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Projetos e blitze tentam conter intoxicações por metanol em PE

Recife, Olinda e Jaboatão anunciam medidas preventivas para evitar intoxicações por metanol em bebidas. Há também projetos nos legislativos
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O número de casos de intoxicação por metanol no Brasil supera os anos anteriores e precipita ação dos políticos Foto: Agência Brasil
O número de casos de intoxicação por metanol no Brasil supera os anos anteriores e precipita ação dos políticos Foto: Agência Brasil

A onda cada vez mais crescente de mortes e casos de intoxicações provocados por uso do metanol em bebidas alcoólicas levou a ações descoordenadas dos entes políticos. Algumas propostas fazem sentido, outras nem tanto. Ignorando o fator surpresa, Olinda e Jaboatão anunciaram com antecedência que vão realizar blitze em bares do município em busca de bebidas contaminadas. Já o Recife coloca a tecnologia para ajudar na identificação de eventuais problemas. Na Câmara do Recife e na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), projetos tentam proteger a população, mas com efetividade questionada.

As autoridades de saúde no Brasil estão monitorando possíveis casos de intoxicação por metanol, com um total de 59 casos notificados entre suspeitos e confirmados no país, segundo dados recentes do Ministério da Saúde. A grande maioria, 53 casos, se concentra em São Paulo, onde há 11 casos confirmados e um óbito registrado até o momento, além de outros sete em investigação.

Em Pernambuco, foram notificados cinco casos suspeitos de intoxicação, com dois óbitos sob investigação e um paciente que perdeu a visão, sendo os casos de Caruaru, Lajedo e João Alfredo e um novo caso em Olinda. Diante do aumento de casos, que historicamente não passavam de 20 por ano, o Ministério da Saúde instalou uma Sala de Situação, intensificou a fiscalização, e recomendou à população que evite o consumo de bebidas destiladas (como gim, vodca e uísque) de origem desconhecida ou sem procedência garantida.

Olinda

Na Cidade Patrimônio da Humanidade, o cuidado é para evitar o registro de novos casos no município, já que nesta quinta-feira (2) foi identificado o primeiro caso suspeito. Equipes da Vigilância Sanitária vão percorrer a orla e o Sítio Histórico no fim de semana, conferindo as bebidas e como os comerciantes preparam e manuseiam as bebidas. O anúncio antecipado da blitz, acaba com o fator surpresa da ação, tendo pouco efeito prático na busca por irregularidade.

Jaboatão

Segunda maior cidade de Pernambuco em número de habitantes, a Prefeitura de Jaboatão percorrerá três pontos comerciais mapeados. A blitz ocorre nesta sexta-feira (3) para atestara a legalidade das bebidas vendidas. A medida tenta responder rapidamente aos casos confirmados de intoxicação em Pernambuco, mas, assim como Olinda, o anúncio antecipado da ação pode frustrar eventuais flagras.

Prefeitura do Recife lança canal no Conecta Recife para denúncias de bebidas adulteradas com metanol e orientações sobre intoxicação

Recife

Na capital pernambucana, a aposta é digital: um canal no Conecta Recife para denúncias de bebidas adulteradas. O botão “DENÚNCIA” ficará em destaque para quem quiser avisar sobre irregularidades e, também, receber orientação sobre sintomas de intoxicação.

Projeto sobre metanol

Na Alepe, o deputado Antonio Coelho apresentou projeto de lei para coibir adulteração de bebidas. A proposta lei obriga testes laboratoriais nas bebidas, restringe o uso do metanol e impõe notificações obrigatórias aos hospitais. É uma proposta funciona no papel, mas enfrenta o desafio crônico: transformar fiscalização e controle em algo além da teoria.

Projeto do deputado Antonio Coelho busca ampliar fiscalização sobre bebidas alcoólicas em Pernambuco e impor sanções a infratores Foto: Divulgação

Câmara do Recife

No Legislativo Municipal do Recife, a vereadora Jô Cavalcanti apresentou projeto para criar um “Selo Municipal Estabelecimento Livre de Produtos Adulterados”. A ideia é certificar bares e restaurantes que não tenham sido autuados por bebidas contaminadas por metanol e expor mensalmente os infratores. A proposta funciona no discurso da transparência, mas depende de uma engrenagem de fiscalização que, historicamente, não tem sido tão eficiente.

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