
A primeira fábrica de beneficiamento de leite em pó de cabra do Nordeste receberá investimento total de R$ 5,08 milhões para processar 45 mil litros por dia no assentamento Che Guevara, em Casserengue (PB), com operação prevista para setembro. A iniciativa é a segunda no Nordeste a dinamizar a produção leiteira caprina na região: o Ceará instalará em Jaguaretama a primeira biofábrica industrial do país a combinar água de coco em pó e leite de cabra.
O empreendimento é da Cooperativa de Produção e Comercialização do Curimataú Paraibano (Coopac), que já atua com a marca Nutrilê comercializando leite de cabra, iogurte e queijo de coalho. A cooperativa aporta R$ 1,5 milhão na linha industrial e R$ 580 mil na obra do prédio. O Governo da Paraíba entra com outros R$ 1,5 milhão, cujo termo de repasse foi assinado em 26 de junho. O Governo Federal completa o aporte com igual valor de R$ 1,5 milhão. A unidade ocupa o assentamento Che Guevara, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), tornando-se a primeira agroindústria instalada em área de reforma agrária no estado.
A fábrica beneficiará diretamente 390 famílias cooperadas de 16 municípios do Curimataú paraibano, com projeção de alcançar 1,8 mil produtores rurais em escala plena, segundo o representante comercial da Coopac, Augusto Belarmino. A cooperativa partiu de três produtores fundadores e hoje comercializa cerca de 50 mil litros de leite por mês. “Muitos duvidaram, mas o trabalho aqui é coletivo, em mutirão. Hoje a gente está lançando essa fábrica, que gera renda, economia, dinheiro e ajuda a mandar a gente aqui na terra”, disse Belarmino.

Programas sociais e cadeia produtiva do leite de cabra
O Governo do Estado já adquire 36 mil litros mensais da Nutrilê para programas sociais, entre eles o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), segundo a secretária de Desenvolvimento Humano, Neide Nunes. “Vamos continuar trabalhando para ampliar essa parceria com os produtores rurais. Em breve, novas chamadas de aquisição de alimentos serão lançadas”, afirmou. O secretário da Seafds, Nico Vilar, destacou que a eliminação do limite de cota para o produtor é um dos efeitos esperados da nova capacidade industrial: “A cooperativa já produz leite e iogurte de qualidade e agora vai produzir leite em pó de cabra, o que vai evitar o desperdício.”
O coordenador-geral do Projeto Cooperar, Omar Gama, lembrou as parcerias com a Coopac: “O Projeto Cooperar trouxe uma ajuda financeira para esse projeto. É muito gratificante ver que as famílias do campo estão conseguindo manter os seus filhos na terra para que aumentem a produtividade econômica do estado da Paraíba.
A secretária Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Lilian Hahal, participou da solenidade e destacou a articulação entre os dois níveis de governo nos programas de aquisição de leite. A assessora de Gestão Social da Sedap-PB, Márcia Dornelles, destacou o caráter social do empreendimento: “A fábrica de leite em pó vai muito além de um ativo industrial: ela estabiliza o mercado agropecuário, viabiliza a logística humanitária e atua como um motor de desenvolvimento social, transformando o suor de produtoras e trabalhadores rurais em riqueza durável e emancipação econômica.” O presidente da Coopac, Dido Lopes, disse que assistia à “realização de um sonho”.
Ceará: 40 anos de pesquisa da Uece chegam à escala industrial
Em Jaguaretama, no Vale do Jaguaribe, a ACP Nutrition instala a primeira biofábrica industrial do país dedicada ao processamento de água de coco em pó e compostos lácteos. A unidade terá capacidade para processar 2 mil litros de matéria-prima por dia e produzirá o ACP Lacte, composto nutricional obtido da combinação de água de coco em pó e leite de cabra, voltado a crianças, idosos e pacientes hospitalizados em situação de vulnerabilidade nutricional. A tecnologia foi desenvolvida nos laboratórios da Faculdade de Veterinária (Favet/Uece) ao longo de 40 anos, com patente depositada em 2019.
A pesquisa acumula 12 patentes no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e contou com financiamento do Banco do Nordeste, CNPq, CAPES e FUNCAP. As análises nutricionais foram realizadas pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) e pelo Centro de Qualidade em Alimentos (CQA), laboratórios referência da Anvisa em Campinas. A implantação reúne parcerias com o Instituto Ecoco do Brasil, a Associação dos Caprinovinocultores de Jaguaretama (Capritama) e a Cooperativa Agroindustrial do Vale do Jaguaribe (Cooprivale). A escolha de Jaguaretama reflete a tradição do município na caprinocultura e garante proximidade com a matéria-prima.
A trajetória da pesquisa começou em 1985, quando o professor emérito José Ferreira Nunes, da Favet/Uece, iniciou estudos com água de coco in natura para conservação de sêmen caprino e ovino. Em 1994, foi depositada a primeira patente biológica do Brasil na área, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Agropecuárias da França (INRA) e a Embrapa. A primeira água de coco em pó foi produzida em 2002, e o grupo acumula hoje aplicações documentadas que vão de dieta líquida hospitalar a repositor hidroeletrolítico para atletas.
*Com informações do Governo da Paraíba
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