
Em 2025, o Banco do Nordeste (BNB) contratou R$ 7,83 bilhões em financiamentos para projetos em Pernambuco, consolidando um dos maiores volumes de crédito já registrados no estado. O resultado representa um crescimento de 73% em relação a 2022 e uma alta de 24,9% na comparação com 2024, evidenciando a ampliação do apoio financeiro a diferentes setores da economia pernambucana.
Do total contratado, R$ 5,6 bilhões tiveram origem no Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), principal instrumento de fomento da instituição para projetos estruturantes na região.
Segundo o superintendente do banco em Pernambuco, Hugo Queiroz, o desempenho está diretamente ligado ao momento econômico vivido pelo estado. “Todos os setores estão aquecidos e alguns deles puxam outros investimentos em cadeia, a exemplo da indústria, da infraestrutura e da agricultura”, afirma.
A análise dos dados revela um movimento consistente de diversificação dos investimentos. A indústria registrou crescimento de 25% nas contratações, enquanto a infraestrutura apresentou uma expansão ainda mais acelerada, de 171%, impulsionada principalmente por projetos ligados ao saneamento. Já a agricultura avançou 41%, beneficiada por condições favoráveis de crédito e pelo fortalecimento de programas voltados ao setor.
De acordo com Queiroz, esse crescimento não se restringe apenas a grandes operações. “A gente pode explorar esse crescimento também pelo aumento das operações de varejo, independentemente da atividade. Crescemos com Crediamigo, com Agroamigo e com crédito para micro e pequenas empresas”, explica. Segundo ele, esse movimento segue uma diretriz estratégica do governo federal de ampliar a capilaridade do crédito produtivo.
No campo da infraestrutura, o banco ampliou sua atuação em projetos de saneamento, especialmente em regiões da Zona da Mata e em Fernando de Noronha. Já no setor industrial, um dos destaques foi a contratação de um financiamento de grande porte, na casa dos R$ 200 milhões, voltado à indústria química. Na visão de Queiroz, esse é um indicativo do aumento da confiança de investidores em projetos de maior escala no estado.
Micro e pequenas empresas ganham protagonismo
Outro vetor importante desse crescimento está nas micro e pequenas empresas (MPEs), que continuam sendo uma das bases da economia pernambucana. Em 2025, esse segmento movimentou mais de R$ 1 bilhão em financiamentos, com crescimento de cerca de 10% em relação ao ano anterior.
Mais do que o volume, chama atenção o perfil dessas operações. “Estamos vendo muita confiança do empresário. Quase 75% de todo o crédito que liberamos em 2025 para as MPE foram para investimento”, destaca Hugo Queiroz. O dado indica uma mudança de comportamento, com maior foco na expansão e modernização dos negócios, em vez de crédito apenas para capital de giro.
A concentração setorial também reflete características estruturais da economia local. “Aproximadamente 60% de tudo que a gente faz no estado é voltado para comércio e serviços. Isso segue a vocação de Pernambuco”, explica o superintendente.
Microcrédito do Banco do Nordeste
Os programas de microcrédito orientado também tiveram desempenho relevante em 2025, ampliando o alcance do banco entre empreendedores de menor porte. O Crediamigo, voltado para o público urbano, desembolsou R$ 1,04 bilhão, registrando crescimento de 24,4% em relação a 2024.
Já o Agroamigo, direcionado ao meio rural, apresentou a expressiva expansão de 54%, com R$ 1,03 bilhão contratados. Nesse segmento, a pecuária se destacou como uma das principais atividades financiadas, acompanhando o avanço de novos polos produtivos no interior do estado.
Boa parte dos financiamentos do Agroamigo foram voltados para a pecuária, em especial para criadores do Agreste, fornecedores da do frigorífico da Masterboi instalado na região. “A vinda dessas grandes empresas ajuda a solidificar a economia e estimula novos projetos e financiamentos”, afirma.
Para Queiroz, o impacto desses programas vai além dos números. Eles funcionam como porta de entrada para a formalização e o crescimento sustentável de pequenos negócios, especialmente em regiões com menor acesso a serviços financeiros tradicionais.
FNE deve ampliar investimentos em 2026
A perspectiva para os próximos anos é de continuidade desse ciclo de expansão. Para 2026, o FNE prevê a contratação de R$ 6,27 bilhões em Pernambuco, um aumento de 12,1% em relação ao volume aplicado em 2025.
O fundo tem sido o principal motor de financiamento para setores como infraestrutura, agricultura, pecuária, indústria e turismo, consolidando-se como instrumento estratégico para o desenvolvimento regional. De 2024 para 2025, por exemplo, o crescimento das contratações com recursos do FNE foi de 60%, evidenciando a aceleração recente dos investimentos.
Na avaliação do superintendente, o papel do banco vai além da concessão de crédito. “O banco tem dado uma contribuição muito forte para a economia, não só de Pernambuco, mas do Nordeste e do Brasil”, afirma.
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