- Publicidade -

Carnaval 2026 vira palco de disputa política em Pernambuco

Carnaval de Pernambuco 2026 intensifica disputa política entre Raquel Lyra e João Campos, com antecipação de evento e atrações nacionais
- Publicidade -
A folia do Carnaval do Recife traz uma disputa política embutida entre a governadora Raquel Lyra e o prefeito João Campos Foto: Wiu Rabbit/PCR
A folia do Carnaval do Recife traz uma disputa política embutida entre a governadora Raquel Lyra e o prefeito João Campos Foto: Wiu Rabbit/PCR

Nesta quinta-feira (12), Pernambuco e o Recife passam o comando do Estado e do município ao reinado de Momo. Mas por trás de toda alegria do Carnaval, há uma intensa disputa que vai render muito além dos dias de festa, protagonizada pela governadora e pré-candidata à reeleição Raquel Lyra, que estará em Olinda nesta quinta, e o prefeito do Recife e também pré-candidato ao Governo do Estado, João Campos, que comandará o Marco Zero. Nos palcos da folia, estrelas nacionais da música são mobilizadas para potencializar a imagem de gestão e associando os nomes dos gestores à popularidade de nomes como João Gomes, Alceu Valença, Alok, Iza, Alcione e Glória Groove, entre outros.

A disputa ganhou um novo capítulo com a antecipação do calendário festivo. Nos últimos anos, a Prefeitura do Recife consolidou a abertura oficial da programação na quinta-feira que antecede o Sábado de Zé Pereira, data tradicionalmente utilizada pelo Governo de Pernambuco para iniciar a agenda estadual, em Olinda. Em 2026, o Executivo estadual reagiu e levou a largada ainda mais para trás, com o Festival Pernambuco Meu País , que aconteceu nos dias 6, 7 e 8 de fevereiro, fim de semana anterior ao Carnaval.

O movimento altera a dinâmica da folia e evidencia uma estratégia de ocupação de agenda e de espaço político na capital, principal colégio eleitoral do Estado e onde o prefeito goza de elevada aprovação.

O Carnaval deste ano deve ser o último de João Campos como prefeito do Recife. Ele deverá deixar o cargo até 4 de abril para disputar o governo Foto: Edson Holanda/ PCR

No palco do Carnaval

O Carnaval deste ano será uma espécie de despedida de João Campos da Prefeitura, após pouco mais de cinco anos no comando do Recife. Líder nas pesquisas de opinião para a disputa do governo do Estado, ele precisa renunciar ao cargo até o 4 de abril. No entanto, ele já anunciou que até o final de março a chapa já deverá ser conhecida.

Para celebrar a despedida, a prefeitura começou a trabalhar cedo para viabilizar o Carnaval. No início de dezembro, a gestão anunciou mais de 80 atrações para o Carnaval 2026, sob o tema “Carnaval do Futuro”.

A programação começa logo com um arrasa quarteirão. O Dominguinho, projeto que reúne João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho e que vem lotando as casas onde se apresenta, foi escolhido para abrir a folia. Para completar a noite, a Musa Priscila Sena, que representa o brega na abertura da festa. Nos dias seguintes, pelo Palco do Marco Zero, passarão nomes como Liniker, Lenine, Elba Ramalho, Alok, Iza, Ludmilla, Alceu Valença, Quinteto Violado, Spok e maestro Ademir Araújo, além de manifestações como maracatu, caboclinho, afoxé e blocos líricos.

Com a grade, a Secretaria de Turismo e Lazer espera trazer milhares de turistas à cidade. Ela estima 310,5 mil passageiros no Aeroporto Internacional do Recife no período, com previsão de 60.030 empregos e impacto econômico de R$ 2,7 bilhões.

A governadora Raquel Lyra antecipou o início do Carnaval para o fim de semana que antecede a festa e está em Olinda nesta quinta-feira, na abertura da folia no município Foto: Hesíodo Góes/Secom

O contra-ataque de Raquel

O contra-ataque da governadora e candidata à reeleição, foi o Festival Pernambuco Meu País, que passou a integrar o calendário permanente da Secretaria de Cultura (Secult). A edição que abriu o Carnaval pernambucano este ano foi feito num palco montando no Terminal Marítimo, a pouco metros da Marco Zero e reuniu nomes como João Gomes, Nação Zumbi, Alcione, Belo, Glória Groove, Mestre Ambrósio, Mundo Livre S/A, Priscila Senna e Raphaela Santos.

A governadora Raquel Lyra destacou que a realização do evento no Recife tem caráter simbólico. “O Carnaval está no coração do pernambucano. Realizar essa edição do Pernambuco Meu País no Recife é reconhecer esse sentimento, fortalecer a nossa identidade cultural, dar visibilidade aos nossos artistas e garantir que a cultura chegue a todo mundo. Foi uma programação gratuita que promoveu encontros entre tradição e inovação, movimentou a economia criativa, gerou emprego e renda, fortaleceu o turismo e reafirmou a cultura como política pública de desenvolvimento, inclusão e cuidado com as pessoas em todo o Estado”, afirmou.

Além do calendário antecipado, a disputa se manifesta na ocupação territorial. Em 2025, o Governo do Estado instalou palco nas imediações do Marco Zero. Em 2026, manteve a estratégia de realizar eventos na área central do Recife, enquanto a Prefeitura concentra a programação no Bairro do Recife e no entorno da Rua da Aurora.

A antecipação das agendas amplia o alcance das marcas institucionais antes mesmo do início oficial da folia. Com a governadora buscando a reeleição e o prefeito estruturando candidatura ao Palácio do Campo das Princesas, a festa popular assume dimensão estratégica. A disputa não ocorre em discursos diretos, mas na escala das programações, na presença de artistas de projeção nacional e na associação entre gestão cultural e capacidade de mobilização econômica. O reinado de Momo começa, mas o calendário político já está em curso e só vai terminar em outubro.

Veja também:

Raquel e João apostam na agenda positiva do Carnaval

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -