terça-feira, 16/04/2024

Alagoas terá 1ª unidade para transformar vinhaça em biogás e biometano do Norte e Nordeste

Expectativa é de que entre em operação em 2025 e produza anualmente 6 milhões de metros cúbicos de biogás e biometano
Cooperativa Pindorama contará com um investimento da ordem de R$ 65 milhões da ZEG Biogás para nova planta / Foto: Divulgação

Por Vanessa Siqueira

O município de Coruripe, distante 87 quilômetros de Maceió, será o primeiro da região Norte e Nordeste a implantar uma unidade de produção de biogás. A Cooperativa Pindorama foi escolhida pela ZEG Biogás para abrigar a fábrica, que contará com um investimento da ordem de R$ 65 milhões.

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A unidade será construída em uma área de aproximadamente 5 hectares, concedidos pela cooperativa. De acordo com o presidente da Pindorama, Klécio Santos, a expectativa é que a unidade inicie sua operação em 2025 e produza anualmente 6 milhões de metros cúbicos de biogás e biometano.

De vinhaça para biogás

O biogás é produzido pela decomposição de matéria orgânica – gerada pela produção de açúcar e álcool – e que depois de processada é utilizada como combustível em motogeradores e na produção de energia elétrica para empresas.

Já o biometano é extraído da vinhaça. Ele é um subproduto de gás purificado, que pode ser liquefeito ou comprimido, podendo ter as mesmas aplicações que o gás natural e ser utilizado em indústrias e frotas.

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A expectativa da Cooperativa Pindorama é que a produção anual corresponda ao volume de 30 mil litros de óleo diesel produzidos todos os dias no período de um ano. Com esse volume, estima-se que serão evitadas a emissão de 20 mil toneladas de gás carbônico na atmosfera anualmente com a substituição da matriz fóssil pela renovável.

“Seremos protagonistas de mais um projeto inovador aqui no Nordeste, que é a captação do biometano proveniente da nossa produção de vinhaça, um projeto muito interessante por vários aspectos, entre eles a questão ambiental, por ser uma energia renovável que substituirá a energia fóssil. Com isso a gente contribuirá em muito para o bem do planeta”, disse Klécio Santos.

Nordeste: potencial para biogás

A parceria entre a cooperativa alagoana e a empresa ZEG começou a alguns anos por meio da Vibra Energia, principal acionista da empresa de biocombustível. De acordo com Fernando Mayer, gerente comercial da ZEG Biogás, ao longo dos últimos meses, a empresa demonstrou capacidade técnica e flexibilidade comercial, o que contribuiu para fortalecer ainda mais a possibilidade da concretização da parceria com a Pindorama.

A ZEG, então, será responsável por toda a solução tecnológica para a geração do biogás e para a purificação do biocombustível, podendo atuar também como potencial investidor do projeto. Além disso, será responsável por comercializar com exclusividade todo o biometano produzido pela planta. Já a Pindorama atuará como provedora das áreas para as instalações físicas da unidade, fornecerá a matéria-prima necessária para a produção do biogás e avaliará a possibilidade de atuar como investidora no projeto.

A ZEG Biogás será responsável por comercializar com exclusividade todo o biometano produzido pela planta em Coruripe / Foto: Divulgação

Mayer explicou ainda que o projeto para a implantação da unidade está na fase final de discussão contratual, mas já houve um levantamento técnico mais detalhado no local, para ser iniciado o processo de licenciamento ambiental.

“Concluindo as negociações no primeiro trimestre, temos expectativa de ainda no primeiro semestre iniciar a mobilização. Esta será nossa primeira parceria no Nordeste, levaremos know-how e tecnologia para o empreendimento, que será a primeira de muitas outras oportunidades na região, que tem potencial para ser um hub de produção de energia sustentável”, avaliou.

Por conta do potencial de expansão da produção limpa e sustentável de combustíveis no Nordeste, o gerente da ZEG avalia que há possibilidade de a produção ser ampliada com o tempo em Alagoas.

“O biometano substituirá combustíveis fósseis na região, onde podemos estimar redução de emissões por volta de 17 mil toneladas de CO₂ por ano.  Além do aspecto ambiental do projeto, geraremos novos empregos localmente, o que movimentará a economia e contribuirá positivamente para o desenvolvimento regional”, disse.

Leia mais: Usinas de açúcar despertam para o biogás

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