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Exportadoras já podem acessar crédito do plano Brasil Soberano

Exportadores afetados por tarifas dos EUA já podem solicitar crédito emergencial via Brasil Soberano, com R$ 40 bilhões disponíveis. O sistema informará se a empresa cumpre os critérios
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Têm acesso aos recursos do FGE as empresas de todos os portes cujas exportações aos Estados Unidos tenham representado, entre julho de 2024 e junho de 2025, ao menos 5% do faturamento bruto no período. Foto: Miguel Ângelo/CNI

Empresas afetadas por tarifas dos EUA já podem acessar crédito do Brasil Soberano. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu nesta quinta-feira (18) o protocolo para solicitação de crédito do plano Brasil Soberano, destinado a empresas impactadas pelas tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos. A medida é parte de uma resposta do governo federal às restrições comerciais aplicadas unilateralmente pelo país norte-americano.

O processo começa pela verificação da elegibilidade, que pode ser feita no site https://www.bndes.gov.br/elegibilidade-brasil-soberano, com autenticação via plataforma GOV.BR e uso do certificado digital da empresa. O sistema informará se a empresa cumpre os critérios e quais linhas de crédito podem ser acessadas.

Empresas que já mantêm relacionamento com instituições financeiras devem buscar essas vias para formalizar o pedido. Grandes empresas também podem tratar diretamente com o BNDES.

Ao todo, o plano Brasil Soberano oferece R$ 40 bilhões em crédito: R$ 30 bilhões com recursos do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões provenientes do próprio BNDES. Os valores podem ser utilizados para capital de giro, investimentos em adaptação produtiva, aquisição de máquinas e equipamentos e busca de novos mercados.

Têm acesso aos recursos do FGE as empresas de todos os portes cujas exportações aos Estados Unidos — de bens impactados pelas tarifas e listados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) — tenham representado, entre julho de 2024 e junho de 2025, ao menos 5% do faturamento bruto no período.

Nesse grupo, há quatro linhas disponíveis: capital de giro para despesas operacionais; giro diversificação para prospecção de novos mercados; bens de capital para aquisição de máquinas e equipamentos; investimentos para inovação, adaptação da atividade e fortalecimento da cadeia produtiva.

Modalidades de crédito

As empresas cujos produtos tenham sido tarifados, independentemente da proporção no faturamento, têm acesso às linhas oferecidas diretamente pelo BNDES, que somam R$ 10 bilhões. Nesse caso, são duas modalidades: capital de giro emergencial; capital de giro diversificação.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Nordeste registrou exportações de US$ 2,1 bilhões para os Estados Unidos entre janeiro e agosto de 2025. Os principais produtos afetados pelas tarifas incluem frutas, calçados, produtos químicos e derivados de petróleo.

Estados como Pernambuco e Bahia lideram a pauta exportadora regional. Segundo o ComexStat, Pernambuco respondeu por cerca de 10% das exportações nordestinas no período, enquanto a Bahia concentrou mais de 30%, com destaque para combustíveis e químicos.

Efeitos do tarifaço

Um levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), entidade sem fins lucrativos que representa empresas que atuam no comércio entre os dois países, estima que as exportações de produtos afetados pelo tarifaço norte-americano caíram 22,4% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2024. 

Os Estados Unidos são o segundo principal parceiro comercial do Brasil, perdendo apenas para a China.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o tarifaço de 50% incide em cerca de um terço (35,9%) das exportações brasileiras para os Estados Unidos.

O governo de Donald Trump assinou uma ordem executiva que estipulou a cobrança de taxas de até 50% a partir de 6 de agosto, mas deixou cerca de 700 produtos em uma lista de exceções. Entre eles estão suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis, incluindo motores, peças e componentes. Também ficaram de fora produtos como polpa de madeira, celulose, metais preciosos, energia e produtos energéticos.

Trump alega que os americanos têm déficit comercial (compram mais do que vendem) com o Brasil – o que é desmentido por números oficiais de ambos os países.

O presidente norte-americano usou como justificativa o tratamento dado pelo Brasil ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que considera ser perseguido. Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, em julgamento que terminou na semana passada. 

Leia mais: Copom mantém Selic a 15% ao ano pela “incerteza do ambiente externo”

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