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Copom mantém Selic em 15% mesmo após corte de juros nos EUA

Comitê de Política Monetária mantém Selic em 15% ao ano, mesmo após corte de juros nos EUA, e reforça cautela com inflação desancorada e cenário externo incerto
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O Copom entendeu que a manutenção da Selic em nível elevado é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta. Foto: Imagem gerada por IA para o Movimento Econômico

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 15% ao ano, conforme comunicado divulgado na noite desta quarta-feira (10). A decisão, unânime entre os membros do Comitê, reflete o entendimento de que o cenário atual exige manutenção de uma política monetária “em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”.

A decisão era esperada pelo mercado financeiro. Essa é a quarta reunião seguida em que o Copom mantém os juros básicos. A taxa está no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Após chegar a 10,5% ao ano em maio do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro de 2024. A Selic chegou a 15% ao ano na reunião de junho, sendo mantida nesse nível desde então.

A decisão ocorre no mesmo dia em que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, reduziu a taxa de juros para o intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano. O corte em 0,25 ponto percentual, o primeiro após um ciclo de estabilidade iniciado em meados de 2023, foi justificado por sinais de desaceleração da inflação norte-americana e do crescimento econômico, reforçando o contraste entre as estratégias adotadas no Brasil e nos EUA.

No comunicado divulgado pelo Banco Central, o Copom ressalta que “o ambiente externo ainda se mantém incerto”, exigindo cautela na condução da política monetária em países emergentes. As condições financeiras globais continuam sendo afetadas por incertezas, inclusive pela política econômica dos Estados Unidos e por tensões geopolíticas persistentes.

Cenário doméstico: inflação resistente e mercado de trabalho aquecido

No Brasil, os indicadores seguem apontando para uma moderação do crescimento da atividade econômica, como refletido na última divulgação do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o mercado de trabalho se mantém resiliente. “O conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica”, destacou o Copom.

A inflação, embora em trajetória de arrefecimento, ainda opera acima da meta. As expectativas coletadas pela pesquisa Focus situam-se em 4,4% para 2025 e 4,2% para 2026. A projeção do próprio Comitê para o segundo trimestre de 2027, horizonte relevante da política monetária, é de 3,2% no cenário de referência.

Entre os riscos de alta para a inflação, o Copom destaca: “(i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.” No campo dos riscos de baixa, a autoridade monetária cita uma eventual desaceleração mais intensa da economia doméstica, choques negativos no comércio global e queda nos preços das commodities.

Estratégia de Selic alta permanece

Diante desse cenário, o Comitê entende que a manutenção da Selic em nível elevado é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta. “Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.” O Copom reitera que seguirá “vigilante” e que “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado.”

A decisão foi tomada com o voto dos seguintes membros: o presidente do Banco Central, Gabriel Muricca Galípolo; e os diretores Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.

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