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Ranking mostra os estados do Nordeste mais afetados por tarifas dos EUA

Ceará, Bahia e Maranhão lideram a lista dos maiores exportadores para o mercado norte-americano e devem sentir os maiores impactos das tarifas

De Recife

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Ceará será o estado mais afetado por tarifas de Donald Trump
No Ceará, os produtos semiacabados de ferro e aço representam 48% das vendas externas para os EUA – Foto: Divulgação – Porto do Pecém

O Ceará será o estado nordestino mais impactado pelas novas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo dados do Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o estado respondeu por 52,2% das exportações nordestinas destinadas ao mercado norte-americano, totalizando US$ 557 milhões entre janeiro e junho de 2025.

O tarifaço, que entra em vigor a partir de agosto, deve atingir em cheio a pauta de exportações cearense, principalmente os produtos semiacabados de ferro ou aço, que representam quase metade das vendas externas do estado aos EUA.

Considerando o valor absoluto das exportações para os Estados Unidos, a Bahia ocupa a segunda posição no Nordeste, com US$ 440 milhões exportados no primeiro semestre. Em seguida vêm Maranhão (US$ 335 milhões), Pernambuco (US$ 53,8 milhões) e Alagoas (US$ 44,2 milhões). Na outra ponta, Paraíba, Sergipe e Piauí têm menor volume exportado, mas apresentam alta dependência de produtos específicos, como açúcar, soja e calçados — itens que também podem sofrer com as novas tarifas.

Principais produtos afetados por tarifas

A composição da pauta exportadora revela a vulnerabilidade de determinados setores da economia nordestina. No Ceará, os produtos semiacabados de ferro e aço representam 48% das vendas externas para os EUA. Na Bahia, os principais itens são óleos brutos de petróleo, soja e celulose. Em Alagoas, 81% das exportações estão concentradas em açúcar e melaços.

Já Pernambuco destaca-se pela indústria automotiva, que responde por 27% das vendas ao mercado norte-americano e tende a ser diretamente atingida pelas tarifas impostas por Washington.

Confira o ranking dos estados do NE mais afetados por tarifas dos EUA

EstadoValor exportado (US$ mi)% para EUAPrincipal item exportado pela UF
Ceará557
52,2%
Produtos semiacabados (48%) e Calçados: (9,7%)
Bahia4408,3%
Petróleo (16%) e soja (16%)
Maranhão335
13,3%
Alumínio (31%) e celulose (15%)
Sergipe20,2
10%Óleos brutos (55%) e Suco de frutas (34%)
Pernambuco53,8
4,48%
Veículos automotores (27%)
Alagoas44,2
9%
Açúcar e melaços (81%)
Rio Grande do Norte36,5
15,3%
Óleo combustível (55%) e frutas (23%)
Piauí20,2
3,6%
Soja (77%)
Paraíba9,8812%Açucar (37%) e calçados (31%)
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)

Tarifa de 50% ao Brasil

presidente dos Estados Unidos Donald Trump tarifas Brasil
No início do mês, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou novas tarifas de 50% sobre todos os produtos exportados do Brasil, com início em 1º de agosto. Foto: RS/Fotos Públicas

No início do mês, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou novas tarifas de 50% sobre todos os produtos exportados do Brasil, com início em 1º de agosto. A medida foi comunicada oficialmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que convocou uma reunião de emergência no Palácio do Planalto para definir a resposta brasileira. Segundo Trump, a decisão se justifica como reação à suposta perseguição política a Jair Bolsonaro e inclui críticas ao Supremo Tribunal Federal por ações contra empresas americanas.

Essas tarifas se somam a encargos já existentes sobre aço e alumínio e poderão ser ampliadas a outros setores caso o Brasil adote medidas retaliatórias. Trump ainda condicionou a suspensão das tarifas à realocação da produção brasileira para território norte-americano. A medida faz parte de uma estratégia mais ampla de “ajuste do comércio justo” que também afeta países como México, Índia e África do Sul, com novas tarifas variando de 10% a 30%.

As tarifas impostas têm potencial de causar fortes impactos sobre o comércio exterior brasileiro, principalmente nos setores agroindustrial, siderúrgico e de mineração. No Nordeste, os estados mais afetados são Bahia, Maranhão e Ceará, devido às exportações de celulose, minério de ferro, frutas frescas e derivados de petróleo. A escalada das tarifas marca um novo capítulo de tensão comercial entre os dois países e levanta preocupações sobre a competitividade brasileira no mercado internacional.

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