- Publicidade -

Primeiro Motto by Hilton do Brasil valida retrofit no Bairro do Recife

Hotel lifestyle inaugurado nesta quarta-feira (11), Motto by Hilton teve aporte de R$ 53 milhões e testa nova lei de revitalização do centro histórico da capital pernambucana
- Publicidade -
Rooftop do Motto by Hilton do Bairro do Recife
O projeto arquitetônico, que integra quartos para acomodar grupos, oferece estrutura na qual o rooftop e o café térreo funcionam como hubs de convivência. Foto: Edward Pena/Movimento Econômico

O Bairro do Recife, coração da economia criativa e do Porto Digital, acaba de ganhar um novo componente de tração imobiliária. A inauguração do Motto by Hilton nesta quarta-feira (11) marca não apenas a estreia da bandeira lifestyle (focada em estilo de vida e conexão com a cultura local) no Brasil, mas o início de um teste real para a tese de reabilitação urbana da capital. Com 132 apartamentos e um investimento de R$ 53,2 milhões, o projeto ocupa uma lacuna histórica de leitos no centro antigo, posicionando-se como o único hotel em funcionamento no epicentro da folha carnavalesca.

​A estrutura foi viabilizada sob o modelo de condo-hotel (sistema onde investidores compram unidades individuais para obter lucros com a operação hoteleira), permitindo que o capital privado financie a recuperação do patrimônio histórico.

Para o mercado, o Motto funciona como um validador de valor residual para os imóveis do entorno. A aposta em quartos compactos e integrados reflete uma mudança no consumo, onde a experiência de “viver o bairro” supera a demanda por grandes metragens privativas.

O entusiasmo do setor privado é ancorado na força de marcas globais que trazem padrões internacionais de serviço. Danilo Canuto, presidente da Revpar Incorporações, enfatiza que o timing da inauguração foi estratégico para conectar o hotel à vocação turística da cidade.

“O Motto chega para consolidar essa nova fase. Inaugurar às vésperas do Carnaval tem um significado especial: é colocar o empreendimento no ritmo da cidade, conectado com sua energia e sua história”, destaca o executivo.

Eficiência operacional e experiência urbana

A operação profissionalizada promete uma performance (desempenho financeiro e operacional) superior à média local devido à força da marca Hilton. O hotel nasce com 60 empregos diretos e já projeta 90% de ocupação para o período momesco. O projeto arquitetônico, que integra quartos para acomodar grupos, foca na flexibilidade necessária para um hotel lifestyle, onde o rooftop (terraço panorâmico) e o café térreo funcionam como hubs de convivência para hóspedes e moradores.

Inauguração Motto by Hilton do Recife Antigo
A cerimônia de lançamento do empreendimento com 132 leitos celebra também o início da operação às vésperas das festividades carnavalescas. Foto: Edward Pena/Movimento Econômico

​João Domingos Azevedo, da MUV Empreendimentos, resume a entrega do produto imobiliário como uma resposta a uma demanda reprimida. “O Motto é um hotel urbano, compacto e com lifestyle que reúne tudo o que o hóspede precisa para uma estadia focada em experiências e conexão com o lugar. É o hotel certo que o Bairro do Recife sempre demandou”, destaca.

Arbitragem tributária e o ímã do Recentro

O sucesso do empreendimento está atrelado a uma agressiva engenharia fiscal e urbanística. De acordo com a Prefeitura do Recife, o lançamento dialoga com um trabalho que busca reverter décadas de esvaziamento do centro por meio do Recentro, que oferece um arcabouço de incentivos tributários para atrair novos negócios.

O objetivo é criar uma densidade de moradores e turistas que sustente o comércio local durante todo o ano, e não apenas em datas sazonais. A viabilidade de projetos desse calibre em áreas históricas depende de uma estrutura que compense os custos elevados de obra.

Rooftop Motto by Hilton do Recife Antigo
O hotel nasce com 60 empregos diretos e já projeta 90% de ocupação para o período momesco. Foto: Edward Pena/Movimento Econômico

Presente na cerimônia de inauguração, o prefeito João Campos (PSB) destaca que os incentivos incluem IPTU e ITBI zero, além de redução de ISS para 2%. “Não é justo que você tenha uma carga tributária nessa área equivalente ao que você tem na avenida Boa Viagem. Você precisa ter uma justiça tributária sendo feita”, afirma, ressaltando que o incentivo funciona como um imã para o capital privado.

​A estratégia, explica o gestor, mira agora a geração de externalidades positivas (benefícios gerados por uma atividade que impactam terceiros sem custo adicional) para a cidade. Campos entende que o hotel gera um círculo virtuoso de segurança e infraestrutura.

“O interesse de todos nós é que o Recife dê certo, é que os empreendimentos gerem renda, emprego e oportunidade. Que a gente possa chegar ao dia de não ser o único”, projeta o prefeito.

​Retrofit como moeda de troca imobiliária

O horizonte imobiliário da região está em plena mutação com a nova lei de uso e ocupação do solo. O mecanismo introduz o conceito de troca de adicional construtivo (direito de construir acima do limite básico permitido em troca de uma contrapartida à cidade) pela recuperação de imóveis degradados.

Na prática, a prefeitura permite que empresas construam mais em outras áreas valorizadas se reabilitarem prédios abandonados no centro. “Eu não quero um único real sendo pago na conta da prefeitura. Quero que isso seja trocado numa reabilitação urbana”, explica João Campos.

Leia também: Tecnologia, frevo e negócios se encontram no Carnaval
do Recife

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -