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Porto de Suape mira na avicultura para consolidar hub de grãos

A mais recente rodada do Pacto pelo Agro, realizada na última quinta-feira (6), teve como foco o mapeamento de gargalos logísticos enfrentados pela avicultura
Patricia Raposo
Patricia Raposo
De Recife CEO do Movimento Econômico [email protected]
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Suape
Suape conta com capacidade de ampliação dos seus cais e boa performance logística/Foto: divulgação Suape

Com o aumento da demanda por grãos e o peso crescente da avicultura na pauta agroindustrial, o Porto de Suape quer transformar um desafio logístico em oportunidade estratégica. Mirando nesse caminho, a mais recente rodada do Pacto pelo Agro, realizada na última quinta-feira (6), teve como foco o mapeamento de gargalos logísticos enfrentados pela avicultura e a avaliação de soluções para escoamento e abastecimento.

O encontro, que reuniu dirigentes do Porto de Suape, da Secretaria de Desenvolvimento Agrário de Pernambuco (SDA) e lideranças do agronegócio, abriu diálogo com o setor produtivo para que Suape possa avançar no seu plano de estruturar um hub dedicado à movimentação de grãos — especialmente milho e soja, insumos essenciais para a avicultura — e estudar novas rotas de exportação, incluindo a possibilidade inédita de embarques de ovos.

Hoje, a avicultura já utiliza Suape para exportar produtos industrializados, como pés e miúdos de frango congelados. No entanto, não há operações regulares de grãos nem exportação de ovos. As importações de milho e soja ocorrem de forma pontual e esporádica. Diante desse cenário, um dos principais estudos em andamento é a viabilidade de implantação de um terminal especializado em granel sólido vegetal, nos berços 6 e 7 do porto.

Suape como ponto estratégico para grãos

O objetivo é que Suape se torne um ponto estratégico para abastecimento e escoamento de grãos, atendendo à produção avícola local e, futuramente, atraindo cargas de fora do estado. Segundo Marcelo Moraes, coordenador jurídico do porto e presidente do grupo de trabalho do Pacto pelo Agro, a movimentação de grãos em Pernambuco pode ganhar força a partir das vantagens operacionais de Suape.

“Mesmo distante de polos produtores como Goiás e o Matopiba, temos diferenciais importantes: operamos 24 horas por dia, não paramos por questões climáticas e temos tempo médio de espera de cerca de 30 horas — bem abaixo da média nacional”, destaca. Isso compensaria, segundo ele, o deslocamento de grãos por rodovias até o porto pernambucano.

Suape
O presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto (ao centro) com diretores do porto e representantes dos setores de avicultura e fruticultura participam de reunião do Pacto pelo Agro/Foto: divulgação

A proposta também se beneficia do cenário atual, em que o Brasil enfrenta déficit de armazenagem de grãos e restrições nos portos mais tradicionais. Suape, com capacidade de ampliação dos seus cais e boa performance logística, se coloca como alternativa viável para parte dessa demanda.

A estratégia é ampliar o que já se exporta, viabilizar novos produtos — como os ovos — e buscar a redução dos custos logísticos da cadeia, sobretudo com grãos, um dos principais insumos da avicultura. “Nosso foco é trazer resultados concretos, com redução de custos, aumento da competitividade e expansão das exportações”, afirma Moraes.

O Pacto pelo Agro, criado para integrar o setor produtivo rural à infraestrutura logística do Estado, já havia iniciado esse processo com o setor de fruticultura. Agora, amplia sua atuação com a avicultura. O próximo passo será aprofundar os estudos técnicos e econômicos sobre o terminal de grãos, analisando viabilidade operacional, projeções de demanda e modelo comercial.

Embora o foco inicial seja o agro pernambucano, a operação pode futuramente atrair cargas de outros estados, fortalecendo a posição de Suape na rota do agronegócio brasileiro.

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