Alexandre Pires, do PSOL/PE, assume diretoria de combate à desertificação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Pernambucano foi convidado pela ministra Marina Silva

Alexandre Pires terá a missão de reimplantar departamento destituído no governo Bolsonaro Foto: divulgação



O PSOL de Pernambuco emplacou o ex-candidato a deputado estadual, Alexandre Pires, como diretor de combate à desertificação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima comandado por Marina Silva, vinculado à à Secretaria Nacional de Povos Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável.

Na sua trajetória, Pires ressalta os 20 anos dedicados às pautas de convivência com a região do semiárido, além de seu trabalho junto ao Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá  e Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) – onde se dedicou também por 15 anos.

Nessa entrevista ao Movimento Econômico, Alexandre Pires fala sobre como aconteceu o convite da ministra Marina Silva, dos objetivos, perspectivas e da retomada de uma política pública que foi destituída durante o governo Bolsonaro.

ME – Como ocorreu o convite para assumir a diretoria do departamento de combate à desertificação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima?

Alexandre Pires – Recebi uma ligação da ministra Marina Silva me convidando para assumir o departamento de desertificação, que é ligado à Secretaria Nacional de Povos Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável.

ME – Qual é o foco dos trabalhos desse departamento?
Alexandre Pires – Fortalecer toda essa pauta de política nacional de combate à desertificação e mitigação dos efeitos das secas. Precisamos entender a agenda de desertificação como uma agenda prioritária para a região do semiárido brasileiro, que é onde existem as áreas com maior incidência e gravidade de desertificação, com uma incidência muito maior. Mas, essa agenda também é importante para outras regiões do Brasil, sobretudo porque o processo de desertificação também tem ocorrido na região centro-oeste, na região sul e na região norte do Brasil como consequência dos efeitos das mudanças climáticas. A mudança no regime de chuvas, a alteração climática, os processos de desmatamento, o avanço do agronegócio, o aumento da temperatura do planeta. Esse conjunto de ações, na verdade, vão gerando as ações diretas dos seres humanos na problematização nesses processos que vão causando a desertificação.

ME – No que a desertificação afeta diretamente a população?

Alexandre Pires – Quando a gente fala em desertificação, estamos falando em impossibilidades de solos extremamente pobres e que a gente não consegue produzir nesses solos.

estamos falando de um processo ambiental que afeta principalmente a população camponesa e dessa população, principalmente, as mulheres porque os processos desertificação que impedem o avanço das atividades produtivas, da produção de alimentos, as secas que reduzem a disponibilidade de água, e com isso, as mulheres que têm um papel fundamental no abastecimento alimentar e hídrico das suas famílias acabam sofrendo muito mais. porque são as mulheres que vão buscar águas em lugares mais longínquos, ou porque tem uma dependência dos serviços públicos de distribuição de água, como é o caso dos carros-pipas ou, de fato, não conseguem garantir a produção de alimentos para suas famílias.

ME – Como encarar esse desafio?

Alexandre Pires – Estou me sentindo muito desafiado a ficar nesse espaço porque o convite chega através dessa trajetória de 20 anos trabalhando no Centro Sabiá, uma instituição que tem uma história de promoção de luta na promoção da agroecologia, na agricultura camponesa, no enfrentamento às mudanças climáticas, nas tecnologias sociais como instrumento de enfrentamento ao contexto climático. Vamos trabalhar junto com Edel Moraes como Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável, que vem de toda uma trajetória do Conselho Nacional de extrativistas.


ME- Qual a principal dificuldade para iniciar esse trabalho?

Alexandre Pires – Esse departamento de combate à desertificação sumiu no  durante o governo Bolsonaro, ou seja, sumiu no sentido da política ter sido esquecida não houve tratamento, ações, recursos destinados a implementação das ações dessa política, inclusive, num ambiente nacional e no diálogo com os governos dos estados e municípios. Essa agenda foi negligenciada no governo Bolsonaro também num plano internacional na medida em que na Convenção das Nações Unidas no combate à desertificação não teve a presença do Brasil do ponto de vista de proposição, de apresentação de alternativas, de apresentação de propostas para essa pauta que interessa ao Brasil, mas interessa a todo o mundo, a todo planeta.

ME – O que podemos esperar com a reimplantação desse departamento no governo Lula 3?

Alexandre Pires – Esse governo do presidente Lula é um governo que estamos ajudando a construir. A retomada dessas políticas como a retomada das políticas de combate à desertificação e mitigação dos efeitos das secas representa também retomar a democracia do nosso País. A democratização do orçamento, da participação, da gente compor essa estrutura do governo com uma equipe comprometida com o bem comum, comprometidas com a sociedade do bem viver. Acho que essa admissão é fundamental. Como sertanejo e nordestino, como alguém que acredita em quem ficou lutando a vida toda em defesa dessa pauta da convivência com o semiárido, da agroecologia, da segurança alimentar, da participação social e da democracia. 

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