Banco do Brasil da ordem de R$ 1,5 bilhão. É importante dizer que isso é fruto de todo o trabalho feito pelo governo de Pernambuco na captação de novos recursos para investimento em infraestrutura”, afirmou a governadora durante coletiva de imprensa.
Entre os principais projetos contemplados está o Arco Metropolitano, obra estimada em R$ 640 milhões, com contrato já assinado e licenciamento ambiental autorizado para início das instalações de canteiros e ações de desapropriação.
“Estamos no processo de licenciamento, já autorizado para a instalação dos barracões. Agora estamos cumprindo as etapas de desapropriação e de licença de instalação para permitir que as obras comecem a acontecer”, detalhou Raquel Lyra.
Também foi anunciado o início da duplicação da BR-232, no trecho entre São Caetano e Belo Jardim, no Agreste, com investimento de R$ 300 milhões. O edital dessa obra deve ser publicado entre novembro e dezembro de 2025.
“Essa primeira etapa da duplicação da BR-232 deve ter o edital publicado ainda este ano. O projeto será entregue em novembro, e os investimentos chegarão a R$ 300 milhões nesse trecho”, acrescentou.
Investimentos em novas maternidades
Durante a coletiva, a governadora também destacou investimentos em equipamentos de saúde, com foco na interiorização do atendimento e na ampliação da rede de maternidades.
“A gente está todos os dias anunciando em Pernambuco novas estradas, hospitais, maternidades, tudo isso com lastro colocado em operações de crédito que o Estado de Pernambuco foi capaz de obter”, disse.
A gestão estadual pretende ampliar a cobertura de unidades materno-infantis em regiões que apresentam maior déficit de atendimento, sobretudo no Agreste e no Sertão. Embora não tenha detalhado a quantidade de unidades ou os municípios contemplados, a governadora afirmou que as obras serão viabilizadas com os recursos da operação de crédito recém-assinada.
Entre as ações anunciadas está a construção da nova maternidade de Ouricuri, que contará com investimento de R$ 51,1 milhões. A unidade terá 117 leitos e vai beneficiar diretamente a população de 11 municípios do Sertão do Araripe. O prazo da obra é de 15 meses.
A maternidade de Ouricuri integra um conjunto de cinco grandes maternidades previstas pela atual gestão. Já estão em obras as unidades de Garanhuns e Serra Talhada, enquanto o Hospital da Mulher do Agreste, em Caruaru, foi inaugurado em maio. As cinco unidades devem somar 740 leitos à rede pública estadual.
Além disso, o governo anunciou o início das obras do Centro Especializado de Reabilitação (CER) de Serra Talhada, com investimento de R$ 10,8 milhões. A unidade oferecerá serviços para pessoas com deficiência física, intelectual, auditiva e visual, com prazo de entrega de oito meses.
Polícia Científica no interior
Outro destaque da coletiva foi a autorização para a construção de quatro novos Complexos de Polícia Científica (CPCs), que funcionarão nos municípios de Garanhuns, Ouricuri, Arcoverde e Petrolina. Os equipamentos contarão com Instituto de Criminalística (IC) e Instituto de Medicina Legal (IML), com investimento total de R$ 18,4 milhões.
Os valores por unidade são: Garanhuns (R$ 5 milhões), Ouricuri (R$ 4,7 milhões), Arcoverde (R$ 4,4 milhões) e Petrolina (R$ 4,3 milhões). A descentralização da Polícia Científica visa agilizar os processos investigativos e reduzir a sobrecarga da capital. Estão previstas ainda novas unidades em Vitória de Santo Antão, Floresta, Salgueiro e Caruaru, sendo que as duas últimas tiveram obras retomadas pela atual gestão.
Investimentos somam até R$ 12 bilhões até 2026
A governadora afirmou que o ciclo de investimentos públicos em Pernambuco poderá chegar a R$ 12 bilhões até o final de 2026, somando recursos da administração direta e de empresas concessionárias. Os aportes incluem ações em infraestrutura viária, saúde, saneamento e tecnologia.
“Estamos projetando algo em torno de R$ 11,5 bilhões a R$ 12 bilhões de investimentos em quatro anos. Esse é o maior ciclo de investimento da história recente de Pernambuco”, declarou.
Segundo Raquel Lyra, além do crédito já assinado, há expectativa de aprovação, ainda neste ano, de mais R$ 1,7 bilhão em operações de crédito para 2026, empréstimo que tramita na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Ela destacou que a tramitação de novas operações de financiamento pode levar até três meses, considerando etapas junto à STN (Secretaria do Tesouro Nacional), PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional), Ministério da Fazenda e Senado Federal.
Além dos recursos públicos, a governadora mencionou investimentos privados já previstos, como os R$ 6,1 bilhões anunciados pela DEM Energia, concessionária que renovou contrato com o Estado. A Copergás, o Porto de Suape, a Copesp e o Porto do Recife também devem contribuir com investimentos ao longo dos próximos anos, fortalecendo o plano de retomada da infraestrutura econômica e social de Pernambuco.

Obras para escoamento de produção
Com foco em ampliação de competitividade, a gestão estadual pretende melhorar a logística de escoamento de produção agroindustrial e industrial, sobretudo nas regiões Agreste e Sertão. A duplicação da BR-232 é estratégica nesse processo, pois liga o interior ao Recife e ao Porto de Suape.
Segundo dados do Ministério dos Transportes e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Pernambuco concentra uma das maiores cargas rodoviárias do Nordeste, sendo essencial a ampliação da malha duplicada para acompanhar o crescimento da produção agropecuária e da indústria leve no interior.
“A gente só tem mais competitividade se a gente conseguir ter muito mais água, mais estrada, mais ônibus, mais aeroporto, mais investimento no setor tecnológico”, concluiu Raquel Lyra.
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