
O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto de 2025 provocou ampla repercussão na imprensa internacional, que destacou o caráter agressivo e político da medida. O The New York Times classificou a tarifa como a mais alta já aplicada contra um parceiro comercial relevante e apontou que o anúncio representa uma retaliação de Trump à “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, além de um ataque direto ao governo Lula. O jornal ressaltou que Trump abandonou o padrão das cartas tarifárias para enviar uma correspondência incisiva ao presidente brasileiro, misturando justificativas políticas e econômicas.
O The Washington Post também destacou o tom pessoal da medida, afirmando que Trump lançou um ataque contundente contra o governo Lula por causa do julgamento de Bolsonaro, comparando o caso brasileiro ao seu próprio histórico jurídico. O jornal chamou a atenção para a crítica de Trump ao Supremo Tribunal Federal, que obriga empresas americanas a moderar conteúdos nas redes sociais, interpretada como um ataque à liberdade de expressão dos americanos.
Na Europa, a reação foi igualmente crítica. O Le Monde apontou que a tarifa é uma retaliação dos EUA contra o Brasil pelo processo judicial contra Bolsonaro, enquanto a BBC destacou que Trump exige o fim do julgamento do ex-presidente brasileiro e ressaltou as semelhanças entre Trump e Bolsonaro. O britânico The Guardian classificou a carta enviada a Lula como “destemperada” e destacou que ela destoa das cartas tarifárias anteriores, traçando paralelos entre a crise política brasileira e o episódio da invasão ao Capitólio nos EUA.
Na América Latina, o argentino Clarín afirmou que a tensão entre Brasil e Estados Unidos “escalou com força” e chamou a medida de “drástica”, ressaltando que Trump misturou motivações políticas e econômicas ao justificar o aumento da tarifa, que supera em muito a média aplicada a outros países latino-americanos.
O canal americano CNBC chamou atenção para o fato de que a carta a Lula vai além das demais, impondo tarifas explicitamente como punição por questões políticas internas brasileiras, algo inédito nas relações comerciais internacionais.
Analistas consultados por esses veículos também destacaram o uso das tarifas como instrumento político. Fernanda Magnotta, da Americas Quarterly, afirmou que “a decisão demonstra disposição de usar ferramentas econômicas para ganhos políticos, mesmo que isso prejudique alianças de longa data”. Oliver Stuenkel, também da Americas Quarterly, comentou que “Trump também ameaçou tarifas em 2019, quando Bolsonaro estava no poder. Não se trata apenas de ideologia, mas de uma disposição de usar o comércio como arma geopolítica”.
Em resumo, a imprensa mundial condena a medida como uma “instrumentalização sem limites” do comércio para fins políticos, com potencial de gerar instabilidade nas relações bilaterais e afetar a confiança internacional nos Estados Unidos como parceiro comercial.
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